Autismo e inclusão: Um compromisso coletivo com a dignidade

Autismo e inclusão: Um compromisso coletivo com a dignidade - OPINIÃO - * Por Wolf Kos

OPINIÃO

  • * Por Wolf Kos

O dia 2 de abril marca o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, uma data estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para lançar luz sobre uma condição que, embora cada vez mais diagnosticada, ainda enfrenta barreiras invisíveis de preconceito e exclusão. Dados recentes do Censo 2022, divulgados pelo IBGE em 2025, revelam que o Brasil possui cerca de 2,4 milhões (ou 1,2%) de pessoas diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Não é apenas uma estatística: são vidas, famílias e cidadãos que demandam respeito, políticas públicas eficazes e, acima de tudo, o direito pleno à convivência social.

A socialização é o pilar fundamental para o desenvolvimento de qualquer indivíduo, e para as pessoas com TEA, ela é a chave para a autonomia. No entanto, a inclusão não pode ser vista como um ato de benevolência ou um “favor” da sociedade. Ela é um direito garantido por lei e um dever coletivo. Precisamos de um engajamento real que envolva desde o cidadão comum até as mais altas esferas do poder político.

Nesse contexto, o papel do poder público é essencial. É preciso investir em diagnóstico precoce, capacitação de profissionais, políticas educacionais inclusivas e programas que promovam a participação ativa das pessoas com autismo na vida social. Mas essa responsabilidade não pode ser exclusiva do Estado. Empresas, instituições e cada cidadão também têm um papel importante nesse processo.

No Instituto Olga Kos, acreditamos que a cultura e o esporte são as ferramentas mais potentes para romper o isolamento. Por meio de nossas oficinas de artes e práticas esportivas, proporcionamos não apenas o desenvolvimento motor e cognitivo, mas um ambiente de troca e pertencimento. Por meio de atividades esportivas, como artes marciais e práticas adaptadas, trabalhamos aspectos fundamentais como disciplina, autoestima e interação social. Da mesma forma, nossos projetos culturais (que envolvem música, artes e literatura) são espaços de liberdade, nos quais cada indivíduo pode se manifestar de forma única, sendo valorizado por aquilo que é.

Neste 2 de abril, meu convite é para que a conscientização se transforme em ação. Que as empresas abram suas portas para a diversidade, que as escolas se preparem para as diferenças e que o poder público priorize a dignidade humana. Que possamos, juntos, transformar informação em atitude, empatia em ação e respeito em prática cotidiana. A inclusão começa quando reconhecemos que todos têm o direito de participar, contribuir e pertencer.

*Wolf Kos é presidente do Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural.

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