Unesp ganha centro de pesquisa voltado para a inclusão educacional e laboral das pessoas com deficiência

Unesp ganha centro de pesquisa voltado para a inclusão educacional e laboral das pessoas com deficiência

Com sede em Presidente Prudente, Centro de Ciência para o Desenvolvimento do Ecossistema Educacional e Laboral Digital, Inclusivo e Acessível no Estado de São Paulo vai utilizar tecnologias digitais para atuar em prol da inclusão das pessoas com deficiência

Um centro de pesquisas voltado a apoiar a educação superior de pessoas com deficiência e a inserção delas no mundo de trabalho, atuando na redução das barreiras de acessibilidade que hoje travam a inclusão social deste público. É este o eixo central do novo Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) sob coordenação da Unesp.

Com sede no câmpus de Presidente Prudente, o Centro de Ciência para o Desenvolvimento do Ecossistema Educacional e Laboral Digital, Inclusivo e Acessível no Estado de São Paulo (CEELDIA-SP) foi contemplado na última chamada do programa, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com um investimento de R$ 3,5 milhões a serem desembolsados nos próximos cinco anos. O pesquisador principal é o professor Klaus Schlünzen Junior, da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT).

O docente, que estuda a temática há quase duas décadas no âmbito de um centro para promoção da inclusão digital no câmpus de Presidente Prudente, vai coordenar um time de 29 pesquisadores de instituições nacionais e internacionais. Baseado em uma abordagem focada nas tecnologias digitais, o novo centro é em parceria com a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), que tem foco nas formações a distância.

Os CCDs financiados pela Fapesp são pensados para fazer uma ponte das universidades, e outras instituições de pesquisa, com órgãos públicos e entidades da sociedade civil com vistas ao desenvolvimento de soluções para problemas sociais, baseadas no conhecimento científico. No caso do novo CCD com sede na Unesp, as barreiras impostas às pessoas com deficiência ao longo da juventude e da vida adulta são bastante conhecidas e estão dimensionadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE, há diferenças significativas quanto à taxa de escolarização entre as pessoas com e sem deficiência. Os percentuais de homens e mulheres com deficiência de 25 anos ou mais de idade que completaram a educação básica obrigatória ficam em 24,4% e 26,5%, respectivamente, menos da metade dos índices de homens (54,4%) e mulheres (60,1%) sem deficiência e nessa faixa etária que completaram a escolarização básica.

Em relação ao mercado, a PNAD contínua indica que as pessoas com deficiência se inserem menos na força de trabalho do país e, quando estão inseridas de alguma forma, apresentam taxa de informalidade superior à das pessoas sem deficiência, independentemente de cor ou raça. Segundo o último Censo populacional, o número de pessoas com deficiência na Região Sudeste é de 8,2% do grupo com 2 anos ou mais de idade. No estado de São Paulo, são cerca de 3,5 milhões de pessoas nesta condição.

“A ideia do CCD é criar um ecossistema inclusivo e acessível, que estamos chamando de ecossistema educacional e laboral, baseado nas tecnologias digitais. Embora tenhamos uma lei que nos dá diretrizes para que as pessoas com deficiência tenham acesso aos ambientes digitais, isso não acontece na prática”, diz o pesquisador Klaus Schlünzen Junior, que também atua na coordenação do Programa de Mestrado Profissional em Educação Inclusiva em Rede Nacional (Profei), iniciativa voltada à formação continuada de professores da educação básica pública na perspectiva da educação inclusiva.

A equipe de pesquisadores é essencialmente multidisciplinar. Além da Unesp, a rede de pesquisa é formada por especialistas ligados a instituições como USP, Unicamp, Unoeste, Universidade de Castilla-La Mancha (Espanha) e Instituto Tecnológico da Costa Rica, entre outras.

“Vamos aliar a expertise deste grupo de pesquisadores que trabalha com educação inclusiva e formação de pessoas com deficiência à proposta das universidades de formar profissionais dentro da perspectiva de uma sociedade inclusiva, considerando a questão de inclusão da pessoa com deficiência no mundo do trabalho”, afirma o docente da Unesp.

Segundo Klaus Schlünzen Junior, o novo CCD pretende trabalhar tanto no desenvolvimento de soluções práticas, com base em uma infraestrutura digital que permita a inclusão, a permanência e a efetiva participação das pessoas com deficiência na vida economicamente ativa, como no monitoramento da trajetória desse grupo, da formação ao mundo do trabalho.

“O centro prevê também a elaboração de documentos norteadores de políticas públicas para fazer com que a sociedade possa compreender melhor as questões envolvidas”, afirma o docente da Unesp.

Fonte: Assessoria de Comunicação e Imprensa da UNESP

CRÉDITO/IMAGEM: Crédito: Alice Martin/CPIDES FCT-Unesp

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