Peça do Grupo Caleidoscópio trata de bullying, preconceito e padrões de beleza, e utiliza a técnica japonesa de manipulação de bonecos Bunraku em montagem sem palavras
A dificuldade em aceitar o que é “diferente” é o ponto de partida do novo espetáculo infantojuvenil do Grupo Caleidoscópio, O Pescador e a Mulher-Esqueleto, com dramaturgia e direção artística de João Bresser e elenco formado pelos atores-manipuladores Anderson Gangla, Cássia Carvalho, Juliana Fegoci e Liz Mantovani. Após percorrer cidades de todo o estado de São Paulo e fazer temporada em teatros da capital no ano passado, a peça se prepara para se apresentar em instituições para pessoas cegas e escolas, a partir de março.
O espetáculo explora a linguagem do teatro de bonecos a partir da técnica japonesa milenar Bunraku, quando até três atores-manipuladores, com movimentos sincronizados, manuseiam bonecos construídos com articulações baseadas no corpo humano.
Março e Abril de 2026
Por meio da 21ª Edição do Prêmio Zé Renato, o espetáculo O Pescador e a Mulher-Esqueleto realiza, entre março e abril de 2026, uma circulação voltada prioritariamente a instituições que atuam com pessoas cegas, além de escolas públicas da cidade de São Paulo, alcançando um público estimado de 6 mil pessoas.
Nas instituições que atendem pessoas cegas, a programação contempla uma apresentação e uma oficina em cada local, reafirmando o compromisso do projeto com a acessibilidade, a inclusão cultural e a ampliação do acesso às artes cênicas. A peça passará pelas seguintes instituições: Associação Tocando em Frente (31/03), Fundação Dorina Nowill para Cegos (8/04), ADEVA – Associação Deficientes Visuais Amigos (9/04), Instituição Cadevi (16/04).
Na sequência, o espetáculo circula por 7 escolas públicas, onde serão realizadas quatro apresentações em cada unidade, duas destinadas às turmas do período da manhã e duas às turmas da tarde, além de duas oficinas, sendo uma voltada aos professores da manhã e outra aos professores da tarde.
Sobre a encenação
O Pescador e a Mulher-Esqueleto é baseado no conto milenar homônimo do povo Inuit, uma nação indígena esquimó que habita as regiões árticas do Canadá, do Alasca e da Groenlândia. A história está presente no livro Mulheres que correm com os lobos: Mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem, da psicóloga Junguiana norte-americana Clarissa Pinkola Estés.
Na trama, um pescador pesca acidentalmente do fundo do mar uma mulher-esqueleto e, após terem dificuldade para se aceitar, a dupla acaba enredada em uma história de amor.
“No conto original, a mulher-esqueleto adquire carne e, em uma metáfora, arranca o coração do pescador, mas não era esse o ponto que me interessava. Eu tive a intuição de mantê-la como esqueleto, para justamente unir dois seres completamente diferentes e fomentar uma discussão sobre preconceito, bullying e aceitação. Assim, o amor, que é o pilar da peça, transformará os dois personagens, mas somente em seus corações, e não em suas aparências”, comenta João Bresser.
O cenário fica em cima de uma bancada de três metros de comprimento e reproduz uma casa com todos os móveis e utensílios de um pescador simples. Os espectadores veem uma cozinha com um forno à lenha, pia, mesa de madeira com duas cadeiras e alguns objetos. No quarto, há uma cama antiga de madeira, com um travesseiro e uma coberta. Ao lado da residência fica um quintal com plantas, uma árvore e um lago.
A vibrante trilha sonora de Ivan Garro contribui para a imersão da plateia. A peça também incorpora a linguagem audiovisual para garantir que o público acompanhe a história nos mínimos detalhes.
Todas as cenas no interior da casa são projetadas no varal localizado no quintal do pescador. Já as cenas no lago e no quintal são vistas sem a necessidade desse recurso. Dessa forma, os dramas dos personagens ganham mais profundidade.
“Nós criamos uma sincronia tão perfeita entre os atores-manipuladores, as luzes e as cenas gravadas que o público sempre fica em dúvida se as projeções são ao vivo. Acho isso bastante enriquecedor”, fala Bresser.
Confeccionados por Anderson Gangla e Thais Larizzatti, os dois bonecos em cena medem entre 50 e 60 centímetros e, para o Grupo Caleidoscópio, é um grande desafio dar movimentos realistas a eles. “Precisamos pensar muito bem em como o nosso corpo se comporta quando fazemos ações simples, como o levantar de uma cama. Ao utilizarmos a técnica Bunrako, temos que tornar os movimentos verossímeis, como se fosse mesmo um ser humano. Inclusive, os atores-manipuladores vestem-se de preto para não terem nenhum destaque no espetáculo”, comenta o encenador.
Sobre o Grupo Caleidoscópio
O grupo paulistano dedica-se à pesquisa do Teatro de Animação desde 2003, quando começou o processo de sua primeira criação. O espetáculo O Fantástico Laboratório do Professor Percival estreou em 2004 e utiliza a técnica do Teatro de Objetos. Num segundo momento, inicia-se uma nova pesquisa, tendo como inspiração e ponto de partida a vida do curioso bicho-da-seda. Utilizando a técnica do Teatro de Bonecos com música ao vivo, nasce em 2006, o espetáculo A vida mudada de um bicho mutante.
Já em 2011, estreia o terceiro espetáculo, Andersen sem Palavras, inspirado em cinco contos de Hans Christian Andersen, que são representados através do Teatro de Sombras, sem palavras, tal um cinema mudo, onde imagens, figuras, silhuetas, luzes, sombras e músicas se unem para entreter e emocionar a plateia. O Do Jeito Certo – Um ato sobre o amor, aborda de uma maneira irreverente o machismo nas relações amorosas, utilizando a técnica do Teatro de Objetos. A montagem foi selecionada no Edital ProAC Expresso Lab 36/2020 – Produção de Teatro, com temporada online em abril de 2021 e é a primeira montagem do grupo para o público adulto. A mais recente produção do grupo é “O Pescador e a Mulher-Esqueleto”, contemplado em 2021 pelo Edital 38ª Edição do Fomento ao Teatro de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura.
Instagram: @opescadoreamulheresqueleto
SERVIÇO
O Pescador e a Mulher-Esqueleto
Duração: 50 minutos
Classificação: livre (recomendado a partir de 7 anos)
Acessibilidade: haverá audiodescrição e intérpretes de Libras em todas as apresentações
para pessoas cegas ou com deficiência visual, a reserva de equipamento é feita pelo telefone 11 99737-8785).
APRESENTAÇÕES EM INSTITUIÇÕES PARA PESSOAS CEGAS
*Todas as apresentações nas instituições contarão com o recurso de audiodescrição.
Associação Tocando em Frente
R. Miguel Ferreira de Melo – Jardim Santo André – São Paulo – SP (Zona Sudeste)
Dia: 31/03/2026 (terça-feira)
Horário do espetáculo: 15h00
Oficina de Teatro de Bonecos: 13h00
Fundação Dorina Nowill
Rua Doutor Diogo de Faria, 558 – Vila Clementino – São Paulo/SP (Zona Sul)
Dia: 08/04/2026 (quarta-feira)
Horário do espetáculo: 16h00
Oficina de Teatro de Bonecos: 14h00
ADEVA – Associação Deficientes Visuais Amigos
R. São Samuel, 174 – Vila Mariana – São Paulo – SP, 04120-030
ou entrada pela R. Dr. Tirso Martins, 211 A – Vila Mariana – São Paulo – SP, 04120-050 (Zona Sul)
Dia: 09/04/2026 (quinta-feira)
Horário do espetáculo: 13h30
Oficina de Teatro de Bonecos: 10h30
Instituição Cadevi
R. dos Heliotrópios, 338 – Mirandópolis – São Paulo – SP (Zona Sul)
Dia: 16/04/2026 (quinta-feira)
Horário do espetáculo: 15h00
Oficina de Teatro de Bonecos: 13h00
APRESENTAÇÕES EM ESCOLAS
EMEF Solano Trindade
R. Gabriel de Carvalho, 60 – Jardim Boa Vista – São Paulo – SP (Zona Oeste)
Dia: 03/03/2026 (terça-feira) e 04/03/2026 (quarta-feira)
Horários dos espetáculos: 10h00 e 14h00
Oficinas de Teatro de Bonecos: 12h00 e 16h30
EMEF Pedro Américo
R. Vicente Jorge, 80 – Jardim Marina – São Paulo – SP (Zona Norte)
Dias: 11/03/2026 (quarta-feira) e 12/03/2026 (quinta-feira)
Horários dos espetáculos: 10h00 e 15h00
Oficinas de Teatro de Bonecos: 12h15 e 19h00 (no dia 11/03/2026)
E.E. Conselheiro Antônio Prado
R. Vitorino Carmilo, 621 – Barra Funda – São Paulo – SP (Zona Oeste)
Dias: 17/03/2026 (terça-feira) e 18/03/2026 (quarta-feira)
Horários dos espetáculos: 10h00 e 15h00
Oficinas de Teatro de Bonecos: 10h00 e 12h00 (no dia 18/03/2026)
EMEF Frederico Gustavo dos Santos
Av. General Penha Brasil, 139 – Vila Angélica – São Paulo – SP (Zona Norte)
Dias: 24/03/2026 (terça-feira) e 25/03/2026 (quarta-feira)
Horários dos espetáculos: 10h00 e 15h00
Oficinas de Teatro de Bonecos: 10h00 e 18h30 (no dia 25/03/2026)
E.E. Professor João Evangelista Costa
Av. Cupecê, 2672 – Jardim Prudência – São Paulo – SP (Zona Sul)
Dias: 01/04/2026 (quarta-feira) e 02/04/2026 (quinta-feira)
Horários dos espetáculos: 10h30 e 15h00
Oficinas de Teatro de Bonecos: 08h40 e 13h00 (no dia 01/04/2026)
E.E. Santos Dumont
Praça Oito de Setembro, 73 – Penha de França – São Paulo – SP (Zona Leste)
Dias: 23/04/2026 (quinta-feira) e 24/04/2026 (sexta-feira)
Horários dos espetáculos: 10h00 e 15h00
Oficinas de Teatro de Bonecos: 08h00 e 12h00 (no dia 23/04/2026)
E.E. Professora Florinda Cardoso
Rua Itaúna, 748 – Vila Maria – São Paulo – SP – 02111-031 (Zona Norte)
Dias: 28/04/2026 (terça-feira) e 29/04/2026 (quarta-feira)
Horários dos espetáculos: 10h00 e 15h00
Oficinas de Teatro de Bonecos: 12h30 e 18h30 (no dia 28/04/2026)
Crédito/Foto: Crédito: Arô Ribeiro





