Brasil não tem o número de pacientes com glaucoma que ficaram com deficiência visual e até cegos

Brasil não tem o número de pacientes com glaucoma que ficaram com deficiência visual e até cegos

Doença na maioria das vezes, está associada ao aumento da pressão ocular, mas pode ocorrer mesmo com pressão considerada normal

Apesar de ser uma das doenças oculares mais graves e uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo, o Brasil ainda não possui um levantamento oficial que mostre quantas pessoas perderam totalmente a visão por causa do Glaucoma. A ausência de dados específicos expõe uma lacuna nas estatísticas de saúde pública e dificulta dimensionar o impacto real da doença no país.

O problema preocupa médicos e pesquisadores, que alertam para o crescimento silencioso da enfermidade em uma população que envelhece rapidamente. O diagnóstico do glaucoma não depende de um único teste, mas sim de um conjunto de avaliações que funcionam como um quebra-cabeça para o médico. 

Milhões convivem com a doença

Estimativas de especialistas indicam que cerca de 2 milhões de brasileiros vivem com glaucoma, embora grande parte dos casos ainda não tenha sido diagnosticada. A doença atinge o nervo óptico e pode levar à perda progressiva da visão.

O maior desafio está justamente no diagnóstico. Em muitos pacientes, o glaucoma evolui lentamente e sem sintomas perceptíveis nas fases iniciais. Quando a pessoa percebe alterações na visão, o dano ao nervo óptico já pode ser irreversível.

“É uma doença silenciosa. O paciente pode perder parte do campo visual sem perceber”, explica o oftalmologista e pesquisador Paulo Augusto de Arruda Mello, uma das referências brasileiras no estudo do glaucoma.

Cegueira registrada, mas sem causa definida

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que mais de 500 mil brasileiros são cegos. e cerca de 6 milhões apresentam algum grau de deficiência visual. O levantamento, no entanto, não detalha as causas da cegueira.

Entre as doenças que mais provocam perda de visão estão:

  • catarata
  • glaucoma
  • degeneração macular
  • retinopatia diabética

Sem a separação estatística por doença, especialistas afirmam que não é possível saber quantos desses casos foram provocados especificamente pelo glaucoma.

Falta de dados também é reconhecida pelo governo

Documentos técnicos do Ministério da Saúde já apontaram a escassez de estudos epidemiológicos nacionais sobre glaucoma. A maioria das estimativas disponíveis no país baseia-se em estudos regionais ou projeções internacionais.

Na prática, isso significa que o Brasil não possui um sistema consolidado de monitoramento da doença.

Sem esses números, torna-se mais difícil planejar políticas públicas de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento.

População envelhecendo amplia risco

A prevalência do glaucoma aumenta significativamente após os 40 anos e cresce com o avanço da idade. Com o envelhecimento da população brasileira nas próximas décadas, especialistas acreditam que o número de pacientes deve aumentar.

Segundo projeções demográficas do próprio IBGE, o país terá cada vez mais idosos nas próximas décadas — grupo mais vulnerável à doença.

Diagnóstico precoce pode evitar cegueira

Embora não tenha cura, o glaucoma pode ser controlado quando diagnosticado precocemente. O tratamento inclui colírios que reduzem a pressão intraocular, procedimentos a laser e cirurgias.

O acompanhamento médico regular é considerado fundamental, principalmente para pessoas com fatores de risco como:

  • histórico familiar da doença
  • idade acima de 40 anos
  • pressão ocular elevada
  • diabetes
  • uso prolongado de corticoides

Sem tratamento adequado, o dano ao nervo óptico é permanente e pode levar à cegueira.

Invisível nas estatísticas

Para especialistas, a ausência de números específicos sobre cegueira causada por glaucoma cria um problema adicional: a invisibilidade estatística.

Sem dados claros sobre quantas pessoas perderam a visão por causa da doença, o impacto social e econômico do glaucoma tende a ser subestimado.

Enquanto isso, milhões de brasileiros continuam convivendo com uma doença silenciosa que pode roubar a visão de forma definitiva — muitas vezes sem que o sistema de saúde consiga medir a dimensão real do problema.

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