OPINIÃO – Educação Inclusiva: o que deve vir antes da capacitação

  • * Por Cláudia Moraes

As diversas notícias de maus-tratos recebidas por autistas nas escolas inclusivas brasileiras vistas todos os dias nos noticiários e nas redes sociais me fazem pensar e repensar sobre os motivos que levam o professorado a agir de formas às vezes cruéis com aqueles mais frágeis e que deveriam sim ser o foco de sua atenção e dedicação.

Quando se abre a discussão sobre o processo inclusivo na educação, sempre nos vem à mente de imediato, ou é assunto nas rodas de conversas, a necessidade de capacitação dos professores, o que, sem sombra de dúvida, é extremamente relevante e necessária, mas não é apenas isso que faz com que o processo inclusivo se dê de maneira eficiente. Existem tópicos anteriores que precisam ser interiorizados a fim de nortearmos a prática.

Ao concluímos o curso de magistério e depois o de pedagogia, fazemos os juramentos da profissão, e alguns então formandos não se apercebem da seriedade daquelas palavras proferidas e o quanto elas determinam a nossa prática, o nosso posicionamento profissional e ético ao longo da nossa carreira.
Resolvi então neste texto deixar registrados trechos dos dois juramentos para refletirmos todos sobre o papel do professor, que é primordial na engrenagem da educação de maneira ampla, e, a partir dessa autorreflexão, quem sabe possamos ser levados a melhores maneiras de atuar e a promover melhores momentos na vida escolar.

Trecho do juramento na colação de grau de magistério: “Prometo cumprir os deveres de professor, trabalhando com empenho e dedicação, no desenvolvimento integral de crianças e jovens cuja educação me for confiada”.

Na colação acadêmica: “Prometo, como pedagogo, respeitar e cumprir as normas e princípios éticos que norteiam o exercício de minha profissão, participando profissionalmente da construção do ser humano íntegro, da humanidade e da pátria. Prometo, no exercício da minha profissão, atuar com dignidade e consciência, na busca de uma educação libertadora, respeitando a individualidade de cada aluno. Assim, eu juro.”

Além dos conhecimentos que são fundamentais para o exercício da profissão de professor, devemos ter consciência de que lidamos com vidas humanas, de que as nossas ações diárias influem diretamente na formação das crianças, jovens e adultos do nosso país. Ou seja, aquilo que plantamos hoje é o que será colhido futuramente por toda a sociedade. A profissão de professor é sim a mais importante de todas, pois ela forma todos os outros profissionais; por isso, mais do que em qualquer outra profissão, o professor deve prezar agir com mais responsabilidade, conhecimento, consciência, ética, empatia e amor com aqueles que lhes são confiados.

  • * Profa. Cláudia Moraes é Vice-presidenta da ONDA-Autismo; Mestra em Educação; Especialista na Educação na Perspectiva do Ensino Estruturado; Pedagoga; Professora Especialista.

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