O número de golpes que citam Juízes, Promotores de Justiça, Policiais Civis e Militares e Advogados cresce no Brasil e até mesmo o Poder Judiciário divulga alertas.
Nos últimos anos tem crescido de forma preocupante o número de golpes em que criminosos se passam por autoridades como juízes, promotores, delegados e advogados para enganar vítimas e obter dinheiro de forma ilegal. A prática, que já fez milhares de vítimas no Brasil, utiliza técnicas cada vez mais sofisticadas de persuasão e manipulação psicológica.
Como o golpe funciona
Os golpistas entram em contato com a vítima por telefone, mensagens de texto ou aplicativos como WhatsApp. Eles se apresentam como profissionais do sistema de Justiça e afirmam que a pessoa tem algum processo em andamento, uma dívida judicial ou até mesmo um valor a receber.
A partir daí, criam um cenário de urgência. Alegam, por exemplo, que é necessário pagar uma “taxa judicial” para liberar um dinheiro, evitar bloqueios bancários ou impedir uma suposta prisão. Em outros casos, convencem a vítima a fazer empréstimos ou transferências imediatas, sob o pretexto de resolver uma situação legal.
Muitos criminosos utilizam nomes reais de autoridades, números falsificados e até documentos aparentemente oficiais para dar credibilidade ao golpe.
TJMG – Alerta do Tribunal de Justiça de Minas Gerais
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) alerta os cidadãos sobre a ocorrência de golpes e fraudes praticados por pessoas que se passam por servidores, magistrados ou representantes do Poder Judiciário, utilizando indevidamente o nome e a imagem desta instituição para enganar a população.
O órgão preparou algumas informações:
- O Tribunal está vazando os meus dados?
- Não. A grande maioria dos golpes envolvendo o Judiciário não decorre de falhas de segurança ou vazamento de dados internos do TJMG. Muitas vezes golpistas não precisam “invadir” o Tribunal; eles usam a transparência dos dados processuais públicos e a Engenharia Social para construir uma narrativa crível e induzir a vítima ao erro.
- Modalidades de Golpe mais frequentes

- Golpe do Falso
- O golpista inicialmente se apresenta como advogado da vítima, usando nome, foto e dados reais do profissional, e informa um falso êxito no processo. Usam dados dados pessoais do processo para parecer legítimos e solicitam transferências sob pretexto de pagamento de honorários, custas ou taxas para liberação de valores.
- Golpe do Falso Servidor Público / Falsa Autoridade – O golpista se apresenta como servidor ou autoridade do Judiciário (como juiz, ou “representante” de determinada instituição pública, como “representante do STJ” ou “Representante do Banco Central”), usa dados pessoais do processo e simula atos oficiais, como intimações ou audiências virtuais. Pode enviar link falso de audiência ou pedir pagamento direto para “liberar” valores, induzindo a vítima à transferência.

- Golpe Combinado – Falso Advogado + Falsa Autoridade – O criminoso inicialmente se apresenta como advogado da vítima, usando nome, foto e dados reais do profissional, e informa um falso êxito no processo. Depois, um suposto servidor ou “juiz” entra em contato, envia um link de falsa audiência e solicita procedimentos no aplicativo bancário. Em muitos casos, a transferência é pedida diretamente, sem a “falsa audiência”. O golpe se conclui com envio de valores para conta de terceiros.
CONFIRA TODAS AS INFORMAÇÕES COMPLETAS DO TJMG:
https://www.tjmg.jus.br/portal-tjmg/acoes-e-programas/tjmg-contra-golpes/#
Perfis mais vulneráveis
Embora qualquer pessoa possa ser alvo, idosos e pessoas com pouca familiaridade com processos judiciais são os mais atingidos. A confiança na autoridade e o medo de problemas legais fazem com que as vítimas ajam rapidamente, sem verificar a veracidade das informações.
Além disso, pessoas que já têm processos na Justiça acabam sendo alvos ainda mais fáceis, pois os golpistas usam dados reais para tornar a abordagem mais convincente.
Sinais de alerta
Especialistas destacam alguns sinais que podem ajudar a identificar o golpe:
- Pedidos de pagamento urgente
- Solicitação de transferências via PIX ou depósitos
- Contato feito por aplicativos de mensagem, em vez de canais oficiais
- Linguagem pressionando a vítima a agir rapidamente
- Promessas de liberação de valores mediante pagamento antecipado
É importante lembrar que autoridades como juízes, promotores e delegados não entram em contato direto para pedir dinheiro.
Como se proteger
Para evitar cair nesse tipo de fraude, algumas medidas são fundamentais:
- Nunca realizar pagamentos sem confirmar a informação
- Consultar diretamente o tribunal ou advogado de confiança
- Desconfiar de contatos inesperados
- Não compartilhar dados pessoais ou bancários
- Procurar orientação antes de tomar qualquer decisão financeira
Caso haja suspeita de golpe, a recomendação é interromper o contato imediatamente e registrar ocorrência na delegacia.
O impacto nas vítimas
Além do prejuízo financeiro, que pode ser alto, as vítimas frequentemente enfrentam consequências emocionais, como vergonha, ansiedade e estresse. Em muitos casos, o dinheiro perdido vem de economias de uma vida inteira ou de empréstimos que a pessoa terá dificuldade para pagar.
Combate ao crime
Autoridades alertam que a melhor forma de combater esse tipo de golpe ainda é a informação. Campanhas de conscientização e a divulgação de casos ajudam a reduzir o número de vítimas.
Enquanto isso, a orientação principal é simples: desconfie de qualquer pedido de dinheiro vindo de supostas autoridades. Na dúvida, sempre busque confirmação por meios oficiais.





