OPINIÃO – Deficiência: uma avaliação biopsicossocial

  • Por André Naves

A deficiência não é uma característica relativa à pessoa, mas sim às estruturas sociais. A verdadeira deficiência reside nas estruturas exclusivistas que foram construídas ao longo do tempo e que negam a plena participação de pessoas com deficiência na sociedade. É fundamental reconhecer as capacidades das pessoas com deficiência, que são impedidas de exercer seu potencial devido às barreiras impostas pelas estruturas sociais. Dessa maneira, a deficiência não é apenas relacionada a uma condição médica específica, mas sim ao convívio cotidiano com barreiras e obstáculos. Essas, podem ser originárias dos preconceitos mais diversos, incluindo aqueles relacionados à diversidade funcional.

Infelizmente, o senso comum ainda é defasado e eivado de vieses inconscientes. Persiste a visão de que a deficiência é um problema médico, quando na verdade ela é muito mais complexa do que isso. A essencialidade da deficiência está na análise das funcionalidades individuais, ou seja, na interação das características pessoais com as estruturas sociais. Para entender melhor a situação, é importante analisar não apenas os aspectos biológicos e psíquicos das pessoas com deficiência, mas também suas funcionalidades. Isso significa considerar a interação das características individuais com as estruturas sociais existentes. Em última análise, a verdadeira deficiência está nas estruturas sociais exclusivistas que negam a plena participação de pessoas com deficiência na sociedade.

É preciso reconhecer que a pessoa com deficiência enfrenta barreiras e obstáculos à sua plena inclusão social, e trabalhar coletivamente para reformar essas estruturas. Portanto, é preciso romper com o modelo de sociedade que exclui as pessoas com deficiência e construir uma sociedade verdadeiramente inclusiva e justa, onde a diversidade é valorizada e respeitada, ganhando o merecido protagonismo. Somente assim poderemos alcançar a plena inclusão e justiça social para todos. Essas estruturas, entretanto, devem ser moldadas pela ação individual, e nunca impostas parcialmente pelos poderes públicos. Resumindo, isso não pode ser imposto parcialmente pelos poderes públicos. A mudança deve ser uma ação individual, que se expande para a sociedade como um todo.

Cada indivíduo deve assumir a responsabilidade de reformar as estruturas sociais exclusivistas e lutar pela inclusão plena de pessoas com deficiência na sociedade.

*André Naves é Defensor Público Federal, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social; Mestre em Economia Política.

www.andrenaves.com

Compartilhe esta notícia:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Aviso de Direitos Autorais

Todos os direitos sobre os conteúdos publicados em todas as mídias sociais do Diário PcD, incluindo textos, imagens, gráficos, e qualquer outro material, estão reservados e são protegidos pelas leis de direitos autorais.
Todos os Direitos Reservados.
Nenhuma parte das publicações em todas as mídias sociais do Diário PcD devem ser reproduzidas, distribuídas, ou transmitidas de qualquer forma ou por qualquer meio, incluindo fotocópia, gravação, ou outros métodos eletrônicos ou mecânicos, sem a prévia autorização por escrito do titular dos direitos autorais, de acordo com a legislação vigente.
Para solicitações de permissão para usos diversos do material aqui apresentado, entre em contato por meio do e-mail jornalismopcd@gmail.com ou telefone 11.99699 9955.
A infração dos direitos autorais é uma violação de Lei Federal 9.610, passível de sanções civis e criminais.

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore