Roda Viva poderia ter contribuído mais com a ciência e com a pesquisa da Polilaminina

Roda Viva poderia ter contribuído mais com a ciência e com a pesquisa da Polilaminina - OPINIÃO - * Por Abrão Dib

OPINIÃO

  • * Por Abrão Dib

A recente participação da pesquisadora Tatiana Sampaio no programa Roda Viva trouxe à tona não apenas o conteúdo científico inovador sobre a polilaminina, mas também a necessidade de refletirmos sobre a postura e a forma como tratam profissionais respeitáveis e comprometidos com a ciência.

Sampaio se apresentou de forma cordial e educada, demonstrando paciência mesmo diante de perguntas inadequadas, o que suscitou questionamentos sobre o papel da mídia na representação de cientistas e do discurso científico. Alguns questionaram se ela não deveria dedicar mais tempo às pesquisas. Acho que sim, mesmo porque o tempo em que ela permaneceu na TV Cultura poderia mesmo ter sido dedicado às pesquisas e à ciência, coisa que ela faz há muito tempo.

Durante a entrevista, notou-se uma abordagem em que buscavam desvalorizar o trabalho da pesquisadora, utilizando perguntas e provocações que pareciam mais voltadas para gerar polêmica do que para contribuir com um debate construtivo.

Essa postura não apenas ofuscou as informações científicas que poderiam ser compartilhadas, mas também desconsiderou a importância da pesquisa em um campo que já enfrenta diversos desafios.

Tatiana Sampaio é um exemplo de resiliência e competência em sua área.

Seu comportamento sereno e respeitoso diante das provocações é admirável, mas é preocupante que a necessidade de manter a compostura recaia sobre ela, enquanto a responsabilidade de promover um diálogo produtivo parece ignorada por parte de alguns participantes do programa. Ernesto Paglia, o moderador, até tentou evitar momentos de desconforto, mas não teve muito sucesso.

Pesquisadores como Sampaio deveriam ter seu tempo e sua expertise respeitados, para que possam focar no que realmente importa: a pesquisa e a busca por soluções eficazes com o tratamento da Polilaminina.

Programas de entrevistas, especialmente aqueles voltados para a ciência e tecnologia, têm um papel fundamental na promoção do conhecimento e no esclarecimento de temas importantes para a sociedade.

Ao privilegiar perguntas que não acrescentam ao debate — e que, muitas vezes, parecem mais sensacionalistas do que informativas — alguns convidados do Roda Viva falharam em utilizar a oportunidade para o bem maior.

Em vez de fomentar um diálogo construtivo, a abordagem de alguns entrevistadores contribuiu para a desinformação e para a percepção errônea sobre a pesquisa científica.

A mídia tem o poder de influenciar a opinião pública e de moldar a percepção sobre a ciência e seus profissionais.

Quando se dá espaço a entrevistas que não priorizam o respeito e a seriedade da pesquisa científica, corre-se o risco de alimentar uma cultura de desconfiança e de desvalorização do trabalho dos pesquisadores. Essa não é apenas uma questão de respeito individual à dra Tatiana Sampaio, mas uma questão que impacta a credibilidade da ciência como um todo.

É essencial que o público e os profissionais da mídia reconheçam o valor das contribuições científicas e a importância de tratar os pesquisadores com dignidade e respeito.

Tatiana Sampaio, como uma líder em sua área, deve ser ouvida com atenção, e suas respostas devem ser exploradas de maneira a enriquecer o conhecimento coletivo.

Ao invés de provocar polêmicas vazias, o Roda Viva e seus entrevistadores deveriam se comprometer a fomentar um ambiente de diálogo construtivo, que valorize o tempo e o esforço de quem dedica a vida à pesquisa e ao progresso da ciência.

A sociedade merece esse respeito e, mais importante, as pesquisas precisam do espaço e da seriedade que o compromisso científico exige.

Foto: Nadja Kouchi | Acervo TV Cultura

  • Abrão Dib é presidente da ANAPcD – Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência

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