Pesquisa mostra que inclusão de PCD no mercado convive com avanços e obstáculos

Avanços importantes e velhos desafios literalmente coexistem, quando o assunto é inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, segundo levantamento realizado pelo Coexistir, consultoria especializada em diversidade e inclusão, com 245 visitantes, durante a 19ª Reatech – Feira Internacional de Inclusão, Acessibilidade e Reabilitação, que aconteceu entre os dias 20 e 23 de novembro, em São Paulo.

A pesquisa buscou avaliar dificuldades, oportunidades e perspectivas de inclusão de pessoas com deficiência no ambiente de trabalho. Do total de entrevistados, 55% são mulheres. Dentre os tipos de deficiência dos profissionais, a física é a mais recorrente, e desse total, 93% são cadeirantes seguida por auditiva (27%), intelectual (24%) e visual – baixa visão (11%), transtorno do espectro autista (2%).

Em termos de faixa etária, a maior parte do público entrevistado (30%) tem entre 30 e 40 anos, enquanto 28% têm mais de 50 anos de idade. A maioria (61%) informou possuir o ensino médio completo (39%) seguida por superior completo (22%), e não estudar no momento (70%).

No que se refere à ocupação, 41% são funcionários de empresas privadas, autônomos, funcionários públicos, ou microempreendedores individuais, enquanto 52% estão desempregados.

O segmento do Comércio é o maior empregador dentre os entrevistados (29%), seguido pelo de Serviços (25%) e Indústria (8%). A maioria também se divide entre os cargos operacionais e de produção (31%), seguidos por administrativos (20%), gerência (20%), liderança (12%) e supervisão (2%). A faixa salarial da maior parte dos visitantes consultados (47%) é de até 1 salário-mínimo; 45% ganham entre 2 e 5 salários-mínimos e 8% acima de 5 salários-mínimos.

Um dos aspectos positivos identificados foi o nível de informação a respeito da Lei de Cotas, sobre a qual 79% afirmaram ter conhecimento e pela qual 58% dos que estão trabalhando ingressaram na empresa atual. Dos entrevistados, 49,5% afirmaram estar há mais de 5 anos no mesmo emprego, 30,6% estão há até 5 anos, e 23,5% há até um ano. Para os empregados, também positiva foi a avaliação feita sobre a relação com a chefia imediata e com os colegas, considerada “boa”, respectivamente, por 65% e 66% dos respondentes.

A existência na empresa de uma avaliação periódica do desempenho profissional foi destacada por 58% dos entrevistados, e a maioria (70%) participa de atividades individuais ou em grupo oferecidas pelo local de trabalho. Para 58% dos entrevistados, as empresas fizeram adaptações no ambiente corporativo para atender suas necessidades.

Quanto ao uso de suas habilidades, 25% avaliaram que o trabalho é compatível com o nível de conhecimento, enquanto 6% afirmaram exercer função abaixo e apenas 2% acima de seu nível de qualificação.

Por outro lado, a maioria nunca foi promovida no trabalho (64%). Outro importante ponto de atenção também foi levantado pelos que estão empregados no momento: 63% afirmaram terem se sentido discriminados em alguma ocasião no ambiente de trabalho.

Para Maria de Fátima e Silva, coordenadora do Coexistir, é preciso alinhar as expectativas e necessidades dos profissionais e das empresas, não apenas cumprir cotas. “Eventos como a Reatech atraem um público qualificado, o que nos ajuda a entender melhor como ele pensa, do que precisa e como está vendo esse processo de inclusão no mercado de trabalho, daí a importância de realizar pesquisas durante a feira”, diz a especialista.

No site do Coexistir é possível baixar gratuitamente cartilhas que abordam temas de interesse empresas de todos os segmentos, como o processo de inclusão, empregabilidade, LGPD, atendimento a clientes com deficiência visual e prevenção ao assédio moral no varejo.

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