Decisão do STJ põe em risco os direitos dos autistas

Decisão do STJ põe em risco os direitos dos autistas

Mais de 3 milhões de brasileiros com TEA podem ter terapias limitadas por planos de saúde; julgamento que retoma o Rol Taxativo acontece em 7 de agosto

Superior Tribunal de Justiça (STJ) retomará o julgamento que pode permitir a aplicação do Rol Taxativo para o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Se aprovado, o entendimento autorizará os planos de saúde a limitar o número de horas de terapias indicadas por profissionais especializados e a restringir a cobertura exclusivamente ao ambiente clínico, desconsiderando os atendimentos realizados em casa, na escola ou na comunidade.

A medida representa um grave retrocesso nos direitos das famílias com filhos autistas. Isso porque, na prática, o Rol Taxativo desloca a decisão terapêutica das mãos da equipe clínica para a conveniência administrativa das operadoras de saúde.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tem mais de 3 milhões de pessoas no espectro autista. O CDC (EUA) aponta que 1 em cada 36 crianças apresenta sinais de autismo. Se o julgamento for concluído com aprovação, o impacto será direto e profundo: milhares de famílias terão tratamentos reduzidos, negados ou interrompidos — inclusive terapias que já mostraram progresso.

“O Tema Repetitivo 1295 vai impactar de forma irreversível o desenvolvimento de milhares de pessoas com TEA. Limitar o tratamento é negar o direito ao futuro. Não podemos permitir que decisões administrativas se sobreponham à ciência e ao cuidado”, afirma a advogada Aline Schürmam, head jurídica do Grupo Conduzir, referência nacional no cuidado e na inclusão de pessoas neurodivergentes.

De acordo com Larissa Aguirre, psicóloga especialista em terapia ABA e diretora técnica do Grupo Conduzir, é fundamental lutar pelo acesso a práticas baseadas em evidências, que respeitem as necessidades reais das pessoas com TEA e promovam sua plena participação na sociedade.

“A proposta deslegitima a atuação dos Acompanhantes Terapêuticos (ATs) no ambiente escolar que é justamente um dos espaços mais importantes para o desenvolvimento de habilidades sociais, cognitivas e de autonomia e que é recomendada por diretrizes nacionais e internacionais como parte essencial de um tratamento efetivo. Ao restringir esse trabalho apenas ao ambiente clínico, estamos não apenas ferindo o direito à inclusão, mas também ignorando a importância da individualização das terapias e da construção de redes de apoio integradas”, mestre em análise experimental do comportamento, Larissa Aguirre.

Entre os principais riscos estão:

  • Redução das horas de atendimento, mesmo com recomendação profissional para maior carga horária.
  • Interrupção de terapias em andamento, com possível regressão de habilidades e agravamento de comorbidades.
  • Aumento das negativas por parte dos planos de saúde, dificultando o acesso ao tratamento adequado.
  • Exclusão da cobertura para atendimentos em ambientes naturais como casa e escola, que são essenciais para o desenvolvimento social e funcional.
  • Sobrecarga emocional e financeira das famílias, que precisarão arcar com custos ou buscar alternativas menos eficazes.
  • Retrocesso na inclusão escolar e social de crianças e jovens que precisam de apoio contínuo.
  • Aumento de crises comportamentais, pela quebra da rotina e falta de suporte.
  • Comprometimento no desenvolvimento da linguagem, autonomia e habilidades sociais.
  • Risco elevado de ansiedade, depressão e distúrbios sensoriais sem acompanhamento adequado.
  • Isolamento social e impacto emocional quando o suporte terapêutico escolar é retirado.
  • Desigualdade no acesso à saúde, prejudicando principalmente famílias de baixa renda que dependem exclusivamente do plano.

Um abaixo assinado público contra o Rol Taxativo do TEA conta com mais de 50 mil assinaturas de famílias, profissionais da saúde, da educação e sociedade civil que manifestam o repúdio à proposta.

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