Turismo acessível: inclusão que movimenta pessoas e economias

Turismo acessível: inclusão que movimenta pessoas e economias OPINIÃO - * Por Geraldo Nogueira

OPINIÃO

  • * Por Geraldo Nogueira

O processo de inclusão social passa também pela garantir de que todas as pessoas possam viajar com autonomia, segurança e conforto. O turismo acessível vem ganhando espaço nas pautas globais e se apresenta como um setor estratégico tanto do ponto de vista social quanto econômico.

Turismo acessível é aquele que considera as necessidades de pessoas com deficiência, mobilidade reduzida, idosos, gestantes, crianças de colo ou pequenas e até pessoas em recuperação temporária. Isso implica em acessibilizar ou adaptar todo o percurso turístico – transporte, hospedagem, atrações, alimentação e atendimento – para garantir acesso universal. Mas acessibilidade não é apenas instalar rampas ou banheiros acessíveis. Envolve também sinalização adequada, comunicação em múltiplos formatos, capacitação de equipes e atitudes inclusivas. É permitir que todos vivenciem experiências turísticas completas, sem barreiras físicas ou atitudinais.

Socialmente, o turismo acessível fortalece direitos, promove autonomia, independência e amplia o pertencimento social de grupos historicamente marginalizados. Ele também contribui para a construção de cidades e destinos mais humanizados e empáticos.

Economicamente, trata-se de um mercado com enorme potencial. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 1 bilhão de pessoas vivem com alguma deficiência. E este público raramente viaja sozinho: costuma estar acompanhado por familiares, amigos ou cuidadores, o que multiplica o impacto financeiro do turismo desse segmento social. Devemos considerar ainda que os destinos acessíveis são mais resilientes, diversos e preparados para atender um público mais amplo, incluindo turistas da terceira idade, um segmento que cresce em todo o mundo.

A Austrália é amplamente reconhecida como um dos países mais avançados em turismo acessível. Além de infraestrutura adaptada nas principais cidades e atrações turísticas, o país investe fortemente em capacitação, políticas públicas integradas e promoção de destinos inclusivos. O governo australiano também disponibiliza guias e plataformas online para ajudar turistas com deficiência a planejar suas viagens com segurança e autonomia. É um modelo que alia inclusão com planejamento estratégico de turismo.

O Brasil possui uma das legislações mais avançadas, como a Lei Brasileira de Inclusão – LBI (Estatuto da Pessoa com Deficiência) e normas técnicas da ABNT voltadas à acessibilidade. O programa federal Turismo Acessível, criado pelo Ministério do Turismo, mapeia e certifica destinos com boas práticas de inclusão. No entanto, os desafios para consolidar uma cultura de acessibilidade são grandes. A realidade brasileira ainda é marcada por desigualdade regional, falta de fiscalização, capacitação limitada e pouca integração entre os setores público e privado. Em destinos como São Paulo, Brasília e Curitiba é possível encontrar boas práticas e iniciativas privadas voltadas à inclusão. Contudo, ainda falta padronização e investimento contínuo para que o turismo acessível deixe de ser exceção e se torne regra.

A acessibilidade deve ser vista como um caminho possível e necessário, um direito de todos, e não como um diferencial de mercado. Incluir é também inovar, acolher e ampliar horizontes. O turismo acessível não é apenas um nicho, é uma oportunidade concreta de transformar o setor em um espaço mais justo, próspero e sustentável.

Para alcançar esse objetivo, é fundamental que governos, empresas, profissionais de turismo e a sociedade como um todo estejam engajados. Pensando nessa importância, a Turismo News inaugura esta coluna dedicada exclusivamente ao turismo acessível, onde serão abordados suas múltiplas dimensões e desafios. Sendo esta mais uma forma de contribuir com a expansão e o fortalecimento do setor no Brasil. Afinal, destinos verdadeiramente inclusivos não beneficiam apenas uma parcela da população, mas a todos nós.

*Geraldo Nogueira é Superintendente de Ações para Pessoas com Deficiência da Subsecretaria de Políticas Inclusivas do Estado e Diretor da Diretoria da Pessoa com Deficiência da OAB.RJ.

Artigo originalmente publicado em www.turismonews.tur.br

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