Autistas Brasil repudia desinformações e linguagem psicofobica no BBB 2026 e pede debate responsável sobre TEA. Em meio a especulações nas redes e insultos envolvendo termos de saúde mental no reality, Associação reforça: neurodivergência não é rótulo, não se diagnostica pela internet e merece respeito.
A Autistas Brasil, entidade nacional que representa pessoas autistas e luta pela promoção de direitos, manifesta profunda preocupação com a recente circulação de desinformação, rótulos preconceituosos e discursos capazes de reforçar estigmas envolvendo o Transtorno do Espectro Autista (TEA) no contexto do reality show Big Brother Brasil 26 (BBB26).
Nas últimas semanas, parte do público nas redes sociais passou a especular publicamente se a participante Milena teria autismo com base apenas em observações de comportamentos exibidos dentro da casa — algo que a própria equipe da participante desmentiu oficialmente, ressaltando que não existe qualquer diagnóstico confirmado e que este só pode ser feito por profissionais qualificados, em avaliações clínicas apropriadas e individualizadas.
“Diagnóstico não é entretenimento e não pode ser construído a partir de recortes de televisão ou achismos de internet. O autismo é uma condição complexa, que exige avaliação técnica, escuta qualificada e responsabilidade. Quando transformamos isso em especulação pública, desrespeitamos tanto a pessoa envolvida quanto toda a comunidade autista”, afirma Guilherme de Almeida, presidente da Autistas Brasil.
Paralelamente, um episódio que ganhou repercussão foi o uso de termos como “doente mental” e “retardada” por parte de outra participante como forma de ataque — reforçando, mais uma vez, uma visão psicofobia e estigmatizante das condições de saúde mental e neurodivergências no discurso público.
Segundo a Autistas Brasil, essas duas situações não são eventos isolados, mas sintomáticas de um problema mais amplo: em um ambiente de alto consumo midiático e julgamentos rápidos, termos ligados à saúde mental e neurodivergências são transformados em insultos ou simplificações — comprometendo a compreensão real sobre o que é viver com autismo.
“Quando termos ligados à saúde mental viram xingamento, a mensagem que se transmite é de que essas condições são algo vergonhoso ou inferior. Isso reforça estigmas históricos e impacta diretamente pessoas autistas, suas famílias e toda a comunidade neurodivergente. Precisamos romper com essa lógica e assumir um compromisso coletivo com uma linguagem responsável e respeitosa”, destaca Guilherme de Almeida.
Especialistas e organizações têm alertado que essas práticas não apenas prejudicam a percepção pública sobre neurodivergência, como também alimentam um ambiente fértil para desinformação em larga escala — algo que cresce de forma preocupante em redes sociais e plataformas digitais. Pesquisas apontam um aumento exponencial de narrativas errôneas e teorias infundadas sobre autismo no ambiente online, muitas das quais promovem falsas causas ou explicações simplistas, contribuindo para preconceitos arraigados e decisões baseadas em desinformação.
A Autistas Brasil conclama produtores de conteúdo, veículos de comunicação, participantes e público em geral a reforçar a cultura do respeito e da precisão informativa, lembrando que a forma como falamos sobre saúde mental e neurodivergência impacta diretamente a vida de milhões de pessoas e suas famílias. A entidade destaca que o avanço do debate social exige responsabilidade na linguagem e compromisso com a dignidade humana, para além dos microfones de um reality show.
Sobre a Autistas Brasil
Organização nacional fundada e liderada por pessoas autistas, a Autistas Brasil atua na formulação de políticas públicas, na incidência jurídica e no desenvolvimento de programas educacionais em larga escala. Nos últimos três anos, suas ações alcançaram mais de 21 mil educadores em todo o país, consolidando a instituição como referência em inclusão, neurodiversidade e direitos humanos.




