Brasil ganha plataforma gratuita de formação para apoiar pessoas autistas

Brasil ganha plataforma gratuita de formação para apoiar pessoas autistas

Iniciativa adapta ao português 28 formações desenvolvidas a partir de pesquisas da Universidade da Carolina do Norte e mira professores, profissionais de saúde e famílias

Professores, profissionais de saúde e famílias brasileiras passam a ter acesso gratuito, em português, a 28 cursos sobre práticas baseadas em evidências voltadas a pessoas autistas do nascimento aos 22 anos.

A iniciativa faz parte da AFIRM Brasil, versão brasileira da AFIRM (Recursos e Módulos de Intervenção Focados no Autismo), idealizada pelo Instituto de Desenvolvimento Infantil Frank Porter Graham (FPG), da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill (UNC), nos Estados Unidos.

A proposta é reduzir a distância entre o conhecimento produzido pela ciência e aquilo que chega, na prática, às escolas, clínicas e famílias.

Os conteúdos são destinados a professores, equipes de Atendimento Educacional Especializado (AEE), profissionais de saúde, terapeutas e familiares e podem ser acessados gratuitamente, sem exigência de formação prévia na área.

“Produzir evidência científica é apenas uma parte do caminho. O desafio seguinte é fazer esse conhecimento chegar a quem está na escola, na clínica ou dentro de casa e precisa tomar decisões todos os dias. Quando esse conteúdo fica restrito ao ambiente acadêmico ou não está disponível em português, criamos uma barreira justamente para quem poderia utilizá-lo na prática”, afirma Lucelmo Lacerda, PhD, pesquisador brasileiro e pesquisador visitante no Frank Porter Graham Child Development Institute.

Da universidade para escolas e famílias

Os 28 cursos abordam diferentes práticas e estratégias de apoio a pessoas autistas. Entre os conteúdos disponíveis estão intervenção baseada em antecedentes e reforço diferencial, ambas fundamentadas na Análise do Comportamento Aplicada (ABA), além de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), Integração Sensorial de Ayres (ASI), estratégias cognitivo-comportamentais e suportes visuais.

Os cursos também contemplam temas relacionados à comunicação, comportamento, autonomia, convivência e inclusão. Os módulos não se limitam à apresentação conceitual das práticas.

A plataforma reúne vídeos, atividades, exemplos e materiais para download, como formulários, planos de intervenção e instrumentos de registro, com o objetivo de apoiar a implementação e o acompanhamento das estratégias no cotidiano.

A AFIRM Brasil parte do princípio de que não existe uma única intervenção adequada para todas as pessoas autistas.

Por isso, a plataforma também conta com a ferramenta “Selecionando uma PBE”, que auxilia o usuário na identificação de práticas baseadas em evidências considerando fatores como a idade e a habilidade ou necessidade que se pretende trabalhar.

“Quando falamos em autismo, não podemos partir da ideia de que existe uma única estratégia que funciona para todas as pessoas. As necessidades são diferentes e mudam ao longo da vida.

A proposta é oferecer conhecimento para que famílias e profissionais entendam quais práticas possuem respaldo científico e possam avaliar, de maneira individualizada, o que faz sentido em cada contexto”, explica Lacerda.

Conteúdo internacional adaptado à realidade brasileira

A versão brasileira vai além da tradução dos materiais originalmente desenvolvidos nos Estados Unidos. O trabalho envolve a adaptação dos conteúdos ao contexto nacional, buscando torná-los acessíveis e aplicáveis à realidade de profissionais, educadores e famílias no país.

A expansão para o Brasil é resultado de um ano de trabalho de Lucelmo Lacerda como pesquisador visitante na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill.

Durante esse período, o pesquisador atuou na adaptação cultural dos materiais e na disseminação de práticas baseadas em evidências no país, em colaboração com pesquisadores do instituto. Um dos focos é o ambiente escolar.

Com a ampliação da presença de estudantes autistas na educação brasileira, professores e equipes de apoio assumem papel central no processo de inclusão. O acesso a ferramentas que ajudem a compreender e implementar práticas respaldadas por pesquisas pode apoiar decisões relacionadas à comunicação, aprendizagem, comportamento, participação e autonomia dos alunos.

“Não basta garantir que a pessoa autista esteja dentro da escola. Inclusão pressupõe participação, aprendizagem e acesso aos apoios de que cada estudante necessita. Para isso, também precisamos dar condições aos professores e demais profissionais. Democratizar o acesso a práticas baseadas em evidências é uma forma de colocar conhecimento científico nas mãos de quem está diretamente envolvido nesse processo”, diz o pesquisador.

Formação é aberta e gratuita

Os conteúdos podem ser realizados on-line e gratuitamente. Ao criar uma conta, o usuário consegue acompanhar o progresso nos módulos e, após concluir as etapas e os questionários previstos, obter certificado de conclusão igualmente gratuito.

A abrangência do conteúdo, do nascimento aos 22 anos, também permite acompanhar diferentes momentos do desenvolvimento. A plataforma reúne práticas relacionadas a necessidades que podem surgir desde os primeiros anos de vida até questões ligadas à adolescência e à transição para a vida adulta.

A iniciativa busca, assim, ampliar não apenas o acesso a informações sobre autismo, mas principalmente o acesso a saberes que passaram por processos de avaliação científica e podem orientar profissionais e famílias na escolha e aplicação de estratégias.

“O objetivo não é dizer às famílias ou aos profissionais o que fazer em cada situação, mas ampliar o acesso ao conhecimento para que essas decisões sejam cada vez mais informadas por evidências. Se queremos que a ciência produza impacto social, ela precisa sair dos artigos científicos e chegar às pessoas de forma compreensível, gratuita e aplicável”, declara Lacerda.

Lançamento será em 8 de outubro

O lançamento oficial da AFIRM Brasil será realizado no dia 8 de outubro, no Congresso Nacional de Educação, em Campina Grande (PB), marcando a chegada ao país da versão em português da iniciativa desenvolvida a partir das pesquisas da Universidade da Carolina do Norte.

A partir da data, os 28 cursos estarão disponíveis gratuitamente para professores, profissionais de saúde, terapeutas, familiares e demais interessados.

Sobre a AFIRM Brasil

A AFIRM Brasil é a adaptação brasileira da AFIRM (Recursos e Módulos de Intervenção Focados no Autismo), desenvolvida pelo Instituto de Desenvolvimento Infantil Frank Porter Graham, da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill.

A iniciativa disponibiliza gratuitamente, em português, 28 cursos sobre práticas baseadas em evidências para pessoas autistas do nascimento aos 22 anos, destinados a profissionais, educadores e familiares.

Site: https://afirmbrasil.com.br/

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