Projeto Taekwondo para todos une crianças típicas e atípicas através do esporte

A iniciativa, que acontece em Pernambuco, proporciona benefícios físicos, emocionais e sociais para pessoas neurotípicas

A Ilha de Itamaracá, localizada em Pernambuco, é o berço de uma relevante iniciativa de inclusão por meio do esporte, conhecida como “Projeto Taekwondo para Todos”. O projeto se destacou ao ser o grande vencedor do Prêmio Inclusão em Neuroeducação Brasil, promovido pela Rhema Neuroeducação,  premiação que teve como objetivo reconhecer e valorizar iniciativas que geram significativo impacto social em todo o país.

Idealizado pelo Grão-Mestre Ismael Paiva, a iniciativa voluntária proporciona benefícios físicos, emocionais e sociais para pessoas neurodivergentes e neurotípicas. Ele conta que pratica Taekwondo desde os 8 anos de idade e percebe a importância da prática esportiva para todas as idades. Entretanto, acredita que o primeiro erro é alguém olhar as crianças de forma diferente ou julgando limitações. “Nenhuma criança  deveria precisar ser incluída, pois o primeiro erro é  olhar para cada uma delas de forma diferente”, diz. 

O projeto Taekwondo para todos começou a ganhar forma quando Ismael recebeu um aluno que poderia ser autista não verbal. “A mãe me falou que nenhuma academia o aceitava por não falar, então resolvi aceitá-lo. Percebi que o que faltava era estímulo, ele não estava no espectro autista. Porém, adiante, recebi um aluno com laudo suporte 3, indicando dificuldades graves no dia a dia, e aí foi um desafio, pois não sabia o que fazer e fui procurar os cursos de curta duração da Rhema. Foram quase 50 palestras assistidas até iniciar a pós. E vendo o resultado do Taekwondo como intervenção  possível, criei o Taekwondo  para todos, sempre com turmas mistas, ou seja, típicos e atípicos juntos”, conta.

Ismael defende que o esporte é um poderoso motivador para todas as crianças, independentemente de suas condições, ajudando-as a superar desafios pessoais. “Por exemplo, ao repetir movimentos até alcançar a execução perfeita, percebemos os benefícios significativos para a memória motora e muscular. Esse processo não apenas aprimora a habilidade física, mas também promove um profundo autoconhecimento. As crianças aprendem a entender seus próprios corpos, reconhecendo suas limitações e celebrando suas conquistas”, explica o Grão-Mestre.

De acordo com Ismael, apesar do Taekwondo parecer ser um esporte individual, trata-se de um esporte coletivo, pois a disciplina e o espírito de colaboração entre os colegas de aula, levam a criança a uma socialização espontânea, pouco vista em outros ambientes. “É  justamente isso que toda criança precisa: socialização,  seja na escola, em casa, na igreja, na academia ou em outros lugares”, avalia.

Expansão para 15 escolas municipais 

O fundador do projeto conta que, quando iniciou as atividades, muitas mães se uniram e conseguiram fazer com que a iniciativa chegasse a cerca de 180 crianças atípicas. “Tendo em vista a necessidade da inclusão  e socialização, a secretaria de educação levou o Taekwondo para todos para as 15 escolas municipais do município”, diz Ismael.

Ismael conta que o objetivo do Projeto estar nas escolas é desenvolver a disciplina, o respeito aos professores e pessoas mais velhas e também a inclusão. “Elas fazem as atividades juntas com toda a turma. Ou seja, estão em um ambiente familiar e acolhedor e se sentem bem mais seguras para desenvolver as atividades”, afirma. 

O Grão-Mestre acredita que o país necessita de milhares de projetos focados primeiramente nas crianças e, em seguida, em suas características únicas. “Meu sonho é que alcancemos um dia em que a inclusão não precise ser reivindicada, pois ela é um direito e um dever de todos os cidadãos. Enquanto a inclusão for um tema de debate, ainda teremos questões a serem corrigidas em nossa sociedade”, conclui ele.

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