EDITORIAL DIÁRIO PcD
É hora de decisão. Antes de perguntar em quem os outros vão votar, pessoas com deficiência e toda a sociedade precisam fazer uma enquete consigo mesmas: o que espero dos próximos representantes do Brasil?

A cada eleição, pesquisas de intenção de voto ganham manchetes, candidatos disputam espaço, redes sociais são tomadas por opiniões e as campanhas tentam conquistar a atenção do eleitor.
Mas existe uma pesquisa que nenhuma empresa consegue fazer por nós. É a enquete que cada eleitor precisa realizar consigo mesmo.
E ela começa com uma pergunta simples: O que eu espero de quem receberá o meu voto?
O Diário PcD fez esse teste e anunciou a realização de uma enquete pelas suas redes sociais. Mas na verdade a ideia foi fazer o alerta e mostrar que a ENQUETE mais verdadeira é aquela feita consigo mesmo.
As Eleições Gerais de 2026 acontecem em 4 de outubro, quando os brasileiros escolherão presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital. Um eventual segundo turno será realizado em 25 de outubro.
São seis escolhas. Seis oportunidades de participar da construção dos próximos anos do país.
E, para as pessoas com deficiência, talvez seja ainda mais importante compreender que não existe apenas um voto para decidir o futuro da pauta da deficiência.
A acessibilidade, a saúde, a educação inclusiva, a reabilitação, o transporte, a assistência social, o emprego, a renda, a tecnologia assistiva, a avaliação biopsicossocial e tantos outros temas dependem de decisões tomadas em diferentes níveis e Poderes.
Por isso, antes de apertar qualquer número na urna, vale fazer uma verdadeira enquete consigo mesmo.
Pergunte a você mesmo: eu conheço as propostas desse candidato? Sei o que ele já fez ou defendeu? Ele conhece a realidade das pessoas com deficiência ou apenas aparece durante a campanha?
Falou sobre acessibilidade? Falou sobre educação inclusiva e apoio às famílias?
Apresentou propostas para saúde, reabilitação e diagnóstico? Tem compromisso com emprego, qualificação profissional e renda?
Falou sobre transporte acessível e mobilidade? Conhece a realidade de quem depende do BPC?
Defende políticas públicas permanentes ou apenas promessas de campanha?
E há uma pergunta talvez ainda mais importante: depois que eu votar, vou continuar acompanhando esse político? Porque democracia não termina quando a urna registra o voto.
O voto é o início de uma responsabilidade. Não terceirize sua escolha. É muito fácil perguntar: Em quem você vai votar?
Mais difícil é perguntar: Por que eu vou votar nessa pessoa?
É aí que está a verdadeira enquete.
Não importa apenas quantos pontos um candidato aparece em uma pesquisa. Não importa apenas quantos seguidores possui, quantos vídeos viralizaram ou quantas pessoas dizem que vão votar nele.
O seu voto é pessoal. E a decisão precisa ser construída a partir das informações que cada eleitor considera relevantes.
Para a pessoa com deficiência, isso significa avaliar para além do discurso genérico sobre inclusão.
É preciso perguntar: o que esse candidato entende por inclusão? Que políticas pretende defender? De onde virão os recursos? Quais metas pretende estabelecer? Como pretende transformar promessa em política pública?
O alerta de Bertolt Brecht
Existe uma frase frequentemente atribuída ao dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht que se tornou conhecida como o texto sobre o “analfabeto político”.
Ela diz, em síntese, que o pior analfabetismo seria o político: aquele que não se interessa pela política e não percebe que decisões políticas influenciam sua própria vida.
Independentemente das diferentes versões que circulam dessa citação, a ideia permanece extremamente atual: não se interessar pela política não significa ficar fora dela.
As decisões políticas continuam chegando à nossa porta. Elas aparecem no preço dos medicamentos, na qualidade do transporte, na escola dos nossos filhos, no atendimento de saúde, no acesso ao BPC, na existência — ou ausência — de uma calçada acessível, na disponibilidade de profissionais de reabilitação e nas oportunidades de trabalho.
Por isso, não participar da discussão política não elimina seus efeitos sobre a nossa vida. Para as pessoas com deficiência, a escolha tem consequências concretas
Em 2026, o eleitorado brasileiro terá a oportunidade de escolher representantes para diferentes funções.
Isso significa que a pergunta não deve ser simplesmente: Quem é meu candidato?
Talvez seja mais útil perguntar: para qual função estou escolhendo essa pessoa?”
E depois: O que essa função permite que ela faça pela sociedade — e especificamente pelas pessoas com deficiência?
É uma diferença enorme. Porque votar não deveria ser apenas escolher um nome.
É escolher quem receberá uma parcela do poder de decidir os rumos do país, do Estado e do Legislativo.
A hora da decisão está chegando O primeiro turno será em 4 de outubro.
Ainda há tempo para pesquisar, comparar propostas, conhecer trajetórias, verificar declarações, observar compromissos e conversar.
Mas a decisão não pode ficar para a última hora. A urna não pergunta se você assistiu à propaganda. Não pergunta quantos seguidores o candidato tem. Não pergunta se sua família votará nele. Ela simplesmente registra a sua escolha.E é justamente por isso que a decisão precisa ser sua.
Faça hoje a sua própria enquete. Pegue uma folha de papel.
Escreva os seis cargos. Pesquise os candidatos.
Anote o que cada um apresenta. Compare aquilo que é importante para você.
E, principalmente, pergunte: quem está pedindo meu voto sabe o que significa viver com deficiência no Brasil?
Se a resposta não estiver clara, continue pesquisando.
Não entregue seu voto por amizade. Não entregue por pressão. Não entregue porque alguém mandou.
Não entregue porque uma pesquisa apontou determinado resultado. Vote de acordo com a sua consciência e com as informações que você considerar relevantes.
Porque a verdadeira pesquisa eleitoral talvez seja aquela que ninguém publica. É aquela que acontece dentro de cada eleitor.
Eleições 2026: a hora da decisão está chegando. Pense. Pesquise. Questione. Escolha.
Diário PcD — informação para que a cidadania também seja acessível.





