Colaboração para com a Consulta Pública nº 02/2025 da ANAC

OPINIÃO

  • * Por Alex Garcia

Bom dia ANAC! Em primeiro lugar me apresento:

Sou Alex Garcia – Pessoa Surdocega, com Hidrocefalia e Doença Rara (Osteogêneses Imperfeita Tipo I).

Meu perfil pode ser acessado aqui:

https://www.agapasm.com.br/Artigos/Perfil%20Portugu%C3%AAs.pdf

Estou com quase 49 anos e minha primeira viajem aérea aconteceu no ano de 1997. De lá para cá já estive em meio Brasil e em mais de 30 países.

Buscarei ser breve em minha colaboração que podem ser usadas tanto para a Consulta Pública quanto para a Audiência Pública do dia 13 de março.

Segundo minhas vivencias e saberes observei um “desajuste” conceitual que poderia ser refletido de maneira mais efetiva, vejamos:

Art. 3º Para efeito desta Resolução, o passageiro com necessidade de assistência especial (PNAE) ao serviço de transporte aéreo é entendido como qualquer pessoa que, por alguma condição específica, tenha limitação na sua autonomia ou mobilidade como passageiro e que requeira assistência especial.

Onde observo o desajuste? No final do artigo onde diz:

…tenha limitação na sua autonomia ou mobilidade como passageiro e que requeira assistência especial.   

“Limitação na sua autonomia”. Em tese todas as (PNAE) até mesmo as Pessoas com Deficiência possuem autonomia. O que é a autonomia? Está é a pergunta a se fazer. Autonomia é saber, ter claro o que deseja, o que necessita. Em outras palavras, as (PNAE) sabem o que querem, sabem onde devem chegar.

 Onde está o desajuste? Observo que a ANAC pode estar confundindo os conceitos de autonomia com o conceito de independência.

A autonomia, como descrevi acima, as (PNAE) possuem. O que as (PNAE) não possuem ou possuem de maneira diminuída é a independência.

A independência das (PNAE), em tese, vai se mostrar, vai ser identificada, quando a autonomia da (PNAE) entrar em choque, com as barreiras de acessibilidade que o meio poderá apresentar, em suas distintas esferas (barreiras arquitetônicas, barreiras atitudinais (ações e comportamentos de outras pessoas), barreiras tecnológicas e barreiras de comunicabilidade (comunicabilidade é distinto de comunicação).

Portanto:

A “Assistência especial ao serviço de transporte aéreo” para a (PNAE) se destina a suprir a suas necessidades de independência e não de autonomia.

Mas porque estou apontando estas distinções entre autonomia e independência? Compreender e deixar muito claro estas distinções, é fundamental, à priori, para não subjugar (Dominar-Submeter) qualquer (PNAE).

Se, por ventura, os agentes da “Assistência” diminuírem, fazerem poco caso, com a autonomia da (PNAE), ela se sentirá subjugada (Dominar-Submeter), e isso é um dos piores sentimentos que existe.

Por fim: Eu mesmo sofri no final de fevereiro estes fatores subjugados de minha autonomia em um Aeroporto e Voo da Gol da cidade de Santo Ângelo (RS) para Guarulhos (SP). Incrível! Desde 1997 viajando, muitas vezes individualmente, como Educador e (Dominar-Submeter) que sou, logicamente, desenvolvi meio e maneiras para orientar as pessoas e os meios de assistência que necessito, ou seja, o que mais batalhei para desenvolver foi justamente a minha autonomia, e, naquela noite, no ano de 2024 tudo caiu por terra. Minha avaliação? Eu fui subjugado pelos agentes da “Assistência” por ser uma Pessoa Surdocega, com Hidrocefalia e Doença Rara.

Mesmo assim, voando com a maior tristeza em minha mente e coração, com uma sensação de que tudo o que desenvolvi em minha vida, todos os meus estudos, desenvolvimento e dedicação, caíram por terra, consegui chegar em Guarulhos.

Na volta de Guarulhos para o RS, tudo foi diferente. Sim, fui atendido exemplarmente. Em nenhum momento a minha autonomia foi subjugada. Orientei a todos os agentes de “Assistência”.

Eu fiquei com muito medo de uma próxima viajem saindo de Santo Ângelo. Verdade!

Se a ANAC desejar saber detalhes deste ocorrido basta solicitar!

Outras sugestões para melhorar a “Assistência”:

No site da ANAC (Ou até mesmo das Cias Aéreas) poderia ter um espaço bem claro e acessível com todos os contatos das Cias Aéreas, em especial e-mail e Whatsapp, para que pudéssemos fazer contato com maior efetividade afim de avisar as Cias que estaremos em determinado Voo e vamos nos apresentar 2 horas antes do embarque para modo dos agentes de “Assistência” estarem cientes. 

O contato de e-mail é algo de suma importância visto a grande dificuldade em comunicar com as Cias Aéreas. Além disso e-mail e Whatsapp são meios altamente acessíveis.

ANAC, minha colaboração está feita! Obrigado pela oportunidade e sigo a disposição!

Atenciosamente! Alex Garcia – www.agapasm.com.br

Presidente da AGAPASM – Associação Gaúcha de Pais e Amigos dos Surdocegos e Multideficientes

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