Linguagem inclusiva: como as marcas devem se referir a “idosos” sem cometer etarismo?

A equipe da MV Marketing, primeira agência digital brasileira focada no público maturo, tem apoiado profissionais de grandes marcas como a Brasilprev no processo de Letramento em Longevidade. Um dos conteúdos da formação tem por foco a Linguagem Inclusiva 60+

 Nos últimos anos, a linguagem inclusiva tem ganhado força como uma ferramenta essencial para promover diversidade e equidade. Mas, será que estamos incluindo todo mundo, inclusive, os consumidores 50+? Não, na opinião da equipe da MV Marketing, primeira agência digital brasileira focada no público maduro. Na análise de Bete Marin e Camilla Alves, especialistas em Economia Prateada e cofundadoras da startup, enquanto ajustamos pronomes e flexões para tornar a comunicação mais abrangente e diversa, poucas vezes paramos para pensar em um glossário com ênfase na inclusão do público maduro.  

Trabalhando com o Letramento em Longevidade, Bete e Camilla citam como exemplo a palavra “idoso” – que nem sempre é a melhor escolha. “Saber como se referir a esse público de forma respeitosa é essencial para criar conexões sólidas e eficazes. Termos inadequados afastam essa audiência, enquanto uma abordagem inclusiva estreita os laços entre marcas e consumidores.  

E, o que é linguagem inclusiva? Segundo as especialistas, é uma prática de comunicação que busca representar todas as pessoas com justiça, evitando termos que reforcem preconceitos ou estereótipos. O objetivo dela é promover respeito e empatia em cada interação, o que torna a comunicação mais acessível e eficaz. “Além disso, essa abordagem é essencial porque as palavras carregam significados impactantes. Termos inadequados podem, por exemplo, construir barreiras invisíveis que dificultam o engajamento. Dessa forma, empresas que adotam essa prática fortalecem a confiança dos consumidores e ampliam as oportunidades de relacionamento”, afirma Bete, acrescentando que, ao aplicar a linguagem inclusiva, cria-se um espaço no qual diferentes grupos se sintam valorizados e reconhecidos – o que, sem dúvida, gera vantagem competitiva para as marcas.

Camilla Alves aponta que o Estatuto do Idoso, em vigor desde 2003, utiliza a expressão “pessoa idosa” para se referir a cidadãos com 60 anos ou mais. Embora o termo esteja tecnicamente correto – quando usado em documentos oficiais –, do ponto de vista da comunicação cotidiana pode soar estigmatizante, especialmente em campanhas de marketing. “Muitos indivíduos dessa faixa etária se veem como produtivos e engajados. Ser chamado de idoso pode sugerir fragilidade, o que não corresponde à autoimagem de grande parte dessas pessoas. Além disso, palavras como velho e expressões como ‘melhor idade’ ou ‘terceira idade’ são consideradas ultrapassadas. Elas não refletem a vitalidade e a diversidade desse público”, aponta Camilla.

De acordo com as especialistas, um ponto importante é a percepção individual. Muitas pessoas acima dos 50 anos não se identificam como “velhas” ou “idosas”. Pesquisas mostram que, na visão delas, “o velho é sempre o outro” – alguém muito mais velho. Ignorar essa percepção pode prejudicar o diálogo com o consumidor. Ademais, é necessário entender que o público maduro é extremamente diverso. Os interesses, estilos de vida e momentos de vida variam significativamente. Enquanto algumas pessoas exploram novos desafios, como empreender, outras preferem rotinas mais reservadas. Para alcançar relevância, a comunicação deve refletir e respeitar essas diferenças.

Como dicas para criar um diálogo respeitoso, Bete e Camilla recomendam a utilização de termos como público 50+, maduros, consumidores experientes, longevos e sênior. “Essas expressões, quando usadas de forma natural, ajudam a construir um vínculo mais humano com o público. Outra alternativa eficaz é utilizar referências geracionais, como boomers, desde que as diferenças culturais e comportamentais sejam respeitadas”, afirmam.

A MV Marketing, referência em comunicação para o público 50+, desenvolveu o Guia de Letramento em Longevidade, que apresenta 10 princípios para uma abordagem mais inclusiva. Entre eles, destacam-se evitar estereótipos, usar uma linguagem positiva, personalizar mensagens e valorizar a experiência desse público. A Brasilprev aplicou esses princípios em sua comunicação, promovendo workshops e adotando um tom mais autêntico e inspirador, o que resultou em maior confiança e engajamento dos clientes.

Mais do que palavras, a comunicação com o público sênior exige empatia e respeito, fortalecendo conexões e impulsionando marcas. Na opinião de Bete, o caminho mais difícil e trabalhoso – porém, o mais eficaz – é esquecer os rótulos e mergulhar na diversidade dos maduros para entender os seus valores e atender aos desejos e às necessidades deles. Essa é a forma legítima de atrair, engajar e fidelizar esse mercado experiente – livre de rótulos.

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