Ter deficiência custa caro no mercado de trabalho: menos acesso e menor salário

Ter deficiência custa caro no mercado de trabalho: menos acesso e menor salário

Dados recentes do IBGE mostram que desigualdade continua mesmo depois da contratação; especialista em acessibilidade alerta para barreiras que comprometem permanência e crescimento profissional

A desigualdade enfrentada pelas pessoas com deficiência no mercado de trabalho brasileiro não termina na contratação. Dados divulgados recentemente pelo IBGE mostram que apenas 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam ocupadas no país em 2022, enquanto entre as pessoas sem deficiência esse percentual chegava a 55,8%. A diferença é de 26,8 pontos percentuais.

O levantamento faz parte da segunda edição do informativo Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil, publicado pelo IBGE em setembro de 2026 a partir de dados do Censo 2022 e de outras bases oficiais. O estudo reúne indicadores relacionados ao mercado de trabalho, renda, educação, transporte, moradia e participação social.

A desigualdade aparece também na remuneração. Segundo os dados apresentados no estudo, o rendimento médio real mensal do trabalho principal das pessoas com deficiência era de R$ 1.860, enquanto entre as pessoas sem deficiência chegava a R$ 2.690. Entre as mulheres com deficiência, a média era ainda menor: R$ 1.553.

O recorte por gênero também evidencia uma diferença importante no acesso ao trabalho: 35,4% dos homens com deficiência estavam ocupados, contra 24,4% das mulheres.

Para Tatiana Moura, fundadora da CAVI Acessibilidade, os números ajudam a demonstrar que a inclusão profissional não pode ser medida apenas pela abertura de vagas. “Contratar é uma parte do processo. A inclusão só acontece de fato quando a pessoa consegue entrar no ambiente de trabalho, circular, realizar suas atividades com autonomia, participar das equipes e ter oportunidades reais de desenvolvimento”, afirma.

A inserção profissional depende de uma cadeia de fatores que inclui acesso à educação e qualificação, mobilidade urbana, processos seletivos acessíveis, infraestrutura adequada, tecnologias assistivas e uma cultura organizacional preparada para lidar com a diversidade.

Na prática, uma empresa pode cumprir formalmente uma política de contratação e, ainda assim, manter barreiras que dificultem a permanência do profissional. Um prédio sem rota acessível, um banheiro inadequado, sistemas incompatíveis com leitores de tela, ausência de sinalização ou equipes despreparadas são exemplos de obstáculos que podem continuar presentes mesmo depois da assinatura do contrato.

Há ainda barreiras menos visíveis. Quando profissionais com deficiência são direcionados automaticamente para funções de menor responsabilidade, têm menos oportunidades de promoção ou não recebem as condições necessárias para desenvolver suas competências, a inclusão se torna apenas formal. “É preciso sair da lógica de perguntar o que uma pessoa com deficiência não consegue fazer e começar a perguntar quais condições precisam existir para que ela possa exercer plenamente seu trabalho”, afirma Tatiana.

Sediada em Curitiba e com atuação em diferentes estados brasileiros, a CAVI Acessibilidade trabalha com acessibilidade arquitetônica e atitudinal, realizando consultorias, levantamentos e laudos técnicos, projetos, adequações, instalação de produtos, treinamentos e palestras para empresas e instituições.

A empresa defende que a acessibilidade seja pensada como parte da gestão e da cultura das organizações, e não apenas como uma intervenção pontual. A Lei Brasileira de Inclusão estabelece o direito das pessoas com deficiência ao trabalho em ambiente acessível e inclusivo, em igualdade de oportunidades, além de prever adaptações razoáveis e recursos de tecnologia assistiva quando necessários.

Para Tatiana, os dados do IBGE revelam uma desigualdade que precisa ser observada em várias etapas.“Uma sociedade mais acessível amplia as possibilidades de formação, deslocamento,  contratação, permanência e crescimento profissional. A inclusão não começa quando o currículo chega ao RH e não termina quando o contrato é assinado. Ela precisa acompanhar toda a trajetória da pessoa dentro da organização.”

Sobre a CAVI Acessibilidade

Sediada em Curitiba, a CAVI Acessibilidade é especializada em soluções de acessibilidade arquitetônica e atitudinal e atende clientes no Paraná e em outros estados brasileiros. Atua com consultoria, projetos, laudos técnicos, levantamentos para adequação, produtos, instalação, treinamentos e palestras, acompanhando projetos desde a identificação das barreiras até a implementação das soluções. A empresa possui metodologia própria e equipe multidisciplinar e parte do princípio de que pessoas com deficiência integram a diversidade humana e devem ter asseguradas condições de autonomia, participação e inclusão.

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