Morador de residência inclusiva em Santos/SP comemora independência: já fui a SP sozinho

Residência Inclusiva – é exatamente isso que uma casa térrea e arejada, na Rua Nabuco Araújo, na Aparecida, em Santos – litoral paulista, representa para seus atuais moradores.

Eles fazem parte do serviço da Secretaria de Desenvolvimento Social da Prefeitura local, que visa à capacitação de pessoas com deficiência e dificuldade para se autogerir.

O objetivo é que elas desenvolvam habilidades nas tarefas diárias, tenham mais autonomia e possam levar uma vida mais independente.

O imóvel amplo tem capacidade para receber até dez pessoas com idade entre 30 e 59 anos, que necessitem de acolhimento institucional e estejam em situação de vulnerabilidade social. Mas, no momento, atende metade devido à baixa demanda. São cinco quartos bem equipados, cozinha, banheiros e toda infraestrutura para que os acolhidos possam morar e se desenvolver.

Eles têm equipes de cuidadores, contam ainda com psicólogo, terapeuta ocupacional e assistente social.

“A gente recebe pessoas que não tinham autonomia de localização espacial. Não conseguiam sair sozinhas, por exemplo, nem autonomia de cuidados com higiene própria ou para gerir o próprio dinheiro. Então a gente trabalha tudo isso, com a perspectiva de que, caso tenham família e consigam retornar para elas, tenham mais autonomia”, explica o psicólogo Anderson Camacho.

Foi assim que Edson da Silva, 43 anos, voltou a se sentir “gente”, como ele mesmo fez questão de frisar. Após descobrir que tinha distrofia muscular, perdeu os movimentos das pernas. Trabalhava como ajudante geral. Ficou sem emprego e renda, passando a morar em um quarto cedido por um parente no Morro da Nova Cintra e depois na Vila Progresso, na baixada santista. 

“Falei com a assistente social. Disse que não estava sendo maltratado. Não passava fome. Mas fiquei seis anos sem sair de casa, só sentado na cama, porque não tinha como subir e nem descer o morro”.

Há oito anos conheceu a Residência Inclusiva e sua vida se transformou. Com espaço para se movimentar, aprendeu a utilizar a cadeira de rodas e não parou mais. Por iniciativa própria, foi atrás de um benefício assistencial do Governo Federal e conseguiu. Cuida das finanças e dos passeios. Já fez até trilha, coisa impensável enquanto vivia fechado em seu quartinho no morro.

“Aqui consigo ir ao mercado, ao médico e visitar meus filhos. Já fui até São Paulo sozinho. É muito bom. Foi uma nova vida. Voltei a me sentir gente”, diz Edson.

Marcílio Garcia Ramos mora no local desde muito jovem. Tem deficiência intelectual e problema de locomoção. Foi levado pela mãe para aprender a ter mais autonomia. Após a morte dela, aos 14 anos adotou a unidade como moradia definitiva antes de se tornar Residência Inclusiva. Agora, aos 54 anos, e por conta da longevidade na casa, o local se transformou em sua moradia e em definitivo. Ao ser perguntado, Marcílio concorda. Ali é o seu lar. 

Convivência

A ideia é que eles vivam como uma república, cuidem das suas tarefas, porém dividam o espaço e a convivência. “Convivência comunitária é um dos pressupostos do serviço, porque, a maior parte dessas pessoas, por conta de suas deficiências, acaba isolada, marginalizada da sociedade. Tinha gente que mesmo morando aqui nunca tinha ido à praia. E elas precisam estar em desenvolvimento social para também desenvolverem suas habilidades sociais”, diz o psicólogo Camacho.

Outra Unidade Santos conta ainda com outra Residência Inclusiva, no Marapé, destinada a jovens entre 18 e 29 anos. Também com capacidade para dez pessoas de ambos os sexos. 

Os serviços básicos municipais como o Centro de Referência da Assistência Social (Cras) e as Unidades Básicas de Saúde (UBS) são a porta de entrada para o encaminhamento à Residência Inclusiva.

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