Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Rio de Janeiro – COMDEF-Rio divulga Nota Pública sobre cenas que mostram Prefeito do Rio de Janeiro realizando encenação imitando pessoa com deficiência visual, utilizando bengala e óculos escuros, com gestual caricatural.
O Diário PcD permanece repercutindo – até que o Prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes se manifeste, as manifestações em todo o Brasil das cenas que mostram ele com óculos escuro e uma bengala brincando de ser uma pessoa com deficiência visual. As imagens foram feitas em um dos camarotes da Sapucaí, durante o carnaval e disponibilizadas pelo Diário PcD no YouTube – ao final da matéria.
O prefeito participou no final da manhã de um ato político e anunciou a escolha da advogada Jane Reis para ser candidata a vice em sua chapa na disputa ao Governo do Rio de Janeiro, mas não se manifestou sobre o fato.
Agora, o Diário PcD teve acesso a Nota Pública do COMDEF -Rio, divulgada pelas redes sociais.
Confira a íntegra do comunicado:
“O Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Rio de Janeiro – COMDEF-Rio, no exercício de sua função institucional de zelar pela promoção, proteção e defesa dos direitos das pessoas com deficiência, vem a público manifestar preocupação diante de vídeo amplamente divulgado nas redes sociais, no qual o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, em um camarote onde assistia ao desfile de Carnaval, realiza encenação imitando pessoa com deficiência visual, utilizando bengala e óculos escuros, com gestual caricatural.
Ainda que se trate de um episódio de descontração, tal postura não é aceitável e, sobretudo, incompatível com o cargo. Ao imitar uma pessoa com deficiência visual desta forma, trata-se de um flagrante caso de capacitismo recreativo – a representação da deficiência como recurso cômico, que reforça estereótipos historicamente associados à inferiorização, à ridicularização das pessoas com deficiência. Justamente por ser caricatural, não condiz com a realidade das pessoas com deficiência visual e ainda perpetua, pela importância e influência da cadeira ocupada por Eduardo Paes, estereótipos negativos.
Deficiência não é e nem deve ser considerada fantasia, personagem ou adereço. Por isto mesmo, abandonou-se a expressão “portador de deficiência”. Trata-se de condição humana que integra a diversidade da sociedade e deve ser tratada com o mesmo respeito, dignidade e responsabilidade.
Cabe destacar que a encenação realizada não representa a realidade das pessoas com deficiência visual. O próprio COMDEF-Rio, responsável por acompanhar e fiscalizar as políticas públicas voltadas ao tema, é presidido por uma mulher cega, a psicóloga Cynthia Freitas, representante da Associação de Deficientes Visuais do Estado do Rio de Janeiro (ADVERJ), que atualmente cumpre seu terceiro mandato, demonstrando a plena capacidade e o protagonismo das pessoas com deficiência nos espaços institucionais”
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