Você sabe o que é “lugar de fala” e “lugar sobre a fala”?

Você sabe o que é "lugar de fala" e "lugar sobre a fala"? OPINIÃO - * Por Thais Pessanha

OPINIÃO

  • * Por Thais Pessanha

Imagino que você já deva ter ouvido esses termos, mas você sabe o que significam? Quais as diferenças?

É comum vermos os termos “lugar de fala” e “lugar sobre a fala” sendo usados como se fossem sinônimos, mas eles têm significados distintos e compreender essa diferença é essencial para construirmos diálogos mais respeitosos, inclusivos e transformadores.

“Lugar de fala” diz respeito à vivência direta de uma pessoa dentro de uma realidade social específica. É o conhecimento construído a partir da experiência direta. Um exemplo: uma pessoa com deficiência que vive o capacitismo estrutural tem lugar de fala quando aborda esse tema, pois fala a partir da própria vivência, ou até mesmo a mãe de uma criança autista.

Já uma pessoa que estuda esses temas e busca compreender seus impactos sociais, culturais e políticos está atuando a partir do “lugar sobre a fala”. É um papel essencial, especialmente se exercido com escuta ativa, responsabilidade ética e compromisso com a transformação social. Por exemplo: uma pessoa que tem uma Pós em Comunicação, Diversidade e Inclusão nas Organizações tem lugar sobre a fala, ou seja, um espaço legítimo de expressão baseado em estudo, pesquisa e escuta sobre grupos e vivências que talvez não façam parte da trajetória pessoal de quem estudou.

Importante destacarmos que não existe uma perspectiva melhor ou mais importante do que a outra. Ambas importam e muito! E devemos lembrar que não é porque uma pessoa tem “lugar de fala”, isto é, vive a realidade daquele grupo sub-representado de perto, que ela automaticamente terá o “lugar sobre a fala”, ou seja, o letramento técnico sobre o tema. Daí a importância de nos capacitarmos continuamente!

Agora, quando alguém vive E estuda esses temas — por exemplo, uma pessoa com deficiência que também fez uma pós em acessibilidade — essa pessoa tem uma voz potente que une prática e teoria, pessoal e coletivo, emocional e racional — com profundidade e empatia.

Em um mundo que precisa de mais escuta e menos julgamento, saber de onde se está falando e como se está escutando é um exercício contínuo de consciência e empatia.

E você? Já tinha refletido sobre esses dois conceitos? Me conta aqui nos comentários: como esses entendimentos aparecem nas suas vivências e trocas profissionais?

ARTIGO ORIGINALMENTE PUBLICADO EM

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  • * Thais Pessanha é Agile Master e Professional Scrum Master | Especialista em Diversidade, Equidade e Inclusão | Acessibilidade | Escritora e Curadora Literária | Palestrante | Professora

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