Especialistas alertam que o Brasil deixa mapa da fome, mas precisa ter atenção também para obesidade

Especialistas alertam que o Brasil deixa mapa da fome, mas precisa ter atenção também para obesidade

Levantamento revela que o país está abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de subnutrição ou de falta de acesso à alimentação suficiente

Fonte: https://jornal.unicamp.br/

Diretores do Instituto Fome Zero, os professores da Unicamp José Graziano e Walter Belik, comemoraram o resultado do relatório apresentado na segunda-feira (28) pela agência das Nações Unidas para a Alimentação de Agricultura (da sigla em inglês FAO), que coloca o Brasil fora do Mapa da Fome.

Apresentado durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da Organização das Nações Unidas (ONU) (UNFSS+4), na Etiópia, o levantamento revela que o país está abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de subnutrição ou de falta de acesso à alimentação suficiente. O Brasil alcançou esse índice em 2014, mas tinha retornado ao Mapa da Fome no triênio 2018/2020. Agora, no triênio 2022/2024, voltou a ficar abaixo de 2,5%. Os especialistas, no entanto, chamam a atenção para outro aspecto do grave problema brasileiro da insegurança alimentar – a obesidade.

“O brasileiro ainda come muito mal”, disse Graziano, que é professor emérito e foi um dos líderes na formulação e na implementação do Programa Fome Zero no Brasil. “Um quarto das famílias brasileiras não consegue comprar um alimento saudável, que inclua, por exemplo, frutas, legumes e verduras. Esse é o nosso grande tema do momento. Estamos substituindo produtos frescos, in natura, por produtos ultraprocessados”, afirmou o professor.

“Estamos substituindo a carne pela salsicha, e isso traz não apenas uma má alimentação do ponto de vista nutricional, mas é a causa fundamental para o aumento da obesidade entre crianças, mulheres, idosos e na população em geral. E isso tem uma série de consequências; pior ainda entre as crianças, porque uma criança obesa arrastará esse problema para o restante de sua vida”, afirma Graziano. “O fato é que nossa população está comendo mal, sem que haja uma política explícita para evitar isso”, pontua.

Insegurança alimentar

O Mapa da Fome é um indicador global da FAO que identifica países em que mais de 2,5% da população sofre de subalimentação grave – insegurança alimentar crônica. Estar no Mapa da Fome significa que uma parcela significativa da população do país não tem acesso regular a alimentos suficientes para uma vida saudável.

A FAO adota alguns indicadores para monitorar a situação alimentar nos países. O principal deles é a Prevalência de Subnutrição (Prevalence of undernourishment – PoU), utilizado na construção do Mapa da Fome. Esse indicador identifica, em cada país, o percentual da população em risco de subnutrição.

O PoU é calculado a partir de três variáveis: a quantidade de alimentos disponíveis no país, considerando produção interna, importação e exportação; o consumo de alimentos pela população, considerando as diferenças de capacidade de aquisição (a renda) e a quantidade adequada de calorias/dia, definida para um indivíduo médio representativo da população.

Previsão

Em 2023, Graziano e Belik disseram ao Jornal da Unicamp que o Brasil poderia deixar o Mapa da Fome ao final do terceiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caso fossem adotadas medidas macroeconômicas como aumento real do salário-mínimo e uma política agressiva de criação de emprego de qualidade. Além disso, seria necessário remontar programas pontuais, como o de aquisição de alimentos e fortalecimento de mecanismos de distribuição e oferta de alimentos por intermédio da merenda escolar, por exemplo.

sso tudo, dizem eles, ocorreu. O que foi surpreendente, no entanto, foi o tempo de resposta. O anúncio desta segunda-feira ocorre cerca de dois anos depois do momento crítico registrado em 2022, quando o país contabilizava 33 milhões de pessoas famintas.

Graziano explica que a surpresa se deve ao fato de que os indicadores PoU nos anos de 2022 e 2023 eram muito baixos. Por isso, esperava-se que o Brasil deixasse o Mapa da Fome apenas no ano que vem.  Segundo Belik, o resultado do relatório deve ser comemorado, mas o professor faz um alerta. A partir de agora, é preciso garantir que o país não volte mais para o Mapa da Fome. “Somos um caso que considero único no mundo de um país que saiu do mapa e voltou. Portanto, a partir de agora, a vigilância deve ser redobrada”, afirma. “Temos que ativar mecanismos da sociedade civil de controle para que o orçamento do governo continue a contemplar programas que garantam que as pessoas não caiam na miséria, na pobreza, que passem fome”, diz ele. “Além disso, temos que fazer um esforço para que a economia continue a crescer e gerar empregos”, acrescenta. “O desafio então é manter-se fora”, finaliza.

Assista ao programa Direto na Fonte sobre o tema:

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