Repensar padrões é a chave para liderar equipes diversas

OPINIÃO

  • * Por Carolina Ignarra e Katya Hemelrijk

Em 21 de setembro celebramos o “Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência” e esse é o momento para trazer a discussão sobre a importância da gestão assumir a construção de um ambiente de trabalho mais inclusivo e produtivo. Já não basta só contratar as pessoas com deficiência, por exemplo, motivadas pelo cumprimento de cotas. Estamos fazendo isso há um bom tempo e não tem funcionado. Um dos sintomas é perceber que pessoas com deficiência não são promovidas mundo do trabalho. É necessário incluí-las de fato e ir além da contratação, e isso é sim uma responsabilidade compartilhada com a liderança direta.

As lideranças têm um papel crucial na carreira da pessoa com deficiência. Elas são responsáveis pelo desenvolvimento e inclusão de todas as pessoas em suas equipes. É uma meta contínua e efetiva para a criação de um ambiente seguro e acolhedor para as pessoas, com ou sem deficiência. Afinal, sabemos que ambientes acessíveis para a pessoa com deficiência tornam-se acessíveis para outras pessoas também e isso se reflete em uma série de benefícios para a empresa.

Dessa forma, a DE&I gera valor para o negócio, contribui para a inovação, melhora a qualidade da força de trabalho, aumenta a retenção dos profissionais. Porém, isso não vai acontecer só por meio da contratação. As pessoas que representam grupos minorizados precisam estar de fato incluídas e pertencentes.

Ainda existe a cobrança da alta direção nas empresas por resultados e retornos dos investimentos feitos em DE&I. E como é possível, mesmo depois de 30 anos da criação da Lei de Cotas, a gente ainda ter a percepção de que não conseguimos medir o resultado? Ao medir, entendemos que as pessoas com deficiência, por exemplo, não crescem em suas carreiras profissionais. Cerca de 60% delas nunca foi promovida. Sinal de que as empresas e suas pessoas não estão atentas a isso.

Ao final do dia, o retorno dos investimentos em DE&I tem a ver com a importância que as corporações dão a essa temática. Se a empresa não coloca esse tema em suas estratégias, ela não tem uma boa governança. Se não tem governança, ela não verá resultado. Quem dá a devida importância a essa pauta já tem conseguido medir, agir e colher frutos.

A pesquisa “Diversidade, equidade e inclusão nas organizações”, realizada pela Deloitte, destaca uma alta nas taxas que medem a percepção sobre os impactos positivos das DE&I as empresas, de 2022 para 2023. Sobre a afirmação de que um ambiente inclusivo é mais acolhedor, o total de pessoas que concorda saltou de 87% para 96% no período.

Também aumentou de 84% para 94% das pessoas entrevistadas que acreditam que as empresas que atuam em DE&I geram valor aos negócios. Além disso, as taxas sobre contribuição para inovação e aumento de retenção de profissionais também cresceram respectivamente de 81% para 89% e de 69% para 90%.

Por isso, é necessário desenvolver lideranças que entendam e “destravem” as barreiras que atrapalham o desenvolvimento de carreira das pessoas com deficiência. A liderança é responsável por reconhecer os potenciais e as “travas” dos profissionais com deficiência para que juntos construam uma carreira de sucesso. Para ajudar as lideranças nessa direção, vale seguir algumas dicas:

  1. Se permita não saber e estar aberto ao aprendizado contínuo;
  2. Conheça o capacitismo e entenda seus impactos na vida da pessoa com deficiência que você lidera;
  3. Nada sobre nós sem nós – construa tudo que for necessário para impactar as pessoas com deficiência do time junto com elas; garantindo que nada seja decidido sem a participação delas;
  4. Repense os padrões estabelecidos e questione as crenças que limitam a DE&I;
  5. Prepare a equipe para conviver com a diversidade, oferecendo suporte e acolhimento;
  6. Não normalize a deficiência – ignorar a deficiência não é inclusão. Quem ignora não inclui. Fale e entenda sobre deficiência com proatividade e naturalidade;
  7. Conhecer mais sobre a deficiência das pessoas da equipe facilita entender mais sobre o ser humano;
  8. Acompanhe e colabore com o desenvolvimento de carreira da pessoa com deficiência.

Por fim, encorajamos todas as lideranças a se tornarem agentes de mudança em suas organizações, promovendo uma cultura de inclusão que beneficie a todas as pessoas. Assim, construiremos ambientes de trabalho mais justos e produtivos para todos. Para quem quer mais resultados com inclusão, o segredo é desenvolver uma liderança inclusiva produtiva, repensar os padrões e construir um futuro promissor para todas as pessoas.

Sobre Carolina IgnarraCEO e sócia-fundadora da Talento Incluir

Carolina Ignarra é CEO e sócia fundadora do Grupo Talento, ecossistema que reúne 3 negócios sociais: Talento Incluir, Talento Sênior e UinStock. É Top Voice do LinkedIn e está entre as 20 mulheres mais poderosas do Brasil, eleita pela revista Forbes em 2020. Em 2018, foi eleita a melhor profissional de Diversidade do Brasil segundo a revista Veja. Foi uma das mulheres convidadas para NGO CSW Forum, organizado pela Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW) da ONU (Organização das Nações Unidas) em 2024.

É líder do comitê de inclusão de pessoas com deficiência da ABRH SP, colunista da revista Gestão RH e do Meio & Mensagem (Women to Watch), conselheira da Integrare e da APP (Associação de Profissionais de Propaganda). Já incluiu aproximadamente 9 mil profissionais com deficiência em mais de 800 empresas por todo o Brasil e América Latina.

Também é palestrante em importantes congressos e eventos sobre o tema, como: CONARH 2023, Women to Watch, Women on Top, Gupy Connect, HR Results, Kennoby Talks, CBTD (Congresso Brasileiro de Treinamento e Desenvolvimento), RH Congresso.

Autora dos livros: “Manual Anticapacitista” com Billy Saga, “INCLUSÃO – Conceitos, histórias e talentos das pessoas com deficiência” (disponível para download no site da Talento Incluir) e “Maria de Rodas – delícias e desafios na maternidade de mulheres cadeirantes”. É co-autora do livro “Diversidade e Inclusão e suas dimensões” e personagem do documentário internacional FIVE, patrocinado pela Mastercard, que conta histórias de mulheres empreendedoras sociais ao redor do mundo. Ver documentário

É cocriadora dos Jogos Cooperativos: “Em tempo” – que propõe a diversidade na prática; “Árvore da Diversidade” – que permite que aos participantes discutam diferentes temas e situações, na busca de soluções coletivas; e “Voo da Inclusão” – desenvolvido para fortalecer o conhecimento sobre atendimento às pessoas com deficiência.

LinkedIn: Carolina Ignarra

Sobre Katya Hemelrijk – CEO da Consultoria Talento Incluir

Katya Hemelrijk é CEO da Consultoria Talento Incluir, pioneira no país com soluções focadas nos pilares de D&I Conscientização, Contratação, Carreira e Acessibilidade e Consultoria Estratégica de Marketing e Comunicação para pessoas com deficiência.

Formada em Administração de Empresas, Katya Hemelrijk tem especialização em Neurociência do Consumo e é certificada como Coach Internacional pelo ICC. É uma mulher com deficiência, que nasceu com a Osteogênese Imperfeita. Em sua trajetória profissional, traz uma bagagem corporativa e de empreendedorismo de mais de 20 anos, sendo 12 como líder de comunicação na Natura. É também palestrante, atriz e coautora do livro “Maria de Rodas” e Diversidade e inclusão e suas dimensões – Volume II.

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