Recursos arrecadados com edição que aconteceu no último domingo permitiram a aquisição de cadeiras de rodas e órtese para assistidos do instituto; prova em 2027 terá edição noturna
A chuva que caiu no último domingo não foi suficiente para diminuir a disposição de quem decidiu correr por uma causa maior. A 4ª Corrida Pernas da Alegria alcançou seu principal objetivo: a meta de arrecadação foi atingida e 13 assistidos foram beneficiados com cadeiras de rodas e órtese adequadas às suas necessidades.
Mais do que uma conquista financeira, o resultado representa novas possibilidades de mobilidade, autonomia, conforto e qualidade de vida para crianças, adolescentes e adultos acompanhados pelo Instituto Pernas da Alegria.
Atualmente, o instituto atende mais de 250 pessoas com deficiência e outras necessidades, além de desenvolver um trabalho próximo às famílias. A corrida é uma das principais iniciativas realizadas para arrecadar recursos e, ao mesmo tempo, levar a discussão sobre inclusão para as ruas. “Cada pessoa que esteve conosco ajudou a tornar essas conquistas possíveis. Quando falamos que a Corrida Pernas da Alegria é muito mais do que uma prova, é exatamente isso. O resultado chegou à vida de famílias com equipamentos que significam conforto, independência, mobilidade e novas possibilidades”, destaca Lilica Amâncio, que está à frente do Pernas da Alegria.
Este ano, a corrida teve o tema “Florescer” e aconteceu na região da Fidam, com diferentes opções de percurso: corrida de 5 km e 10 km, caminhada de 5 km e percurso de 5 km para PCDs em triciclos.
13 histórias que ganham novos caminhos
Para o Pernas da Alegria, o propósito da corrida continua mesmo após o último participante cruzar a linha de chegada, já que os recursos arrecadados ajudam a transformar necessidades reais dos assistidos em conquistas que impactam diretamente sua rotina e a de suas famílias.
Segundo Lilica, no Instituto há assistidos que ainda não possuem uma cadeira adequada às suas necessidades, enquanto outros utilizam equipamentos antigos, desgastados ou que já não oferecem o suporte necessário. No caso das crianças e adolescentes, existe ainda uma questão inevitável: eles crescem e, com o passar dos anos, uma cadeira que antes atendia às suas necessidades pode se tornar pequena, desconfortável e inadequada para o posicionamento do corpo.
“Eu sempre digo que eles são os nossos príncipes e princesas e, como todo príncipe e toda princesa, merecem ter suas carruagens especiais. Uma cadeira adequada não é luxo. É o que pode dar mais mobilidade, conforto e liberdade e também mais segurança e tranquilidade para a família”, destaca Lilica,.
A edição deste ano ajudou a mudar a vida de 13 famílias, entre elas de Adrian, de Santa Bárbara d’Oeste, que nasceu com paralisia e utilizava uma cadeira antiga doada pelo próprio Instituto. Já Guilherme, morador de Americana, que tem paralisia cerebral, também recebeu uma nova cadeira, já que a anterior não atendia adequadamente ao seu tamanho e necessidades.
Para Vitor, de Sorocaba, a conquista teve um significado ainda mais especial. Ele apresenta atrofia e escoliose acentuada e nunca teve uma cadeira de rodas própria. Já Mari Chagas recebeu uma cadeira de rodas em alumínio, mais leve e adequada para que possa conduzi-la com maior independência.
A lista de beneficiados inclui, também, Gabriel, de Santa Bárbara d’Oeste, cuja cadeira já tinha aproximadamente cinco anos e se tornou pequena; Davi, que tem síndrome de Duchenne e necessitava de uma cadeira devido à perda de força nos braços e mãos; Wagner, que é não verbal e tem paralisia cerebral e cuja cadeira já não apresentava condições adequadas de uso; e Antony, morador da região do Monte Verde, que não anda, não fala, alimenta-se por sonda e não possuía cadeira.
Também foram contemplados Wallace, de Itu; Eduarda, moradora do Jardim da Paz; e Larissa, de 10 anos, que tem paralisia e precisou substituir a cadeira utilizada há cerca de cinco anos, hoje pequena para seu corpo. Já Jhonatam, do Zanaga, foi beneficiado com uma órtese.
Outra aquisição importante foi destinada a Jovane, que há 12 anos perdeu os movimentos das pernas e dos braços após um acidente. Mesmo diante das limitações, ele trabalha com som e utilizava uma estrutura adaptada para transportar seus equipamentos. “Estamos muito felizes e gratos por poder ajudar tantas famílias. São necessidades diferentes, mas que revelam algo em comum: um equipamento adequado não é um detalhe. Pode significar postura, segurança, prevenção de complicações, participação social e maior autonomia no dia a dia”, afirma Lilica.
Uma conquista construída por muitas mãos
Para o Instituto, o resultado da corrida também pertence à rede de pessoas e empresas que torna o trabalho possível. Além dos participantes que estiveram presentes no domingo, a entidade destaca a importância dos patrocinadores, apoiadores, parceiros, assessorias esportivas e voluntários envolvidos na organização, que ajudaram a transformar a quarta edição em uma grande corrente de solidariedade.
Além da corrida, o Pernas da Alegria realiza ao longo do ano iniciativas voltadas à inclusão, lazer e convivência, como os projetos Praia Inclusiva e a Carreta Inclusiva de Natal, além de participar de corridas, caminhadas, eventos e ações sociais em Americana e em outras cidades da região.
2027 já está no horizonte e terá edição noturna
Mal terminou a quarta edição e Lilica conta que o Instituto já começou a planejar o próximo capítulo da Corrida Pernas da Alegria. Segundo ela, a 5ª edição da Corrida Pernas da Alegria acontecerá em setembro de 2027 e, pela primeira vez, será realizada à noite.
A programação inicial prevê provas de 5 km e 10 km, e os preparativos para a nova edição já começam a ganhar forma junto aos parceiros envolvidos. Depois de quatro edições, a proposta é transformar o quinto ano em uma celebração ainda maior da inclusão e da trajetória construída pelo Instituto.
Mais informações sobre o Pernas da Alegria podem ser obtidas no telefone (19) 99594-5787 ou nas redes sociais [@pernasdalegria].
CRÉDITO/IMAGEM: Tiago-Prado







