Inteligência Artificial avança como aliada no tratamento de lesões na medula espinhal

Inteligência Artificial avança como aliada no tratamento de lesões na medula espinhal

Procedimento experimental restabelece comunicação neural e movimentos a pacientes paraplégicos

Quatro pacientes paralisados voltaram a andar após a implantação de chips de elétrodo no cérebro e na medula espinhal. O procedimento foi realizado por pesquisadores da Universidade Fudan de Xangai, na China, com o auxílio de novas tecnologias de Inteligência Artificial (IA) e é considerado a primeira tecnologia de interface cérebro-coluna triplamente integrada de todo o mundo.

Conforme a instituição, os procedimentos foram realizados com duração média de quatro horas e restabeleceram a comunicação entre ambas as partes do corpo, antes rompidas por uma lesão na medula espinhal. Os quatro voluntários receberam dois chips de eletrodos, cada um com 1 mm de diâmetro, que foram implantados no córtex motor, região responsável pelos movimentos voluntários do corpo.

Os dispositivos coletam e decodificam sinais neurais do cérebro dos pacientes. Com isso, ocorre o fornecimento de estímulos elétricos para raízes nervosas específicas, como explica a instituição. Dessa forma, as conexões neurais vão se reconstruindo, permitindo que os pacientes controlem os músculos paralisados sem auxílio externo.

Os pacientes tiveram graus variados de recuperação, e todos conseguiram voltar a andar. Um dos voluntários foi identificado como Lin e descrito como o primeiro paraplégico total do mundo a recuperar a capacidade de andar por meio de implantes. Conforme a universidade, ele conseguiu movimentar as duas pernas já nas 24 horas seguintes à cirurgia. 

Jia Fumin, responsável pelo projeto, destaca que os resultados surpreenderam os pesquisadores e sinalizaram a importância das novas tecnologias, sobretudo a IA, nos novos tratamentos relacionados à coluna. 

O estudo exemplifica como o profissional neurocirurgião especialista em coluna tem cada vez mais recursos tecnológicos à disposição para tornar processos e procedimentos mais seguros.

Diagnósticos com IA chegam a quase 75% de precisão 

Spine Computational Outcomes Learning Institute (SCOLI) confirma que a integração das IAs com as etapas da cirurgia de coluna vertebral tem avançado desde 2023. Os procedimentos cirúrgicos têm se tornado, gradualmente, mais precisos e menos invasivos. 

De acordo com a SCOLI, os diagnósticos administrados por IA chegam a uma precisão média de 74,9%. Já as cirurgias robóticas em procedimentos na coluna vertebral alcançam 98,3%. “Essas tecnologias estão transformando a cirurgia da coluna vertebral de aplicações experimentais em prática clínica de rotina”, descreve.

Os sistemas com suporte de IA armazenam e aprendem com quantidades enormes de dados. Com isso, os algoritmos identificam padrões quase imperceptíveis aos olhos humanos. A neuroimagem avançada permite detectar lesões na medula espinhal que permanecem ocultas aos exames tradicionais de imagem, como detalha a instituição. 

Os diagnósticos auxiliados pela IA permitem que o neurocirurgião realize planejamentos cirúrgicos ainda mais individualizados. O Spine Artificial Intelligence Laboratory, da Universidade de Stanford, afirma desenvolver modelos tecnológicos com IA capazes de prever inclusive os desfechos de cirurgias. Além disso, as ferramentas conseguem calcular o grau de riscos e de complicações em procedimentos pré-operatórios, conforme o laboratório.

As inovações das inteligências artificiais tornam a duração da cirurgia de coluna vertebral cada vez menor, segundo a SCOLI. A recuperação dos pacientes também tem sido retratada como menos dolorosa, marcada por menos cicatrizes e com o retorno mais rápido da mobilidade.

Robôs a serviço da saúde

A cirurgia de coluna vertebral assistida por robôs é outra tendência, segundo a North American Spine Society (NASS). A tecnologia permite conquistar maior precisão na inserção de parafusos e outros implantes. Os robôs conseguem realizar movimentos considerados complexos para a administração manual do cirurgião. 

A NASS destaca que as tecnologias robóticas têm o potencial de reduzir procedimentos repetitivos e minimizar falhas humanas. A sociedade norte-americana sinaliza que o índice de sucesso cirúrgico se torna consequentemente maior com a participação dos robôs.

Spine Computational Outcomes Learning Institute acredita que a robótica seguirá se desenvolvendo a curto e longo prazo, expandindo as aplicações além dos parafusos pediculares.

Tecnologia que orienta cirurgias de coluna com apoio de imagens em tempo real é usada no Brasil

A neuronavegação é uma tecnologia que guia o cirurgião durante todo o procedimento, possibilitando encontrar a área exata da intervenção com mais facilidade e precisão. Softwares inteligentes e imagens de exames médicos são combinados para rastrear a posição dos instrumentos cirúrgicos em tempo real.

Em Sobral, no Ceará, o sistema de neuronavegação foi utilizado durante cirurgia de coluna vertebral de um paciente. A tecnologia já era aplicada no hospital local em cirurgias cerebrais complexas e, agora, passou a ser usada também em casos de doenças ligadas à coluna vertebral. Segundo a avaliação da Secretaria de Saúde do Ceará, o procedimento representou um avanço no uso do sistema de neuronavegação. 

A integração aprimorada de IA com orientação em tempo real e os planejamentos cirúrgicos personalizados por essas tecnologias estão na lista de desenvolvimentos a curto prazo da SCOLI. A integração da realidade aumentada e da realidade virtual aos procedimentos futuros também será tendência, conforme o instituto.

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