Mulheres com deficiência enfrentam mais barreiras no trabalho, aponta pesquisa ‘Radar da Inclusão’

Mulheres com deficiência enfrentam mais barreiras no trabalho, aponta pesquisa 'Radar da Inclusão'

Mulheres com deficiência enfrentam mais barreiras no trabalho, segundo dados inéditos da pesquisa ‘Radar da Inclusão – recorte de gênero’

“Mulheres com deficiência e/ou neurodivergentes seguem enfrentando desigualdades profundas no acesso, permanência e desenvolvimento no mercado de trabalho brasileiro”. Essa é uma das principais conclusões do da pesquisa “Radar da Inclusão 2025 – Recorte de gênero”, que acaba de ser lançada na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) no Side Event, durante a 70ª Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW), que neste ano teve como tema central o fortalecimento do acesso à justiça e a eliminação de barreiras estruturais que afetam, de forma desproporcional, mulheres em situação de maior vulnerabilidade. O novo recorte de gênero da pesquisa foi apresentado por Carolina Ignarra, CEO e fundadora da Talento Incluir – consultoria pioneira com a missão de trazer dignidade para pessoas com deficiência por meio da empregabilidade – e Marcia Barreto, executiva de Marketing, Produtos e Dados da organização.


Realizada em parceria com o Pacto Global da ONU – Rede Brasil, a pesquisa original ouviu 1.765 pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes, de todas as regiões do país em 2025. Do total de respondentes, 51,6% se identificam como mulheres43,6% como homens e 4,8% como pessoas trans, não binárias, agênero ou que preferiram não responder.


Nesse recorte de gênero inédito da pesquisa, a falta de acessibilidade aparece como um fator estrutural que atravessa toda a experiência profissional. 56% das pessoas entrevistadas afirmam já ter vivenciado ao menos uma situação concreta de exclusão relacionada à mobilidade urbana ou ao acesso a espaços, como desistir de procurar emprego, perder compromissos de trabalho, saúde ou estudo, ou sofrer impactos emocionais como tristeza e depressão ao longo do dia. Entre as mulheres, esse índice chega a 60%.


O ambiente corporativo também segue marcado pelo capacitismo, principalmente para as mulheres. 86% das pessoas que participaram da pesquisa afirmam já ter vivido alguma situação de discriminação relacionada à deficiência, índice que sobe para 89% entre as mulheres.


Os dados revelam também que 78% das pessoas já enfrentaram dificuldades em processos seletivos por conta da deficiência ou neurodivergência. Quando observado o recorte de gênero, as mulheres relatam impactos mais intensos: 73% afirmam ter se sentido desvalorizadas ao receber ofertas de vagas abaixo de sua qualificação, frente a 68% dos homens. Além disso, 55% das mulheres perceberam despreparo das pessoas recrutadoras para conduzir processos seletivos acessíveis, percentual superior ao registrado entre homens (49%).


Mesmo quando conseguem acessar o mercado de trabalho, as desigualdades persistem. Entre as pessoas ocupadas, 2 em cada 3 nunca foram promovidas, sendo que 70% das mulheres afirmam não ter recebido nenhuma promoção, contra 63% dos homens.


Para Carolina Ignarra, os dados evidenciam a urgência de uma abordagem interseccional nas políticas de diversidade. “Enquanto o capacitismo for negado, pessoas com deficiência seguirão oprimidas e esses indicadores não avançarão. As mulheres com deficiência enfrentam camadas adicionais de exclusão, que precisam ser enfrentadas de forma estruturada por empresas, governos e pela sociedade. Por isso, é fundamental que esses indicadores sejam incorporados ao desenho de políticas públicas e às decisões corporativas e que mais pessoas sem deficiência se tornem aliadas ativas, cobrando, implementando e acompanhando mudanças com responsabilidade. Nós, pessoas com deficiência, não vamos conseguir transformar esse cenário sozinhas. Precisamos de uma sociedade aliada, para que a mudança aconteça. Ao levar os dados do Radar da Inclusão a um dos principais fóruns globais sobre igualdade de gênero, a Talento Incluir reforça o papel na produção de evidências como ferramenta essencial para a transformação dos sistemas de trabalho e para a promoção de ambientes mais acessíveis, equitativos e inclusivos”, conclui.

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