Investir no desenvolvimento de crianças e jovens com deficiência é fundamental para autonomia na fase adulta

ONG oferece oficinas e suporte de especialistas para que eles se desenvolvam o máximo possível

Segundo os dados do IBGE, na população adulta, 67,6% dos deficientes não possuem instrução ou formação profissional. Isso se deve, em parte, por falta de incentivo do desenvolvimento e da autonomia dessas pessoas na fase da infância e adolescência. Com isso em mente e pensando em ajudar no progresso durante essa fase, a ONG Nosso Olhar possui o espaço T21, que oferece gratuitamente oficinas culturais e de Jiu-Jitsu para esse público, além do suporte de especialistas de diversas áreas como fonoaudiólogos e terapeutas.
 

A ideia da criação do espaço veio de uma pessoa que vivencia de perto as dificuldades de pessoas com deficiência: Thaissa Alvarenga, mãe do Chico, um menino de 10 anos com Síndrome de Down. A fundadora da ONG faz questão de ressaltar a importância da família no desenvolvimento de pessoas com deficiência: “O Chico foi o meu primeiro filho, mas também tenho duas meninas, minhas Marias. Desde sempre incentivei que elas tivessem essa atitude de incentivo e é lindo ver como elas têm feito diferença na evolução dele”.
 

Como esse tipo de suporte pode colaborar com o desenvolvimento na fase da infância e da adolescência?
 

Na parte cultural o espaço oferece oficinas de pintura, artesanato, pipas e arraias, teatro e musicalização. “Com essas oficinas conseguimos trabalhar a educação socioemocional, a socialização, o desenvolvimento de habilidades motoras, intelectuais, emocionais, habilidades artísticas, autonomia, desenvolvimento da fala e expressão corporal. Elas são importantes porque apresentam os atendidos às diversas formas de expressão artísticas-culturais, permitem o primeiro contato dos atendidos com materiais e conceitos artísticos, desenvolver a criatividades, estimular as propriedades cognitivas e sensoriais, explorar diferentes materiais, propiciar interação e atividade coletivas, treinar habilidades e estimular autoconfiança e concentração”, explica a professora Ana Caroline Brunazzo, que dá aulas de Artesanato, Musicalização e Pipa. Já foram atendidas 120 pessoas desde o início das atividades no espaço, sendo que só no ano passado foram 90 crianças e jovens.
 

“Caleb é autista de 6 anos e frequenta a oficina de musicalização do projeto PROMAC. No começo ele não entrava sozinho e nem queria permanecer na oficina e quando ficava queria que eu ficasse junto. Durante os primeiros quatro meses da participação do Caleb nas oficinas ele desenvolveu bastante a autonomia, a socialização, as participações nas aulas chegando a dançar e interagir com os amigos. É muito gratificante constatar essa evolução. É um progresso que só traz benefícios para o meu filho. Conseguimos perceber o desenvolvimento do Caleb em 95% entre a participação dele nas oficinas, em conjunto com a escola e as terapias que ele frequenta”, conta Maylene Rocha Silva, mãe do Caleb, que frequenta as aulas de musicalização desde outubro de 2023.
 

Já na parte de esportes, as aulas de Jiu-Jitsu já atenderam 5.040 pessoas desde 2021, quando começaram a ser oferecidas no espaço T21, sendo que no ano passado foram 1500. De acordo com o professor Lucas Passalacqua Godoy Ferreira de Souza, as aulas trazem para os alunos disciplina, respeito, autoconfiança e autodefesa.
 

Além das oficinas, no local também são oferecidas, Psicoterapia, Pet Terapia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Fisioterapiasala de integração sensorial, psicomotricidade e apoio pedagógico, através do Programa Nosso Olhar para o futuro. Desde a criação do espaço, já foram impactados, direta e indiretamente, mais de 3.200 mil pessoas, mas o objetivo é sempre o de expandir cada vez mais. Para isso, a associação também conta com o apoio do PROMAC (Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais), da Prefeitura de São Paulo, e com apoio da Lei Federal do Esporte (para as aulas de Jiu-Jitsu).
 

Como isso interfere na autonomia dessas pessoas durante a fase adulta?
 

“As atividades e terapias oferecidas pela ONG Nosso Olhar contribuem para que as crianças, adolescentes e adultos que são atendidos por nós sejam capazes de construir laços que permitirão encontrar seu lugar no mundo. A eles é oferecido “Nosso olhar” e a “nossa atenção” já que no mundo em geral esses sujeitos se deparam com impaciências, imposturas e imposições que muitas vezes agravam seus desafios que já não são poucos.”, explica a psicóloga e psicanalista Maria Celia Delgado de Carvalho, que faz o acompanhamento com os atendidos pela ONG.
 

“A transformação na vida de cada um que passa pelo nosso espaço é facilmente observada, tanto que recebemos diariamente o feedback dos familiares das nossas crianças e adolescentes, ressaltando a evolução deles com o passar das aulas e das terapias. Acredito que as pessoas com deficiência podem tudo que quiserem, dentro de seus próprios tempos e limites, mas para isso elas precisam ser estimuladas, por isso criei o espaço, para que outros possam ter as mesmas oportunidades que meu filho têm!”, diz Thaissa.
 

Sobre a ONG Nosso Olhar
 

A ONG foi fundada em 2018, em São Paulo, pela publicitária Thaissa Alvarenga, que tem 3 filhos: Chico, Maria Clara e Maria Antonia, sendo que Chico, hoje com 10 anos, nasceu com Síndrome de Down. A Associação tem como principais braços: a educação para incluir, a inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho e na educação. Atualmente, o espaço oferece Psicoterapia, Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia, apoio pedagógico, Musicoterapia, Jiu-jitsu e psicomotricidade, integração sensorial e diversas vivências culturais para pessoas com deficiências. Além disso, a ONG realiza anualmente o Fórum Amigos da Inclusão, que tem como objetivo debater tendências e ideias inovadoras relacionadas a esse público, além de compartilhar experiências, gerando, assim, importantes transformações sociais.

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