Compreensão Mundial – quando a empatia precisa de data

Compreensão Mundial – quando a empatia precisa de data OPINIÃO - * Por Eliene Lima

OPINIÃO

  • * Por Eliene Lima

Você sabia da existência de uma data em que se comemora o Dia da Compreensão Mundial? O mês de setembro é dedicado a esse tema e isso me fez refletir sobre o quanto é inusitado precisarmos de uma data para essa finalidade. Compreender o outro é uma das condições para a convivência em sociedade e deveria ser algo já pacificado nas relações interpessoais, algo que já tivesse se tornado um ponto de convergência natural entre as pessoas. Entretanto, enquanto seres sociais, ainda estamos num estágio onde até a compreensão de si mesmo permanece um grande desafio. E, se olhar para fora continuar sendo mais atrativo que olhar para dentro, seguiremos projetando nossos problemas, nossas insatisfações e dificuldades, contribuindo para que aumentem os conflitos, as divisões e os sofrimentos.

Falar de compreensão mundial é falar de empatia, um conceito muito citado e pouco praticado, até porque ele traz uma proposta muito ousada para o humano que ainda somos. Ser empático é saber se colocar no lugar do outro, porém, para que isso aconteça eu preciso já ter pacificado vários conflitos internos e já conseguir abrir mão de minhas próprias certezas para considerar a hipótese de que a outra pessoa pode me trazer um ponto de vista diferente. Para falar de uma outra forma, vamos dizer que as relações são baseadas e sustentadas pelas percepções pessoais. E essas são construídas e transformadas com base em nossas vivências individuais, nos contextos sociais que nos cercam e até mesmo em nossa estrutura psíquica, que é o que vai nos permitir sermos mais ou menos flexíveis para aceitar coisas novas.

A individualidade, algo tão salutar e bonito, em diversas situações é justamente o que nos impede de termos relações sociais saudáveis, pois todos queremos ver aceitos e respeitados os nossos motivos, as nossas opiniões e as nossas posições. Dessa forma, as diferenças que deveriam nos engrandecer, acabam por trazer disputas acirradas que podem acabar em guerras. Daí nasceu a necessidade de normas, regras e leis. Daí nasceu, inclusive, a necessidade de criarmos datas específicas para nos lembrar que temos que respeitar as diferenças e o direito do outro a viver, a não ser discriminado, a não ser violentado simplesmente por ser como se é. Eu acredito que essa pode ter sido a razão para a criação do Dia da Compreensão Mundial: uma data para nos lembrar que pequenos gestos podem trazer grandes transformações, começando em nós mesmos.

Não existe receita para isso, mas existem alguns comportamentos que, certamente, serão úteis para tornar os contatos humanos mais facilitados. Ter uma escuta verdadeira quando se comunica, buscando genuinamente conhecer a outra pessoa, e exercitar a paciência, podem ser um ponto de partida. Mas, pra mim, o mais importante sempre será o autoconhecimento. Precisamos saber o que nos move, o que nos irrita, o que nos alegra, o que nos sensibiliza…porque só assim, nos entendendo e nos aceitando, teremos condições de dar espaço para entender e aceitar os outros. E, aqui, cabe aquela famosa frase que todos conhecemos e que nem todos usamos: “seja você a mudança que você quer ver no mundo”.   

  • * Eliene Lima é psicóloga, mestre em Psicologia Social

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