• qui. abr 3rd, 2025

Tecnologias sociais contribuem com o desenvolvimento de crianças com TEA

Tecnologias sociais contribuem com o desenvolvimento de crianças com TEA

Iniciativa certificada pela Fundação Banco do Brasil faz a diferença na vida de crianças com autismo que vivem em bairros da periferia de Fortaleza

Na década de 1990, moradores da periferia da capital cearense enfrentavam vulnerabilidade social, insegurança alimentar e desinformação. A partir do acompanhamento de agentes de saúde da Associação Grupo de Apoio a Comunidades Carentes (AGACC) percebeu-se que as crianças eram as mais atingidas pela situação.

Maguidarela Tavares de Sousa Caldas, coordenadora de Comunicação e Mobilização de Recursos da AGACC, explica que na época havia muitas crianças sem conseguir andar, brincar ou se locomover. E, muitas famílias sequer tinham acesso aos serviços básicos de saúde, educação e moradia. Foi assim que a instituição começou a idealizar uma proposta que priorizasse a primeira infância, crianças em situação de vulnerabilidade, com atrasos no desenvolvimento e com diversas deficiências. Desde então, a associação já atendeu 10.193 crianças, sendo 1.523 crianças com deficiência, nas comunidades de Fortaleza e Granja (CE). 

Em 2001, a instituição recebeu a primeira certificação do Projeto Estimulação do Desenvolvimento Infantil e, em 2024, foi concedido um novo reconhecimento como Tecnologia Social pela Fundação Banco do Brasil. “Esse novo certificado vem confirmar que este projeto ainda é uma proposta atual. Ele é como uma chancela, pois valida uma tecnologia que pode ser replicada em várias localidades, com potencial de política pública”, ressalta Maguidarela Caldas. O projeto Estimulação do Desenvolvimento Infantil, inclusive, já foi replicado em Patos, na Paraíba, e teve algumas ações adaptadas à realidade de países africanos, com apoio da ONG francesa ESSOR. Para Kleytton Morais, presidente da Fundação BB, “este projeto tem demonstrado na prática, há vários anos, que é possível transformar realidades e contribuir com o desenvolvimento infantil por meio das tecnologias sociais”. 

Parceria com as famílias

Entre as milhares de crianças beneficiadas pela instituição, está o Carlinhos. A mãe, Daniele Pimenta França, sempre achou o filho um pouco diferente, mas não conhecia nada sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Em 2022, o projeto entrou na minha vida por uma agente de saúde e como eu não perco nenhuma oportunidade de ajudar a melhorar o desenvolvimento do meu filho, fui procurar”, explica Daniele.

Ela conta que, no início, o Carlinhos começou com atendimento individual devido às suas dificuldades de socialização. Hoje ele é atendido em um pequeno grupo e tem demonstrado evolução na comunicação, nas atividades de exercícios motores e adaptativos, e participa das atividades comemorativas.

“O projeto tem sido de muita importância para o Carlinhos, ele acorda de manhã já pedindo para ir lá. Vejo que já ajudou muito no seu desenvolvimento, principalmente no convívio com outras crianças. Ele está na escola, faz o primeiro ano do ensino fundamental, já pega no lápis corretamente e faz suas tarefinhas, melhorou em relação à sensibilidade com barulhos, com a sensibilidade a texturas e hoje tem uma vida mais sociável e feliz”, descreve a mãe orgulhosa.

Para a coordenadora da AGACC, a parceria com as famílias é essencial, pois relações familiares e história de vida são importantes para o desenvolvimento integral e fortalecimento de vínculos. “Além das famílias, a metodologia propõe envolvimento comunitário, parceria com lideranças, agentes de estimulação (educadores) e instituições. Os educadores residem na comunidade e participam de divulgação, planejamento, visitas e acompanhamento às crianças e famílias, e articulação com equipamentos sociais”, explica Maguidarela Caldas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 2 milhões de pessoas possuam o TEA, no Brasil. O Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, comemorado na quarta-feira (2), foi criado em 2007 pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de difundir informações sobre essa condição do neurodesenvolvimento humano e reduzir o preconceito. 

Sobre a Fundação BB

Há 40 anos, a Fundação Banco do Brasil busca inspirar cada brasileiro a se tornar um agente de transformação da sociedade. A instituição acredita na força do coletivo para encontrar soluções viáveis na superação dos desafios e promoção do desenvolvimento sustentável. Nos últimos 10 anos, foram investidos R$ 2,7 bilhões em 10 mil iniciativas que impactaram positivamente a vida de 6,8 milhões de pessoas de 3.400 municípios. 

CRÉDITO/IMAGEM: Atendimento no Projeto Estimulação do Desenvolvimento Infantil
divulgação AGACC

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