Acessibilidade e Inteligência Artificial: um caminho estratégico para conselhos mais inclusivos

Acessibilidade e Inteligência Artificial: um caminho estratégico para conselhos mais inclusivos

OPINIÃO

  • * Por Thierry Cintra Marcondes

Se a acessibilidade é um direito, por que tantos conselhos ainda ignoram vozes que não são plenamente visíveis?

A pergunta é incômoda, mas necessária. Os conselhos sejam administrativos, consultivos ou deliberativos, concentram decisões que moldam o futuro das empresas e organizações. No entanto, a participação plena de todos os perfis ainda não é uma realidade.

Fala-se muito sobre inclusão, diversidade e acolhimento, mas é fundamental refletir sobre o que esses conceitos realmente significam na prática. Olhando para o futuro, é inevitável questionar: a sua empresa está preparada para investir no potencial humano em sua totalidade?

Dentro dessa discussão, surge um questionamento ainda mais relevante: e se a Inteligência Artificial pudesse contribuir para suprir a ausência de diversidade e acessibilidade nos conselhos? A resposta é sim, é possível e pode ter uma aplicabilidade escalonável e positiva, desde que adotada com responsabilidade e alinhada a princípios éticos.

A acessibilidade não pode ser tratada como uma ação desconectada da missão, valores e princípios das empresas ou estar apenas no escopo de lista de afazeres do RH; precisa estar na base da governança corporativa; misturada ao DNA das companhias – ela inclusive gera novos negócios, melhora a eficiência da companhia e traz mais experiência a todos. Hoje, a IA já se mostra uma aliada poderosa nesse sentido e ela pode e deve ser Tech for good. Segundo estudo da Randstad, publicado em 2024, 65% das empresas ampliaram seus orçamentos em IA. No campo da diversidade e inclusão, essa tecnologia pode:

• Detectar padrões de exclusão em processos internos;

• Adaptar conteúdos e comunicações para diferentes perfis;

• Facilitar o acesso a informações estratégicas;

• Gerar análises sobre necessidades e expectativas de grupos historicamente sub-representados

• Impactar positivo equipes inteiras de trabalho à medida que todos, inclusive os neurodivergentes, sejam compreendidos e incluídos. Isso serve como interface dentro da empresa e especialmente fora, ajudando a trazer uma melhor experiência ao cliente e também fazer a governança.

Avançar nessa direção requer cautela: a IA deve ser ferramenta de ampliação da participação, não substituição da presença, valor e capital humano. Para isso, é indispensável investir em soluções tecnológicas inclusivas, combater vieses algorítmicos e garantir transparência nas decisões. Por isso, um conselheiro que souber acessibilidade e IA terá um grande diferencial, saberá filtrar dados, oportunidades, pessoas e fazer a gestão deles.

Mais do que seguir normas, trata-se de compreender a jornada real das pessoas. Um conselho verdadeiramente inclusivo é aquele que projeta ambientes, físicos, digitais e culturais, nos quais todos possam participar com segurança, autonomia e confiança.

Negócios atravessam desafios e transformações constantes, mas a essência humana permanece insubstituível. Utilizar a Inteligência Artificial para potencializar a diversidade é investir em decisões mais inteligentes, representativas e conectadas à realidade.

Nossa capacidade, sem jamais substituir o que só nós podemos oferecer.

  • * Thierry Cintra Marcondes é Especialista em inovação, impacto e acessibilidade, com habilidades comprovadas em futurismo, tendências e associado da Conselheiros TrendsInnovation

Compartilhe esta notícia:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Aviso de Direitos Autorais

Todos os direitos sobre os conteúdos publicados em todas as mídias sociais do Diário PcD, incluindo textos, imagens, gráficos, e qualquer outro material, estão reservados e são protegidos pelas leis de direitos autorais.
Todos os Direitos Reservados.
Nenhuma parte das publicações em todas as mídias sociais do Diário PcD devem ser reproduzidas, distribuídas, ou transmitidas de qualquer forma ou por qualquer meio, incluindo fotocópia, gravação, ou outros métodos eletrônicos ou mecânicos, sem a prévia autorização por escrito do titular dos direitos autorais, de acordo com a legislação vigente.
Para solicitações de permissão para usos diversos do material aqui apresentado, entre em contato por meio do e-mail jornalismopcd@gmail.com ou telefone 11.99699 9955.
A infração dos direitos autorais é uma violação de Lei Federal 9.610, passível de sanções civis e criminais.

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore