Capacitismo institucionalizado: como as recentes declarações de internacionais reforçam as barreiras à inclusão

Capacitismo institucionalizado: como as recentes declarações de internacionais reforçam as barreiras à inclusão OPINIÃO - * Por Daniela Mendes

OPINIÃO

  • * Por Daniela Mendes

A inclusão de pessoas com deficiência ainda é um desafio persistente na sociedade. Barreiras sociais, estigmas e a desinformação levam a atitudes que prejudicam a equidade e limitam o acesso a oportunidades. Mais do que políticas ou programas isolados, é necessário um esforço coletivo para combater o capacitismo e transformar a percepção social, reconhecendo o valor e garantindo os direitos de cada pessoa.

Um exemplo recente dessa dinâmica foi a repercussão da hipótese – reforçada pelo Presidente Norte-Americano, Donald Trump – de que o uso de paracetamol durante a gravidez poderia estar relacionado ao desenvolvimento do Transtorno do Espectro Autista (TEA) no bebê. Apesar da ampla divulgação, Instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Saúde reforçaram que não existem evidências científicas que comprovem essa relação. 

O Autismo não é uma doença a ser “curada”, mas uma condição do neurodesenvolvimento que tem causas multifatoriais: genéticas, epigenéticas e ambientais. O melhor caminho é investir em diagnóstico precoce e intervenções terapêuticas eficazes. No Instituto Jô Clemente (IJC), o programa Sinais de Atenção na Primeira Infância capacita professores, pedagogos e profissionais de saúde a identificar sinais de alerta no desenvolvimento infantil, permitindo que crianças recebam o suporte necessário desde os primeiros sinais. Esse cuidado se integra à nossa rede de saúde e acompanhamento especializado ao longo de toda a vida, do diagnóstico e estimulação precoce às intervenções interdisciplinares e serviços voltados à Longevidade. Como referência na disseminação de conhecimento, o IJC venceu o Prêmio Marketing Best com a 1ª Campanha do Brasil de Conscientização sobre o Autismo, realizada em 2023, com o propósito de quebrar paradigmas e ampliar o acesso à informação qualificada sobre o diagnóstico. Seguindo essa missão, lançamos o e-book “Autismo Sem Mistérios”, um material rico em conteúdo que reúne sinais de alerta, informações sobre abordagens terapêuticas e mitos e verdades sobre o tema, oferecendo orientação prática para profissionais, escolas e famílias.

Conhecimento técnico e programas específicos só têm impacto real quando acompanhados de uma mudança cultural. O capacitismo, expresso em atitudes de exclusão, preconceito e falta de acessibilidade, continua sendo uma das principais barreiras para a inclusão. Marcos legais, como a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), avançam na direção certa, mas sua efetividade depende de fiscalização, implementação prática e, principalmente, conscientização social.

A reflexão que fica é: que tipo de sociedade queremos construir? 

Episódios como o debate recente sobre o paracetamol devem servir de lembretes urgentes da necessidade contínua de educação, checagem de informação, empatia e ação coletiva para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva para todas as pessoas.

  • * Daniela Mendes é Superintendente Geral do Instituto Jô Clemente (IJC), que há mais de 64 anos promove saúde, qualidade de vida e inclusão de pessoas com Deficiência Intelectual, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Doenças Raras. Pioneiro no Teste do Pezinho e referência em diagnósticos e tratamentos, o IJC atua em diversas áreas, desde serviços de Saúde, Inclusão Social, Defesa e Garantia de Direitos até Pesquisas e Inovação. Daniela é enfermeira e tem mais de 20 anos de experiência na gestão de Serviços de Saúde e de Organizações Sociais, com ênfase no planejamento estratégico, gestão de negócios e de pessoas.

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