Iniciativa apoiada pela Fundação FEAC oferece aulas gratuitas duas vezes por semana nos bairros São Bernardo e no DIC VI em Campinas, interior de SP; são 100 vagas abertas para a nova fase
O Projeto Esporte Social (PES), desenvolvido pela Associação Paraolímpica de Campinas (APC) – no interior de SP, com apoio da Fundação FEAC, abre a oportunidade para que mais crianças e jovens com idades entre 8 e 25 anos, em situação de vulnerabilidade social, possam se beneficiar da prática esportiva. Atualmente, 20% dos 100 alunos possuem algum tipo de deficiência, seja física, visual ou intelectual. A meta é que, com a abertura de novas vagas, a porcentagem alcance 30%.
As aulas e treinos que trabalham diversos exercícios do atletismo são conduzidos por 12 profissionais altamente qualificados das áreas de Educação Física, Medicina e Gestão, sem contar os professores e auxiliares, que vivem nas regiões onde agora atuam. Além de se exercitarem e ganharem em pouco tempo avanços na coordenação motora, no equilíbrio e na concentração, os alunos são acompanhados de perto com avaliações periódicas para identificar suas evoluções.
No caso daqueles com deficiência, os professores trabalham com exercícios adaptados específicos, mas sempre junto com os demais colegas. E não raramente se ouvem gritos de torcida e comemoração pelas conquistas de quem precisa de alguma ajuda para participar das atividades. A dona de casa Maria Andrea Cardoso, mãe de Antonio, de 15 anos, que teve paralisia cerebral quando nasceu e se locomove com o auxílio de uma bengala, atesta os benefícios que a prática esportiva tem trazido para seu filho. “Soube do PES na Casa da Criança Paralítica e inscrevi o Antonio para, pela primeira vez, ele poder praticar esporte. Ele adora as aulas, se dedica às atividades e sabe que é apoiado pelos professores e os novos amigos que fez aqui”, conta.
Além da inclusão, o PES trabalha com a valorização e o uso de espaços públicos, no caso as praças de esportes dos bairros São Bernardo e DIC VI. A analista de projeto da Fundação FEAC, Viviane de Faria Machado, explica que a iniciativa foi levada para duas regiões de Campinas com poucas opções de lazer justamente para ser uma alternativa de promoção da saúde e socialização por meio da prática esportiva, ao mesmo tempo em que é um convite para usar e se apropriar desses espaços. “O PES visa garantir o direito à prática esportiva, fator determinante para a inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade social”, ressalta.
Pertencimento ao território e à sociedade
O domínio do território é, de fato, um dos pilares do Projeto Esporte Social e já é uma realidade. “Percebemos diariamente que as comunidades estão confortáveis com a presença dos professores nos bairros e quem participa conta para o vizinho ou amigo e assim as turmas vão crescendo”, revela o coordenador técnico do projeto, Luiz Marcelo Ribeiro da Luz. Os professores sempre ouvem das mães que a garotada que faz as atividades no período da manhã acorda cedo sem reclamar, pelo fato de gostar muito das aulas.
Outro pilar é ter a equidade entre meninos e meninas e isso já foi alcançado. “Desde o início nos chama a atenção o grande interesse por parte das meninas. Hoje temos 48% de meninas e 52% de meninos matriculados”, diz. Ele ressalta ainda que há um trabalho especial de acolhimento às meninas, focado na transição da fase para menina-mulher, com muita conversa e a disponibilização de kits de higiene, incluindo absorvente e lenço umedecido.
Mais um dado de sucesso é o envolvimento das famílias, o que explica que o índice de desistência seja menor que 1%. “Todos que chegaram nas atividades de férias e seguem nas aulas regulares, assim como aqueles que vão entrar agora em fevereiro passarão por uma integração onde vão aprender que a inclusão é fundamental. Acolher os novos colegas, sobretudo aqueles com alguma deficiência, faz parte do trabalho que realizamos com o foco no desenvolvimento social que está por trás da prática esportiva”, destaca Viviane.
Cinco entidades e serviços de Campinas, como centros de saúde, Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e abrigos, trabalham em rede para a garantia de direitos de todo o público-alvo e para a divulgação do PES. Agora, com as novas vagas para as aulas que se estendem até junho, a expectativa é que os resultados finais do projeto sejam ainda mais positivos.
O que é necessário para se matricular?
As atividades acontecem sempre às segundas e quartas ou às terças e quintas-feiras, com duas turmas no período da manhã (das 9h15 às 10h45 e das 10h às 11h30) e duas à tarde (das 14h às 15h15 e das 15h30 às 16h45). Para participar, basta que os interessados compareçam nos núcleos de atuação do São Bernardo (Praça de Esportes Argemiro Roque, na Av. João Batista Morato do Canto, 390) ou do DIC VI (Praça de Esportes Emil Rached, na Rua Nelson Barbosa da Silva, s/n), nos dias e horários das aulas. Os menores de 18 anos precisam ir acompanhados pelos pais ou responsáveis para a inscrição, quando são preenchidas fichas e apresentados documentos pessoais dos alunos.
Há 100 vagas abertas. É dada preferência para quem está matriculado em escolas públicas e é atendido por alguma entidade assistencial de Campinas.
Serviço
Aulas de atletismo do Projeto Esporte Social (PES)
Quando: às segundas e quartas ou às terças e quintas-feiras, em quatro horários: das 9h15 às 10h45; das 10h às 11h30; das 14h às 15h15 ou das 15h30 às 16h45
Onde: Núcleo São Bernardo (Praça de Esportes Argemiro Roque – Av. João Batista Morato do Canto, 390) e Núcleo DIC VI (Praça de Esportes Emil Rached – Rua Nelson Barbosa da Silva, s/n)
Mais informações pelo telefone (19) 99215-5360 (Luiz Marcelo)
Crédito/Imagem: Divulgação Fundação Feac – Antonio com a mãe, Maria Andrea: o PES é uma oportunidade de inclusão e de quebra de barreiras