Obras ajudam professores a lidar com desafios comportamentais e ampliar estratégias pedagógicas diante do avanço das matrículas de alunos com deficiência e neurodivergência na escola brasileira
O avanço da Educação Inclusiva no país tem pressionado redes públicas e privadas a repensar a formação dos educadores. Dados do INEP mostram que as matrículas de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na educação básica ultrapassaram 220 mil em 2024, crescimento superior a 100% desde 2018. Ao mesmo tempo, estimativas internacionais indicam que entre 15% e 20% da população é neurodivergente, enquanto o IBGE calcula 18,9 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência. Diante desse cenário, especialistas afirmam que compreender motivação, comportamento e convivência tornou-se parte essencial da prática docente.
A neuropedagoga Mara Duarte, diretora pedagógica da Rhema Neuroeducação, observa que o professor tem buscado literatura qualificada para lidar com a complexidade do cotidiano escolar. “O aumento das matrículas não se resolve apenas com acesso à escola. É preciso que o educador tenha repertório para interpretar comportamentos, apoiar as emoções dos alunos e estruturar intervenções que façam sentido no ritmo e na singularidade de cada criança”, afirma.
Entre as obras mais procuradas por profissionais da área estão livros que articulam motivação, disciplina positiva e estratégias inclusivas, três pilares que sustentam práticas pedagógicas contemporâneas. Um dos destaques é Disciplina Positiva para Crianças com Deficiência, que adapta princípios da abordagem para contextos inclusivos. A obra defende a combinação de firmeza e gentileza, propondo rotinas previsíveis, estímulos adequados e desenvolvimento de autonomia. Para docentes, o livro oferece métodos para lidar com frustrações, ajustar limites e construir pertencimento sem recorrer a punições.
Já Motivação para Ensinar e Aprender: Teoria e Prática reúne fundamentos psicológicos aplicados ao ambiente escolar, detalhando fatores que influenciam o engajamento de alunos com ritmos e perfis distintos. A abordagem dialoga com pesquisas que mostram que a motivação intrínseca aumenta quando o estudante percebe propósito, autonomia e conexão com o professor, elementos decisivos na aprendizagem de crianças neurodivergentes.
Outra referência é Motivação em Sala de Aula: A Energia do Aprender, que utiliza a Teoria da Autodeterminação para explicar como emoções, vínculos e senso de competência interferem na permanência e no desempenho escolar. O livro apresenta estratégias que ajudam professores a despertar o interesse de alunos que enfrentam desafios de atenção, comportamento ou adaptação, reforçando a necessidade de ambientes que favoreçam participação ativa e segurança emocional.
Para Mara Duarte, a presença dessas obras nas pautas de formação continuada reflete uma mudança estrutural no país. “Os professores estão buscando conhecimento que ajude a entender não apenas o conteúdo, mas o aluno em sua totalidade. Quando compreendemos motivação e comportamento, conseguimos construir práticas que aproximam, acolhem e favorecem o desenvolvimento especialmente no caso de estudantes neurodivergentes”, explica.
A especialista avalia ainda que a leitura qualificada impacta diretamente a sala de aula. “Esses livros ampliam o olhar do educador e fortalecem decisões pedagógicas mais consistentes. Na inclusão, pequenas mudanças como reorganizar o ambiente, adaptar instruções ou incorporar interesses da criança podem transformar o aprendizado”, diz.
Diante da expansão da Educação Inclusiva e da demanda crescente por preparo técnico, instituições de formação, como a Rhema Neuroeducação, têm observado aumento no interesse por pós-graduação e especializações em psicopedagogia, neurodesenvolvimento e práticas inclusivas. Segundo Mara, esse movimento revela uma percepção madura da profissão. “A escola precisa de ferramentas atualizadas. Quando o professor investe em formação, ele amplia sua capacidade de garantir participação e desenvolvimento para todos”, conclui.





