Postura calma, com voz firme e afetuosa, poucas palavras e presença segura ajudam a criança a se reorganizar emocionalmente
Crianças com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) enfrentam diariamente desafios no convívio familiar e no ambiente escolar. Dificuldades para manter a atenção, controlar impulsos e regular as próprias emoções podem gerar frustrações constantes e afetar o comportamento, a aprendizagem e a autoestima.
Quando as crises acontecem, o adulto ao redor precisa entender que não se trata de um ato de desobediência intencional, mas de uma dificuldade momentânea de autorregulação interna.
“Em uma crise de desregulação emocional em uma criança com TDAH, os pais, educadores e cuidadores precisam, antes de tudo, regular a si mesmos. Manter uma postura calma, falar com voz firme e afetuosa, usar poucas palavras, oferecer água ou contato físico (se a criança aceitar), afastar pessoas curiosas, levar a um local silencioso, e garantir uma presença segura ajudam a criança a se reorganizar” explica a psicopedagoga Paula Furtado.
Após o episódio, é o momento em que o aprendizado pode acontecer. A abordagem do adulto deve ser respeitosa, ajudando a criança a nomear o que sentiu, compreender o que aconteceu e pensar, junto com ela, em alternativas para situações semelhantes para uma próxima vez.
“Esse processo não deve envolver humilhações, sermões ou culpa excessiva, mas sim escuta, orientação e construção gradual de habilidades emocionais, um caminho que se desenvolve com o tempo”, esclarece Paula.
Sinais de alerta
As crises são sinais de sobrecarga e, quando se tornam frequentes ou muito intensas, passando a afetar a vida escolar, social ou familiar e a gerar sofrimento para a criança e para as pessoas ao seu redor, é importante buscar acompanhamento psicopedagógico, psicológico e, em alguns casos, ajuda médica para uma avaliação mais aprofundada.
Para Paula, a prevenção é sempre mais eficaz do que a intervenção. Algumas estratégias preventivas podem ser incorporadas ao dia a dia para reduzir a frequência dos episódios de desregulação emocional. Por exemplo, a manutenção de rotinas previsíveis, avisos prévios de transição (como “faltam cinco minutos…”), sono adequado, alimentação regulada, redução do tempo de telas, combinações claras e momentos diários de conexão emocional.
Ainda de acordo com a psicopedagoga, que também atua como contadora de histórias, as narrativas, os jogos, desenhos, perguntas simples (como “seu corpo está agitado ou tranquilo?”) e rotinas de conversa emocional são estratégias que pais e educadores podem adotar para ajudar as crianças a nomear suas emoções antes que a crise aconteça.





