É hora de agir, não só conscientizar

OPINIÃO

  • * Por Alexandre Lazaretti

Nos despedimos do mês de abril com a certeza de que o debate sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) precisa avançar para além dos simbolismos. O Abril Azul, mês dedicado à conscientização sobre o autismo, cumpre um papel importante de visibilidade, mas já não basta iluminar monumentos ou levantar bandeiras. Enquanto o discurso avança, milhares de famílias brasileiras continuam enfrentando, todos os dias, uma realidade marcada por desafios intensos.

Estima-se que cerca de 600 mil crianças estejam dentro do espectro autista no Brasil — e esse número pode ultrapassar os 2 milhões, segundo projeções baseadas nos dados do IBGE, de 2023. São pais e mães lidando com crises severas, dificuldades de comunicação, distúrbios do sono e os efeitos colaterais de medicamentos tradicionais, como sedação excessiva, ganho de peso e prejuízos cognitivos significativos.

Nesse contexto, a medicina endocanabinoide, especialmente com o uso do canabidiol (CBD), tem se mostrado uma alternativa segura, eficaz e, sobretudo, transformadora. Pesquisas conduzidas no Hospital Universitário de Brasília e diversas revisões científicas vêm demonstrando que o CBD pode reduzir a agressividade, irritabilidade, os comportamentos repetitivos, além de auxiliar na regulação do sono e da ansiedade em crianças com TEA. Trata-se de uma abordagem mais natural, baseada em evidências, e que merece ser encarada com seriedade.

No entanto, os desafios ainda são grandes. Menos de 10% das crianças e jovens que poderiam se beneficiar desse tratamento têm acesso a ele. As barreiras envolvem desde o desconhecimento por parte de profissionais de saúde e famílias, até entraves burocráticos e custos elevados. Por isso, defendemos com firmeza o avanço do Projeto de Lei nº 399/2015, que propõe a regulamentação do uso medicinal da cannabis no Brasil. Essa pauta exige urgência e comprometimento. A qualidade de vida das crianças e de suas famílias não pode esperar.

Tenho acompanhado de perto os efeitos concretos dessa terapia. Hoje atuo na linha de frente, facilitando o acesso ao tratamento com cannabis medicinal — desde o processo de autorização junto à Anvisa até o suporte contínuo às famílias. Quando os pais percebem a melhora real dos filhos — a redução nas crises, a serenidade para sair de casa, o resgate da convivência social — fica claro que não estamos apenas tratando sintomas: estamos promovendo dignidade, afeto e inclusão.

Que o fim do Abril Azul nos inspire a transformar esse lembrete em ação contínua. Que ele marque o início de um novo ciclo — de políticas públicas consistentes, investimento em pesquisa, informação acessível e, acima de tudo, coragem para romper com a desinformação e transformar a realidade de quem mais precisa.

  • * Alexandre Lazaretti é Cofundador da True Wellness, empresa dedicada à medicina endocanabinoide, com foco em inovação, acesso e qualidade terapêutica

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