Complicações do diabetes exigem atenção: saúde dos pés deve ser prioridade entre os cuidados preventivos

Complicações do diabetes exigem atenção: saúde dos pés deve ser prioridade entre os cuidados preventivos

Perda de sensibilidade, feridas de difícil cicatrização e infecções graves estão entre os sinais que podem evoluir para quadros de amputação caso o diagnóstico não ocorra de forma precoce

No dia 26 de junho, quando se celebra o Dia Nacional do Diabetes, a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP) destaca a necessidade de maior conscientização sobre as complicações decorrentes da doença. Estima-se que 589 milhões de adultos, com idade entre 20 e 79 anos, em todo o mundo, (11,1% de todos os adultos nessa faixa etária) vivam com o diabetes. A projeção para 2050 é de que aproximadamente 852 milhões de pessoas nessa mesma faixa etária vão desenvolver a doença. Assim, enquanto a população mundial deve crescer 25% nos próximos 25 anos, o número de pessoas com diabetes deve aumentar 45%[1]

O diabetes também compromete a vida de milhões de brasileiros. O IBGE divulgou recentemente os resultados do Censo 2022, indicando que a população do Brasil é formada por 203.080.756 pessoas. Com base nesse dado, estima-se que o número de pessoas com diabetes no país seja de aproximadamente 20 milhões. Essa projeção considera o último levantamento Vigitel, realizado pelo Ministério da Saúde, em amostra representativa da população brasileira, que apontou uma prevalência de 10,2% de diagnóstico autorreferido de diabetes nas 27 capitais pesquisadas. Além disso, de acordo com o último Atlas da IDF (International Diabetes Federation), o risco de uma pessoa com diabetes desenvolver doença cardiovascular é 60% maior em comparação com indivíduos não diabéticos.

O cirurgião vascular e membro do Departamento de Acessos Vasculares da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP), Dr. Guilherme Yazbek, alerta que o controle inadequado da glicemia está entre os principais fatores de risco. “Uma das complicações mais comuns e graves do diabetes é o pé diabético, quadro que envolve alterações nos membros inferiores”.

O pé diabético por definição engloba os seguintes fatores: a neuropatia periférica, alterações circulatórias e maior risco de infecções. Recente trabalho realizado no Brasil, com populações diabéticas mais vulneráveis, mostrou uma prevalência de até 30% de úlceras ativas (feridas abertas nos pés) e cerca de 45% dos casos com amputações prévias[2]”, informa o médico.

Sintomas como dormência, formigamento, dor e sensação de queimação indicam possível comprometimento dos nervos periféricos. Em estágios mais avançados, a sensibilidade pode ser totalmente perdida, dificultando a percepção de lesões. Mudanças na cor da pele, infecções por fungos, calosidades e feridas de cicatrização lenta também exigem atenção imediata. “Outros elementos, como hipertensão arterial, dislipidemia e tabagismo, também agravam o quadro vascular. O uso de calçados inadequados favorece lesões, principalmente em pessoas com histórico prévio de úlceras ou amputações”, explica Dr. Guilherme.

O diagnóstico precoce permite que intervenções sejam realizadas com maior efetividade. A identificação rápida das alterações contribui para a cicatrização adequada, evita quadros de dor persistente e reduz significativamente o risco de amputações.

Rotina de cuidados com os pés é parte essencial da prevenção

O Dr. Guilherme Yazbek destaca que os cuidados diários com os pés são decisivos para evitar infecções e complicações vasculares. A recomendação inclui lavar os pés com água morna e sabonete, secar bem entre os dedos, usar talco antimicótico e aplicar hidratantes nos calcanhares para prevenir rachaduras. Observar os pés diariamente — identificando feridas, bolhas, alterações de cor ou textura — é fundamental.

As unhas devem ser cortadas sem remover os cantos, e andar descalço deve ser evitado. Meias sem costura e a inspeção interna dos calçados antes de usá-los ajudam a reduzir o risco de ferimentos. Caso haja restrições motoras ou visuais, o ideal é contar com apoio de profissionais ou familiares.

Além da rotina de higiene, uma alimentação balanceada e o controle dos níveis glicêmicos são indispensáveis. Manter a glicose sob controle reduz os danos nos nervos e vasos, e contribui para preservar a saúde vascular dos pés.

“Vários estudos mostram que programas multidisciplinares de cuidado com os pés, envolvendo profissionais como podólogos, enfermeiros, técnicos, dermatologistas, ortopedistas e cirurgiões vasculares, sob coordenação do endocrinologista, diminuem a incidência de úlceras e amputações em pessoas com diabetes”[3][4][5], informa o médico.

A SBACV-SP tem como missão levar informação de qualidade sobre saúde vascular para toda a população. Para outras informações acesse o site e siga as redes sociais da Sociedade (Facebook e Instagram).

Sobre a SBACV-SP

A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo – SBACV-SP, entidade sem fins lucrativos, é a Regional oficial da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) no estado de São Paulo. A entidade representa os médicos que atuam nas especialidades de Angiologia e de Cirurgia Vascular, nas áreas de atuação de Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular, Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia, Ecografia Vascular e outras áreas afins às especialidades. www.sbacvsp.com.br

Referências:

  1. ¹DF Diabetes Atlas 11th edition.
  2. ²Cerqueira MMBDF et al. J Wound Care. 2022 Nov 2;31(11):946-960.
  3. ³Chiu Cc et al. J Plast Reconstr Aesthet Surg. 2011 Jul;64(7):867-72.
  4. 4Wennberg L et al. Diabetes Res Clin Pract. 2019 Mar;149:126-131.
  5. 5Nigi L, et al. Semin Vasc Surg. 2018 Jun-Dec;31(2-4):49-55.

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