*OPINIÃO – A Inclusão e o Desenvolvimento Inclusivo

** Por Marta Gil

Geralmente associamos Inclusão à Educação, Trabalho, Esportes e outras áreas do fazer humano, o que faz todo o sentido: são Direitos Humanos e, mais do que mencionados, devem ser exercidos.

Porém, a natureza multifacetada da Inclusão nos convida a ampliar o olhar e refletir sobre a distância entre os modelos de desenvolvimento até aqui adotados e o desejo de bem-estar expresso pela comunidade global.

Iniciativas têm sido feitas para endereçar esta questão, como a Agenda Global de Desenvolvimento, proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU). A versão inicial (2000/2015) propunha acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente, o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, pudessem desfrutar de paz e prosperidade. Compunham os 17 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), ambiciosos e interconectados.

A avaliação final constatou: apesar de avanços e conquistas era necessário dar continuidade. Daí surgiram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com destaque para a ampliação do número de Objetivos (de 7 para 17) e a menção de Pessoas com Deficiência e outros grupos invisibilizados.

O Banco Mundial também tem se debruçado sobre a questão da desigualdade desde 2005, quando constatou que era preciso mudar a escala pontual e compartimentada com a qual até então eram abordados os setores sociais. Ao contrário, era necessário potencializar o que havia de comum entre eles, visando fortalecimento mútuo.

O conceito de Inclusão, que na época designava apenas o segmento de Pessoas com Deficiência, foi escolhido por seu potencial de aporte e impacto para o processo de desenvolvimento, a começar por sua presença na população mundial (dentre outros fatores): seu contingente era estimado, na época, em 200 milhões de pessoas, dos quais aproximadamente 80% viviam em países em desenvolvimento (ONU).

Atualmente, o avanço do processo de Inclusão confirma: a inclusão de Pessoas com Deficiência é crucial para o desenvolvimento sustentável. Aliás, este é o título do recente relatório do Banco Mundial (Dezembro 2021): “A Inclusão de Pessoas com Deficiências é Crucial para o Desenvolvimento Sustentável da América Latina e do Caribe”, oque indica a necessidade de aumentar o investimento nesse processo visando construir um futuro mais próspero e resiliente, pois a Inclusão – especialmente no Mundo do Trabalho – pode desempenhar um papel significativo, desde que haja investimento na Educação, na Saúde e nas condições de Acessibilidade.

Por outro lado, a exclusão deste segmento pode representar uma perda de cerca de 3 a 7 % do Produto Interno Bruto (PIB) de um país, segundo dados globais.

Estas constatações encontram ressonância nos princípios ESG (Ambiente, Sustentabilidade e Governança), que se relacionam com os ODS, principalmente com o “S”, entendido como a superação da desigualdade e da discriminação, garantindo que nenhum grupo social seja excluído do acesso a produtos e serviços essenciais, o que garante a Sustentabilidade.

O momento atual propõe o desafio de reconstruir sociedades e economias após a crise causada pela pandemia da Covid-19.

O Brasil tem, a seu favor, uma legislação robusta, considerada uma das melhores, órgãos e entidades da sociedade civil de defesa dos direitos e o crescente protagonismo das Pessoas com Deficiência.

Essas conquistas impulsionam a caminhada rumo a uma sociedade mais sustentável e equitativa, por ser mais inclusiva.

* OPINIÃO reflete a opinião de seu autor

** Marta Gil é Socióloga, Fundadora e Coordenadora Executiva do Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas; atua na Comunicação e Disseminação de informações para inclusão de Pessoas com Deficiência sobre Educação e Trabalho; produtora de conteúdo; empreendedora social reconhecida pela Ashoka Empreendedores Sociais. Consultora para empresas e órgãos públicos, palestrante em eventos nacionais e internacionais; livros e artigos publicados; conteudista de vídeos e de cursos de educação à distância (EAD).

Referências

Desenvolvimento Inclusivo: uma abordagem universal da Deficiência”, Rosangela Berman Bieler, Equipe de Deficiência e Desenvolvimento Inclusivo, Região da América Latina e Caribe, Banco Mundial. Paper interno. Produção coletiva dos membros da equipe e consultores externos: Sergio Meresman, Mario Siede, Luis Fernando Astorga, Marta Gil, Marcelo Medeiros; Staff do BM: Ricardo Silveira, Judy Heumann e Daniel Mont. Outubro 2005.

A Inclusão de Pessoas com Deficiências é Crucial para o Desenvolvimento Sustentável da América Latina e do Caribe”. https://www.worldbank.org/pt/news/press-release/2021/12/02/la-inclusion-de-las-personas-con-discapacidad-clave-para-el-desarrollo-sostenible-de-america-latina-y-el-caribe.

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