Cinco curiosidades sobre a LPF, doença rara que dá aspecto musculoso ao corpo

Subdiagnosticada, a lipodistrofia parcial familiar (LPF) pode comprometer pâncreas, coração e fígado, além de causar questões psicossociais.

Pessoas com doenças raras costumam levar entre sete a dez anos para receber um diagnóstico correto. Esse longo período é causado por vários fatores, incluindo o difícil acesso a especialistas, o tratamento de comorbidades como se fossem a causa principal e o desconhecimento dos profissionais de saúde sobre essas enfermidades. Este é o caso também de pessoas que vivem com lipodistrofia parcial familiar (LPF). Uma das características mais evidentes causadas pela doença é a perda de tecido adiposo na camada subcutânea, causando uma alteração muscular, conhecida como miopatia[1]. “Essa musculatura mais definida é acompanhada por veias salientes, conferindo um aspecto mais masculino às mulheres, o que pode gerar desconforto e importantes questões psicossociais,” explica a endocrinologista, Natália Rossin Guidorizzi.
 

Conheça mais curiosidades sobre a LPF:1,2

  • Falso corpo musculoso: devido à diminuição do tecido adiposo nos membros superiores e inferiores, as pessoas com lipodistrofia parcial familiar (LPF) podem apresentar uma musculatura mais visível comparadas às pessoas sem essa condição, especialmente em alguns tipos;
  • Herança autossômica dominante e recessiva3a LPF pode ser transmitida por herança autossômica dominante ou recessiva. Na herança dominante, uma única cópia do gene alterado é suficiente para a doença se manifestar, resultando em 50% de chance de transmissão se um dos pais a tiver. Na herança recessiva, é necessário herdar duas cópias do gene mutado, uma de cada pai, o que resulta em 25% de chance de manifestar a doença se ambos os pais forem portadores;
  • Início na adolescência4: os primeiros sinais da LPF costumam surgir durante ou após a adolescência. Nesse período, a ação dos hormônios da puberdade resulta em uma distribuição irregular da gordura corporal, especialmente em mulheres, que frequentemente notam uma carência de gordura nos membros e um acúmulo na face, na região cervical (criando um “duplo queixo”), intra-abdominal e acima da clavícula.
  • Impacto social: a musculatura mais aparente e veias saltada em algumas pessoas com LPF, promovem um aspecto de corpo mais masculinizado nas mulheres, afetando profundamente a autoestima e o bem-estar psicológico de que convive com a doença;
  • Múltiplas comorbidades5: as pessoas com LPF além de terem uma perda de tecido adiposo em algumas regiões corporais, também apresentam outras comorbidades, como diabetes, hipertrigliceridemias, síndrome dos ovários policísticos, entre outros. A manifestação desses sintomas pode variar de acordo com a gravidade da doença ou de outros fatores;

Embora a LPF não tenha cura, um diagnóstico precoce, juntamente com um monitoramento cuidadoso das comorbidades e um manejo adequado das alterações metabólicas, pode assegurar uma melhor saúde e aumentar a qualidade e a expectativa de vida dos pacientes. Segundo a médica endocrinologista, apesar de não ser possível tratar a redistribuição da gordura corporal, que muitas vezes causa desconforto, principalmente em mulheres, é viável prevenir as complicações metabólicas mais graves que podem até ser fatais. Ela destaca a importância de uma alimentação adequada e a prática regular de exercícios físicos. “Pacientes com LPF e alterações metabólicas podem se beneficiar significativamente ao adotar um estilo de vida saudável, incluindo uma dieta nutricionalmente equilibrada, com baixo teor de calorias e carboidratos, associada à atividade física aeróbica por pelo menos 150 minutos por semana”, completa a especialista.
 

Para saber mais sobre lipodistrofia familiar parcial, acesse: Link 

Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui o diagnóstico médico. Em caso de dúvidas, procure um especialista.

Referências


1 Bagias C, Xiarchou A, Bargiota A, Tigas S. Familial Partial Lipodystrophy (FPLD): Recent Insights. Diabetes Metab Syndr Obes. 2020;13:1531-1544. Published 2020 May 6. doi:10.2147/DMSO.S206053
2NORD. Familial partial lipodystrophy. Disponível em: https://rarediseases.org/rare-diseases/familial-partial-lipodystrophy/.
3Hussain I, Garg A. Lipodystrophy Syndromes. Endocrinol Metab Clin North Am. 2016;45(4):783-797. doi:10.1016/j.ecl.2016.06.012
4Zammouri J, Vatier C, Capel E, et al. Molecular and Cellular Bases of Lipodystrophy Syndromes. Front Endocrinol (Lausanne). 2022;12:803189. Published 2022 Jan 3. doi:10.3389/fendo.2021.803189
5NATIONAL CENTER FOR ADVANCING TRANSLATIONAL SCIENCES. Familial Partial Lipodystrophy. Genetic and Rare Diseases Information Center. Disponível em: Link.

Compartilhe esta notícia:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Aviso de Direitos Autorais

Todos os direitos sobre os conteúdos publicados em todas as mídias sociais do Diário PcD, incluindo textos, imagens, gráficos, e qualquer outro material, estão reservados e são protegidos pelas leis de direitos autorais.
Todos os Direitos Reservados.
Nenhuma parte das publicações em todas as mídias sociais do Diário PcD devem ser reproduzidas, distribuídas, ou transmitidas de qualquer forma ou por qualquer meio, incluindo fotocópia, gravação, ou outros métodos eletrônicos ou mecânicos, sem a prévia autorização por escrito do titular dos direitos autorais, de acordo com a legislação vigente.
Para solicitações de permissão para usos diversos do material aqui apresentado, entre em contato por meio do e-mail jornalismopcd@gmail.com ou telefone 11.99699 9955.
A infração dos direitos autorais é uma violação de Lei Federal 9.610, passível de sanções civis e criminais.

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore