Representante da Amil admite corte de 34 mil contratos de planos de saúde a comissão da Alesp

Operadora nega fazer “seleção de risco”, diz não considerar autistas pessoas em tratamento e afirma que cancelamentos já feitos não serão revertidos

O vice-presidente de Relações Institucionais da Amil, Renato Casarotti, admitiu nesta terça-feira (28) o cancelamento de 34 mil apólices de pessoas seguradas pela operadora. O executivo negou que a empresa faça “seleção de risco” ao decidir pelos cortes, afirmou que “90% dizem respeito a pessoas que não estão em tratamento“ e informou que a Amil não classifica pacientes no Transtorno do Espectro Autista (TEA) como pacientes em tratamento.

Casarotti afirmou ser “absolutamente inviável” do ponto de vista operacional reverter os cancelamentos já efetuados até aqui, à exceção dos que obtiveram liminar, ao ser indagado pela comissão se atenderia decisão anunciada hoje pelo presidente da Câmara, deputado federal Arthur Lira (PP-AL), após reunião com as operadoras de planos de saúde em Brasília. De acordo com ele, “operacionalmente” seria inviável reverter todos esses cancelamentos, efetuados em todo o país. Por outro lado, disse que cancelamentos “programados” para acontecer estão suspensos por conta do acordo efetuado com a Câmara, mas desconversou ao ser indagado pela comissão se cortes já efetuados poderiam ser ressarcidos caso a operadora identificasse algum tipo de erro na medida.

“Não sei dizer (se haverá indenização a cancelamentos irregulares); é uma boa pergunta. Tenho (licença na) OAB, mas é muito fajuta para eu responder isso“, desconversou.

Para a presidente da comissão, deputada estadual Andréa Werner (PSB), as explicações do representante da Amil deixaram mais dúvidas que necessariamente esclarecimentos.

“O vice-presidente alegou que a empresa não faz seleção de risco, mas o fato é que as quase 250 denúncias que recebemos contra essa mesma operadora em nosso gabinete, só de cancelamentos unilaterais, se referem exclusivamente a pessoas em tratamento — de pessoas em tratamento de doenças graves, como câncer, a pessoas autistas, as quais, surpreendentemente, não são consideradas para a Amil pacientes em tratamento”, afirma a deputada.

“Falta coerência por parte da operadora, uma vez que, se ela assume que faz os cancelamentos com base em alta sinistralidade, afeta pessoas com uma condição de saúde que exige tratamento contínuo. Além disso, ela afirma não individualizar se um paciente é autista ou não, mas sabe quais médicos que prescrevem quantas horas específicas de tratamento a determinado paciente”, observa.

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