Para ANS, Planos de Saúde fecharam 2022 com ‘saldo negativo’

A saúde suplementar no Brasil vem crescendo com um aumento de pessoas contratando planos de saúde. Segundo a Agência Nacional de Saúde (ANS), o setor fecha 2022 com 50,5 milhões de beneficiários em planos de assistência médica.

Neste mesmo período, a ANS divulgou o balanço do 3º trimestre das operadoras de assistência médica de grande porte, onde registraram saldo negativo de R$ 2,5 bilhões. O impacto foi tanto que, ao mesmo tempo que o número de beneficiários aumentou durante o período de pandemia (2020 a 2022), a sinistralidade cresceu junto. De acordo com a agência, até o terceiro trimestre do ano passado, a cada R$ 100 recebidos pelas operadoras, R$ 88 foram destinados ao pagamento de exames, consultas, internações, medicamentos e cirurgias, o valor mais alto desde o primeiro trimestre de 2019.

As despesas assistenciais têm pressionado as contas das operadoras, mas também é fonte de preocupação de outros atores de saúde privada no Brasil. Especialistas encaram este problema como multifatorial e complexo. Entre os fatores, estão a elevação da quantidade de cirurgias eletivas, consultas médicas e outros procedimentos represados durante a pandemia, além do aumento expressivo dos custos de medicamentos, insumos e tecnologias — cada vez mais complexas e caras em decorrência do aumento do dólar e quebra nas cadeias produtivas — contribuíram de maneira significativa com esse cenário preocupante.

Não há apenas uma solução que resolva este cenário. Para especialistas, é preciso que haja diálogo entre as principais entidades da saúde suplementar com o novo Governo Federal, Congresso Nacional, ANS e o Poder Judiciário para que se encontrem caminhos de reorganização financeira, bem como alterações regulatórias e legislativas.


Para Newton Quadros, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Ambulatorial (SOBRACAM) e especialista em Gestão da Saúde “é preciso repensar a formatação do sistema privado de saúde na prática. Não podemos continuar a priorizar o modelo hospitalocêntrico e a oferta desregulada de serviços de saúde e esperar que a sinistralidade seja reduzida. Repensar o modelo significa educar a população sobre saúde, tratar de forma eficaz, dar o cuidado certo, no local certo, gerar valor para o paciente e garantir que o sistema seja sustentável no longo prazo”.

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