Sexualidade é discutido em talk show sobre esclerose múltipla

Com o objetivo de aumentar o diálogo, fornecer mais informações sobre sexualidade e saúde na esclerose múltipla (EM), doença autoimune que acomete o sistema nervoso central (cérebro e medula), mais prevalente em pacientes jovens, entre 20 e 40 anos¹, a Biogen Brasil, empresa de biotecnologia com foco em neurociência, lança o Fala Múltipla 2.0: sexualidade e saúdetalk show educativo que está em sua segunda edição. “O Fala Múltipla nasceu para reforçar a importância de promover debates relevantes sobre assuntos que fazem parte da rotina de quem vive e de quem cuida de pessoas com esclerose múltipla. Falar sobre sexualidade ainda é tabu para muitas pessoas — e para quem tem EM, não é diferente. Estudos mostram que cerca de 80% dos pacientes terão alguma disfunção sexual ao longo da doença, por exemplo. Por isso, mais do que nunca, precisamos falar sobre sexualidade”, explica Rogerio Frabetti, gerente-geral da Biogen Brasil.

Moderado pela psicóloga clínica e especialista em educação sexual, Laura Muller a iniciativa conta com a participação dos neurologistas especializados em esclerose múltipla, Herval Neto e Mateus Boaventura, da fisioterapeuta pélvica especializada em reabilitação de disfunções sexuais femininas, Ana Gehring (@vaginasemneura), bem como da Bruna Rocha, vice-presidenta da associação de pacientes, Amigos Múltiplos pela Esclerose (AME), diagnosticada com EM há 22 anos.

“O diagnóstico de EM é feito, por muitas vezes, no auge físico e cognitivo dos pacientes. Muitas dúvidas são levadas para as consultas, e entre elas, as possíveis mudanças que podem ocorrer no cotidiano. É importante entender que, para um jovem, a saúde está intrinsecamente ligada a sexualidade. É um tema que deve ser discutido não só com os pacientes, mas também com profissionais da saúde e público amplo. Os estigmas relacionados à EM devem ser combatidos para que não haja constrangimento ou fator impeditivo para se buscar informações”, reforça o neurologista Herval Neto.

Entre outros temas, o talk show aborda os principais desafios para quem tem EM: comprometimento da libido, disfunção erétil, incontinência urinária, lubrificação reduzida e dispareunia (sensação de desconforto ou dor durante o ato sexual).

O neurologista, Mateus Boaventura,explica como a esclerose múltipla pode ocasionar disfunção sexual. “Como o dano no sistema nervoso central pode impedir quem tem a doença de ter sensações e levar algumas mensagens elétricas até a genitália, a pessoa com EM pode perder a libido, a sensação da região genitália, ter redução da lubrificação vaginal, redução da chegada ao orgasmo e, no caso dos homens, ter disfunção erétil e dificuldade de ejaculação. Contudo, é importante ressaltar que existem estratégias para lidar com essas questões. É possível mapear outras fontes de prazer e sensações, e tirar alguns tabus”.

No talk showAna Gehring também esclareceu como a fisioterapia pélvica pode ajudar quando o assunto é sexualidade. “Para além da doença, precisamos nos conhecer. Nos olhar no espelho, nos tocar. Entender o que nos desperta desejo. Esses são os primeiros exercícios, que nos ajudam a entender se realmente é um sintoma ou se há algum aspecto relacionado ao “pânico do diagnóstico” afetando a resposta do corpo. Ao identificar o problema, conseguimos traçar um plano de exercícios de musculatura específico para cada paciente”.

Fertilidade e planejamento familiar também foram temas de destaque no Fala Múltipla — sexualidade e saúde. “Eu fui diagnosticada com esclerose múltipla aos 14 anos de idade. Hoje, além de paciente, sou mãe do Francisco, de 6 anos. A parceria com a minha neurologista e obstetra foi o grande diferencial. Ter uma família sempre foi uma vontade (minha e do meu marido), e assim que entrei em uma fase estável da EM, conversei com minhas médicas, que passaram todas as orientações e me tranquilizaram. É possível gestar em segurança com acompanhamento médico” finaliza Bruna Rocha.

talk show está dividido em 3 blocos e está disponível, gratuitamente, no CLEO, aplicativo pensado para otimizar a rotina de quem tem EM – um grande aliado quando o assunto é cuidado e bem-estar. A iniciativa também conta com uma série voltada para a classe médica e profissionais de saúde, que está disponível no BiogenLinc, plataforma da Biogen dedicada exclusivamente aos profissionais da saúde.

Sobre a esclerose múltipla[1][2][3]: é uma doença que compromete o sistema nervoso central, um processo de inflamação crônica de natureza autoimune que pode causar desde problemas momentâneos de visão, falta de equilíbrio até sintomas mais graves, como cegueira e paralisia completa dos membros. A doença está relacionada à destruição da mielina — membrana que envolve as fibras nervosas responsáveis pela condução dos impulsos elétricos no cérebro, medula espinhal e nervos ópticos. A perda da mielina pode dificultar e até mesmo interromper a transmissão de impulsos. A inflamação pode atingir diferentes partes do sistema nervoso central, provocando sintomas distintos, que podem ser leves ou severos, sem hora certa para aparecer. A doença geralmente surge sob a forma de surtos recorrentes, sintomas neurológicos que duram ao menos um dia. A maioria dos pacientes diagnosticados são jovens, entre 20 e 40 anos, o que resulta em um impacto pessoal, social e econômico considerável por ser uma fase extremamente ativa do ser humano. A progressão, a gravidade e a especificidade dos sintomas são imprevisíveis e variam de uma pessoa para outra. Algumas são minimamente afetadas, enquanto outras sofrem rápida progressão até a incapacidade severa. É uma doença degenerativa, que progride quando não tratada. É senso comum entre a classe médica que, para controlar os sintomas e reduzir a progressão da doença, o diagnóstico e o tratamento precoce são essenciais.

Referências


[1] Neeta Garg1 & Thomas W. Smith2. An update on immunopathogenesis, diagnosis, and treatment of multiple sclerosis. Barin and Behavior. Brain and Behavior, 2015; 5(9)

[2] Noseworthy JH, Lucchinetti C, Rodriguez M, Weinshenker BG. Multiple sclerosis. N Engl J Med. 2000;343(13):938–52.

[3] Cristiano E, Rojas J, Romano M, Frider N, Machnicki G, Giunta D, et al. The epidemiology of multiple sclerosis in Latin America and the Caribbean: a systematic review. Mult Scler. 2013;19(7):844–54.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Aviso de Direitos Autorais

Todos os direitos sobre os conteúdos publicados em todas as mídias sociais do Diário PcD, incluindo textos, imagens, gráficos, e qualquer outro material, estão reservados e são protegidos pelas leis de direitos autorais.
Todos os Direitos Reservados.
Nenhuma parte das publicações em todas as mídias sociais do Diário PcD devem ser reproduzidas, distribuídas, ou transmitidas de qualquer forma ou por qualquer meio, incluindo fotocópia, gravação, ou outros métodos eletrônicos ou mecânicos, sem a prévia autorização por escrito do titular dos direitos autorais, de acordo com a legislação vigente.
Para solicitações de permissão para usos diversos do material aqui apresentado, entre em contato por meio do e-mail jornalismopcd@gmail.com ou telefone 11.99699 9955.
A infração dos direitos autorais é uma violação de Lei Federal 9.610, passível de sanções civis e criminais.

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore