Projeto de Inclusão de Autistas na Igreja acolhe famílias e transforma vidas

Iniciativa promove integração de crianças com TEA em ambientes religiosos e inspira ações de apoio social em diversas comunidades

Idealizado por Jackeline Borges, Vera Lúcia e Samya Vanessa, o Projeto de Inclusão de Autistas na Igreja, iniciado em 2018, tem transformado a forma como crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias são acolhidas no ambiente religioso. A iniciativa, premiada com o terceiro lugar no Prêmio Inclusão em Neuroeducação Brasil 2024, da Rhema Neuroeducação, se destaca por capacitar voluntários, adaptar cultos e materiais e promover a empatia e a plena inclusão nas igrejas. 

Segundo Samya Vanessa, a motivação para iniciar o projeto surgiu com a chegada de uma mãe e seus dois filhos autistas. Inspiradas pela longa história de inclusão de surdos na igreja, as idealizadoras decidiram ampliar o acolhimento para famílias atípicas. “A inclusão é uma missão, por isso decidimos buscar capacitação em TEA, criamos simpósios e elaboramos materiais adaptados. Hoje, nosso trabalho inspira outras igrejas pelo Brasil e ajuda a conscientizar as comunidades sobre a importância da empatia”, explica.

Com cerca de 25 famílias assistidas, o projeto vai além das atividades religiosas. Encontros de pais, assistência financeira e jurídica, e iniciativas como o “Bolo no Pote” têm ajudado famílias a alcançar maior autonomia. “Cuidamos das famílias como um todo, porque sem suporte para os pais, tudo pode desmoronar. Já vimos histórias incríveis de transformação, como a de uma mãe com quatro filhos autistas que hoje sustenta sua família vendendo bolos graças ao projeto”, conta Samya.

A intenção do projeto é crescer ainda mais. Samya destaca a urgência de iniciativas inclusivas no Brasil, dado o crescimento no número de diagnósticos de TEA. “Nesse último censo, acredita-se que há entre 4,5 a 6 milhões de crianças autistas no Brasil. Até 2010, a estimativa era de 2 milhões, mas o número cresceu muito, principalmente depois da pandemia e de alguns outros fatores”, explica. 

Samya acredita que se cada igreja fizer sua parte, será possível atender a enorme demanda que não consegue ser atendida apenas pelo governo. “Nosso sonho é criar ONGs para ampliar nosso alcance e recursos, além de conscientizar mais pessoas sobre a importância da inclusão”, afirma.

Mara Duarte, gestora da Rhema Neuroeducação, destaca a relevância do Prêmio Inclusão em Neuroeducação Brasil, que reconhece iniciativas transformadoras como esta. “O prêmio busca valorizar projetos que geram impacto social, capacitando seus idealizadores como agentes de neuro-inclusão. Iniciativas como o Projeto de Inclusão de Autistas na Igreja mostram como é possível criar uma rede de acolhimento que transforma vidas”, ressalta.

Para Mara, o Projeto de Inclusão de Autistas na Igreja ajuda a integrar crianças e famílias ao ambiente religioso e também fortalece a inclusão social em um nível mais amplo. “Uma iniciativa como essa é um exemplo de como pequenas ações, somadas, podem gerar impactos profundos e duradouros”, finaliza. 

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