23 de novembro – Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil

O dia 23 de novembro é mais do que um dia no calendário. É o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil (DNCCI), uma data para lembrar, unir forças e, acima de tudo, celebrar histórias de superação. Uma dessas histórias é a de Giulia, hóspede do Programa Casa Ronald McDonald que, aos 12 anos, viu sua vida se transforma após uma queda inocente na escola.

O que, inicialmente, parecia apenas um incidente corriqueiro, logo se revelou como um desafio muito maior. Após persistentes dores e uma ida ao hospital, veio o diagnóstico que mudaria tudo: “Isso com toda certeza é um tumor ósseo”, disse a médica. Foi nesse momento em que ela enfrentou o impacto do câncer, inicialmente sem compreender a magnitude da batalha que iria enfrentar.

“Quando ouvi pela primeira vez aquela palavra, câncer, eu era só uma criança que gostava de brincar, aprender e ler. Eu nem sabia o que aquilo significava, mas vi minha mãe chorar, e naquele momento, a vida como eu conhecia mudou para sempre.”

Desafios e superando obstáculos

Os 8 anos de tratamento foram repletos de desafios, com momentos particularmente difíceis. Um deles foi o resultado de uma biópsia, onde Giulia viu sua mãe desabar na sua frente. “Ela estava aos prantos, e eu não estava entendendo o porquê. Ela se acalmou o suficiente para falar que a gente precisava ir para São Paulo ou eu morreria se ficasse ali.” Essa cena marcou Giulia, mas também a impulsionou a enfrentar os desafios que estavam por vir, como quando ela soube que precisaria colocar uma prótese na perna.

Apesar da alegria por evitar a amputação, a perspectiva de não poder correr novamente a abalou. Foi então que Giulia fez uma promessa a si mesma: recuperar todos os movimentos possíveis da perna. Essa determinação a impulsionou durante a recuperação, evidenciando sua resiliência.

Apaixonada por ciências desde a infância, ela sonhava inicialmente em ser bióloga. No entanto, durante o seu tempo na Casa Ronald McDonald Moema ela descobriu que podia juntar a paixão pelos animais e a medicina, e hoje cursa veterinária. A escola móvel, com professores dedicados, também foi essencial para manter seus estudos durante o tratamento.

“Mas meu maior incentivo, de fato, foi a escola móvel. Onde havia vários professores extremamente talentosos e inteligentes que sempre estiveram comigo me apoiando e dando suporte em qualquer coisa que eu precisasse em relação aos meus estudos”, diz a grata Giulia.

Ao lidar com as dificuldades do tratamento e os desafios acadêmicos em duas faculdades, Giulia enfrenta, principalmente, as sequelas físicas. Com uma endoprótese de fêmur total, ela lida com a dor e a fadiga, mas sua força de vontade a impede de desistir. “Minha única resposta é que eu tenho fé. Minha fé me ajuda todo dia a levantar e prosseguir com meu dia”, afirma a jovem que agradece aos amigos, à família e, principalmente à sua mãe.

“Minha mãe é uma força da natureza, sempre se esforçou para dar um futuro melhor para os filhos e é por ela que eu faço tudo isso, para poder dar um futuro melhor tanto para ela, quanto para mim mesma. Ter o apoio de cada um que se importa, nem que seja minimamente por mim, faz com que tenha certeza do que eu quero, certeza dos meus planejamentos futuros”.

Respeitar o seu tempo e sua vulnerabilidade em momentos difíceis

“Tenho minhas fraquezas, e essas fraquezas fazem com que pensamentos negativos criem raízes na minha cabeça, sinto como se todo aquele esforço fosse em vão. Perdi amigos que estavam vivendo sua vida normal quando o câncer veio. Mas são eles que vêm a minha cabeça quando penso em desistir, pois mesmo estando naquele estado não perderam a fé por nenhum momento”, relata Giulia, que continua:

“Então é isso que me mantém de pé todo o dia. Desafios sempre vamos ter, mas o importante é que sem luta, não há vitória e eu vou fazer de tudo para conseguir”.

Quando as coisas ficam mais complicadas e o estresse e cansaço tomam conta, Giulia, que hoje tem 20 anos, tem estratégias para se manter firme nos estudos e no tratamento.

A jornada de Giulia é marcada por aprendizados significativos. Ela descobriu que, mesmo diante de problemas aparentemente insuperáveis, a fé e a confiança são fundamentais. Seu futuro é repleto de sonhos, desde ter uma clínica veterinária até contribuir para a descoberta da cura do câncer. Giulia fala o tempo todo de gratidão, seja pela sua jornada, pelas pessoas ao seu redor e instituições que a apoiaram, destacando a importância da Casa Ronald McDonald Moema em sua vida. A sua história é um testemunho de resiliência, esperança e a força imparável da vontade de viver.

Sobre a Jornada da Família:

Fundado em 1999, o Instituto Ronald McDonald trabalha para promover esperanças para crianças e adolescentes com câncer a partir da estratégia da Jornada da Família, uma abordagem que tem como finalidade facilitar o percurso de atendimento ao paciente antes, durante e após o tratamento. A Jornada da Família começa antes mesmo da detecção da doença, com o Programa Diagnóstico Precoce do Câncer Infantojuvenil, que tem como objetivo capacitar profissionais e estudantes da saúde e sensibilizar profissionais da educação básica a detectarem os primeiros sinais e sintomas do câncer em crianças e adolescentes.

No entanto, mesmo com o diagnóstico, muitas famílias moram longe dos centros de tratamento e não possuem os recursos para arcar com a estadia em cidades distantes. É aí que entram os programas Casa Ronald McDonald (CRM) e Espaço da Família Ronald McDonald (EF), apoiados pela Ronald McDonald House Charities (RMHC). As unidades da CRM oferecem gratuitamente hospedagem, alimentação, transporte e suporte psicossocial para as crianças, adolescentes e seus acompanhantes. Já os Espaços proporcionam ambientes com infraestrutura de conforto e acolhimento, além de atividades como brincadeiras e suporte escolar para tornar menos desgastante o tempo que os pacientes passam em hospitais. Por conta disso, os programas contribuem significativamente para reduzir o abandono do tratamento.

Sobre o Instituto Ronald McDonald

Organização sem fins lucrativos, o Instituto Ronald McDonald (IRM) há mais de 24 anos atua para promover saúde e bem-estar de crianças, adolescentes e suas famílias e contribui para aumentar as chances de cura do câncer infantojuvenil no Brasil. Estruturação de hospitais especializados, hospedagem para famílias que residem longe dos hospitais, capacitação de estudantes e profissionais de saúde, incentivar a adesão a protocolos clínicos e promover disseminação de conhecimento sobre a causa, são algumas das frentes da organização. Saiba mais sobre os programas e as instituições beneficiadas e ajude o Instituto a continuar fazendo a diferença na vida de milhares de crianças e jovens que precisam de ajuda. Acesse: Instituto Ronald McDonald.

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