TEA nível 1 de suporte: desafios na socialização e na aceitação das diferenças

TEA nível 1 de suporte: desafios na socialização e na aceitação das diferenças

Abril é o mês de conscientização do Transtorno do Espectro Autista e alerta para os desafios enfrentados pelas pessoas que exigem nível 1 de suporte

Birra, hiperfoco e comportamento rígido. Essas características são percebidas em muitas crianças e adolescentes e até justificadas como comportamentos diferentes em função de uma possível timidez ou introspecção. Alguns atribuem à geração e costumam dizer que quando crescer melhora. Nem sempre melhora, especialmente se essas características estiverem associadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) e forem identificadas em pacientes que exijam nível 1 de suporte, chamado erroneamente pelas pessoas de “autismo leve”. Estima-se que 90% dos autistas brasileiros tenham sido diagnosticados tardiamente, o que significa que essas características, que fizeram parte da vida de muitas pessoas com TEA, só foram compreendidas a partir do diagnóstico e sem qualquer acompanhamento prévio.

O autismo não é uma doença, mas uma condição identificada como comportamento atípico, que pode ser diagnosticada em bebês. No Brasil, dois milhões de pessoas têm TEA, o que representa 1% da população. Embora o número pareça pequeno, é importante ressaltar que o diagnóstico de TEA vem se popularizando cada vez mais, graças à informação, como explica Mariana Valente, diretora clínica do Grupo ABAcadabra. “Estamos aprendendo a olhar para o outro de forma profunda e individualizada. Isso significa que estamos percebendo mais o outro e entendendo que alguns comportamentos diferentes podem indicar algo além de birra”, explica Mariana.

Os autistas que exigem nível 1 de suporte enfrentam desafios velados. Isso porque, o diagnóstico costuma ser apresentado já na fase adulta e, enquanto isso, lidar com algumas situações pode ser estressante e pouco prazeroso. Mariana Valente explica que os autistas que exigem nível 1 de suporte têm mais autonomia em comparação os demais por terem habilidades comunicativas e cognitivas desenvolvidas, porém, enfrentam outras dificuldades que costumam ser negligenciadas pela sociedade. “Os autistas nível 1 de suporte têm limites diferentes que, quando não respeitados, trazem consequências graves para o bem-estar da pessoa. As pessoas acreditam que os autistas nível 1 de suporte tenham um autismo “leve”, porque conseguem se comunicar de forma tradicional”, explica Mariana. Segundo a psicóloga, analista do comportamento e diretora clínica do Grupo ABAcadabra, esse é um erro grave, provocado pela falta de informação e que faz com que as pessoas menosprezem as dificuldades enfrentadas por autistas nível 1 de suporte. “Não existe autismo leve ou grave. Por mais que a pessoa se comunique bem e tenha autonomia, o autista nível 1 de suporte precisa de acompanhamento para processar algumas emoções, porque ele tem um limite”

Explicar sobre os níveis de suporte do autismo é fundamental para desmistificar algumas situações e trazer ainda mais luz a esse tema, reforçando a necessidade da informação para que as pessoas com TEA tenham o acolhimento necessário, explica Mariana Valente. “Os desafios estão presentes em todos os níveis de suporte e a inclusão só existirá de fato quando a sociedade conhecer e compreender as necessidades das pessoas com TEA”, finaliza.

Sobre o Grupo ABAcadabra: O Grupo ABAcadabra é especializado em Análise do Comportamento Aplicada. A intervenção ABA (Applied Behavior Analysis) é uma ferramenta utilizada para o acompanhamento de pacientes que apresentam transtornos de comportamento, baseada na aprendizagem que busca reforçar os comportamentos adaptativos e desenvolver as habilidades dos pacientes.

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