Especialista alerta sobre cuidados com autistas no carnaval

Especialista alerta sobre cuidados com autistas no carnaval

Às vésperas do período mais festivo do ano, muitas famílias se preparam para viajar ou participar da programação de Carnaval. Para crianças e adolescentes autistas, essa época pode trazer desafios relacionados a barulho, excesso de estímulos e mudanças na rotina. Especialistas em desenvolvimento infantil destacam que pequenas adaptações ajudam a tornar a experiência mais tranquila, seja na praia, no campo ou em cidades com intensa atividade de blocos.

A psicóloga Sirlene Ferreira, da Clínica Conecta Aba Incluir Brincando e referência no atendimento a neurodivergentes, explica que a antecipação de informações é um recurso importante. Segundo ela, prever o que vai acontecer reduz a ansiedade e facilita a adaptação. Planejamento, comunicação clara e respeito ao tempo da criança são pilares que ajudam a evitar sobrecarga sensorial, especialmente em períodos de maior movimento. Outro ponto essencial neste período é o cuidado com a segurança em locais cheios. A recomendação é manter identificação visível na criança, combinar pontos de encontro e evitar circulação em multidões. Em situações de grande fluxo, segurar a mão, usar pulseiras de contato e redobrar a atenção ajudam a prevenir desencontros.

Para famílias que pretendem viajar para a praia, orientar sobre a textura da areia e a temperatura da água pode ajudar a minimizar incômodos. Levar guarda sol e criar um espaço mais reservado também favorece uma vivência confortável. No campo, o foco costuma estar em garantir previsibilidade. Caminhadas, visitas a áreas verdes e atividades ao ar livre podem ser positivas quando organizadas com pausas e momentos de descanso.

Nas capitais e regiões onde os blocos de rua e escolas de samba ganham protagonismo, o barulho é uma das principais preocupações. Protetores auriculares e fones abafadores ajudam a reduzir o impacto sonoro. Escolher horários mais tranquilos e trajetos alternativos permite circular com segurança sem expor a criança a estímulos que possam gerar desconforto. É recomendável manter itens de apoio, como garrafa de água, brinquedos sensoriais e óculos escuros, que contribuem para regular o ambiente.

Segundo Sirlene, durante todo o Carnaval, preservar a rotina básica da criança é essencial. Horários de alimentação e sono, mesmo que com pequenas adaptações, colaboram para manter o equilíbrio emocional. Outro ponto é respeitar limites. Caso apareçam sinais de irritação ou cansaço, uma pausa rápida costuma ser suficiente para estabilizar o comportamento.

“O objetivo não é impedir a participação nas atividades, mas criar condições para que cada criança viva o período de forma segura e prazerosa. Com organização, diálogo e atenção às necessidades individuais, o Carnaval pode se tornar uma experiência inclusiva e acolhedora para famílias com crianças autistas”, finaliza Sirlene.

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