Peça da Cia. Teatral Milongas segue em cartaz no Sesc Tijuca com teatro sem falas e proposta acessível
A artista surda Juliana Rodrigues faz sua estreia nos palcos no espetáculo Onde o Vento Faz a Curva, em cartaz no Teatro I do Sesc Tijuca até 29 de março. Atriz em formação e formada em Pedagogia Bilíngue, Juliana também atua como educadora no Museu do Universo, escreve poesia em Libras e já foi campeã do Slam de Poesia três vezes — uma em Brasília e duas no Rio de Janeiro. Com mais de 20 mil seguidores nas redes sociais, ela se destaca na valorização da cultura e da expressão artística da comunidade surda. Reforçando a proposta de acessibilidade da montagem, as sessões de sábado contam ainda com audiodescrição, com disponibilidade de dez aparelhos para o público cego ou com baixa visão.
No espetáculo da Cia. Teatral Milongas, Juliana manipula a boneca em tamanho natural que representa Maya, protagonista da história. Sem falas, a montagem aposta no teatro visual, na manipulação de bonecos e na força do corpo para contar uma fábula contemporânea sobre meio ambiente, coragem e coletividade. As apresentações acontecem aos sábados e domingos, às 16h, e nas sextas-feiras, dias 20 e 27 de março, em dois horários: 11h e 15h.
Na trama, Maya é uma menina surda que aprende com a avó a escutar o mundo para além dos sons — percebendo o vento, respeitando a água e reconhecendo forças invisíveis que sustentam a vida. Quando a seca avança e figuras ameaçadoras tentam dominar o que é essencial, ela parte em jornada guiada pelo vento, atravessando paisagens áridas e encontrando tanto ganância quanto gestos de generosidade.
O universo visual do espetáculo se constrói a partir de tecidos, estruturas móveis, ventiladores e luz, que transformam o palco em paisagens de floresta, aridez e tempestade. Em cena, Hugo Souza, Jhonatas Narciso — ator-intérprete de Libras — e Tatiane Santoro assumem múltiplos personagens e animam objetos e criaturas.
A acessibilidade não é tratada como recurso complementar, mas como ponto de partida da criação. A trilha sonora constrói atmosferas narrativas e, em datas específicas, as sessões contam com audiodescrição integrada. Contemplado pelo Edital Sesc Pulsar 2025/2026, o espetáculo reafirma a pesquisa da companhia em dramaturgias não verbais e experiências cênicas inclusivas.
Para o autor e diretor Breno Sanches, convidar uma atriz surda para atuar e manipular a boneca foi um caminho natural na construção da cena. “A surdez da personagem não é tema do espetáculo, mas parte de seu mundo”, afirma.
Sinopse:
Onde o Vento Faz a Curva é um espetáculo sem falas, que conta a jornada de Maya, uma menina surda que aprende com sua avó a controlar o vento e a respeitar as forças da natureza. Com a chegada da seca, surgem figuras assustadoras e pessoas que tentam dominar aquilo que é essencial à vida. Maya parte em uma viagem guiada pelo vento, atravessando territórios áridos, criando amizades improváveis e superando desafios cheios de poesia e humor. A personagem é representada por uma boneca em tamanho natural, manipulada por uma atriz surda
Cia. Teatral Milongas
Com 23 anos de atuação no Rio de Janeiro, a Cia Teatral Milongas desenvolve uma pesquisa teatral contínua que transita pelo teatro físico, comicidade corporal e teatro de animação. Reconhecida por sua forte identidade estética, tem se destacado, nos últimos anos, pela criação de dramaturgias próprias sem o uso da fala. Com 17 espetáculos no repertório, já participou de mais de 30 festivais nacionais e internacionais, passando por países como Venezuela, Colômbia e Chile, acumulando prêmios e indicações relevantes, entre eles Prêmio Shell, CBTIJ e Zilka Sallaberry. Além da produção artística, a Milongas mantém forte atuação formativa e social, com oficinas, intercâmbios e projetos pedagógicos realizados em teatros, comunidades, hospitais públicos e unidades do SESC, consolidando-se como um grupo de referência.
Breno Sanches – dramaturgo e diretor
Formado em Artes Cênicas (Direção Teatral) pela UNIRIO, integra a Cia Teatral Milongas desde 2003, onde desenvolve pesquisa cênica como ator, diretor e autor. Com trajetória marcada pela circulação em festivais nacionais e internacionais, reúne prêmios e indicações como o APTR 2020, com Kabaré Online (Melhor Espetáculo Inédito Editado), o Prêmio Shell 2017, na categoria Inovação, com o projeto Que Legado, e a indicação ao Prêmio Shell 2019 por Homem Feito. Recebeu ainda reconhecimentos no Zilka Sallaberry de Teatro Infantil e o Prêmio CBTIJ. Entre seus trabalhos estão Homem Feito, Pelos 4 Cantos do Mundo, Rosencrantz e Guildenstern Estão Mortos e Pequenos Poderes. É idealizador e produtor dos projetos Residentes da Sede e Território Cursos e Eventos Artísticos, dirige o Coletivo Circular e integra o Coletivo 301 desde 2023.
Serviço
Quando: até 29/03
Dias e horários: sábados e domingos, 16h; e sextas, 20 e 27/03, em dois horários: 11h e 15h
Local: Teatro I do Sesc Tijuca
Ingressos: Gratuito (PCG); R$ 10 (meia-entrada); R$18 (conveniado); R$ 14 (habilitado Sesc); R$ 20 (inteira);
Endereço: Rua Barão de Mesquita, 539 – Tijuca, Rio de Janeiro – RJ
Bilheteria – horário de funcionamento:
Terça a sexta: das 7h às 19h30
Sábados: das 9h às 19h
Domingos: das 9h às 18h
Classificação: livre
Duração: 50 minutos
Lotação: 150 lugares
Gênero: infantojuvenil





