Especialista aponta diferença dos sintomas do infarto em mulheres

Especialista aponta diferença dos sintomas do infarto em mulheres

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres, mas continuam sendo subdiagnosticadas e subtratadas

Apesar de as doenças cardiovasculares permanecerem como a principal causa de morte no Brasil, o tema carece de maior atenção da população, especialmente quando se trata do Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). Isso porque os sintomas do infarto podem se manifestar de forma diferente entre homens e mulheres, distinção que ainda é pouco conhecida, conforme aponta pesquisa realizada pela farmacêutica Novartis, em parceria com o Instituto IPSOS-IPEC[i].

Cerca de 51% dos brasileiros internautas não reconhecem essas disparidades, segundo o estudo que foi conduzido por meio de questionário online com mais de 2 mil participantes de todas as regiões do país.

Enquanto os homens costumam apresentar a clássica dor no peito, as mulheres frequentemente relatam sintomas como cansaço extremo, náusea, dor nas costas e no pescoço, além de falta de ar durante o infarto”, explica a Dra. Maria Cristina de Oliveira Izar, Professora Adjunta Livre Docente da Disciplina de Cardiologia da UNIFESP e Membro da Diretoria da International Atherosclerosis Society 2025-2027.

A principal preocupação é que, por serem considerados atípicos, esses sinais nas mulheres muitas vezes são associados a fatores como estresse ou ansiedade, o que contribui para atrasos no diagnóstico e no início do tratamento adequado. “Quando esses sintomas são subestimados, tanto pelas próprias pacientes quanto por profissionais de saúde, é comum que os casos cheguem ao hospital em estágios mais avançados ou sejam interpretados de forma equivocada. Isso resulta em uma jornada de cuidado marcada por falhas”, alerta a especialista.

No Brasil, esse debate começa a ganhar espaço em iniciativas locais. De acordo com documento publicado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, é fundamental que os protocolos de atendimento sejam adaptados à realidade feminina. Ferramentas de avaliação baseadas predominantemente em padrões masculinos podem levar à subnotificação de riscos e à inadequação do tratamento em mulheres.

Precisamos superar a ideia de que a doença cardíaca é um problema exclusivamente masculino. As mulheres apresentam riscos específicos, sintomas distintos e, muitas vezes, recebem o diagnóstico de forma tardia. A ciência já aponta esse caminho; agora é essencial que ele seja incorporado pela prática clínica, pela capacitação dos profissionais de saúde e por políticas públicas eficazes”, reforça a Dra. Maria Cristina.

Causas do infarto e a importância da prevenção

O cuidado com a saúde cardiovascular deve começar pela prevenção. Além do controle da pressão arterial, do diabetes, do sedentarismo, do tabagismo e da obesidade, é fundamental dar atenção a um dos principais fatores de risco: o colesterol LDL, conhecido como colesterol “ruim”[ii]. Esse tipo de gordura se acumula de forma silenciosa nas artérias e contribui para o desenvolvimento da aterosclerose, condição que evolui lentamente e, muitas vezes, sem sintomas, até culminar em eventos graves, como o infarto ou o acidente vascular cerebral (AVC).

Quando essas placas de gordura se rompem, formam-se coágulos que bloqueiam o fluxo sanguíneo, resultando em infarto agudo do miocárdio ou AVC”, explica a cardiologista.

Em indivíduos com alto risco cardiovascular, especialmente aqueles em prevenção secundária, a recomendação é manter os níveis de LDL abaixo de 50 mg/dL, tanto em homens quanto em mulheres[iii]. Para atingir metas tão rigorosas, além de alimentação equilibrada e prática regular de atividade física — sempre com acompanhamento profissional —, o uso de medicamentos para controle do colesterol é considerado indispensável.

[i] EUROPEAN SOCIETY OF CARDIOLOGY. Closing the gaps in the cardiovascular care of women: ESC Statement on The Lancet Commission. 2021. Disponível em: https://www.escardio.org. Acesso em fevereiro de 2026.

[ii] Adaptado de Roth GA, et al. Global Burden of Cardiovascular Diseases and Risk Factors, 1990–2019 J Am Coll Cardiol. 2020;76(25):2982-3021. 

[iii] Rached, F. H.; Miname, M. H.; Rocha, V. Z.; Zimerman, A.; Cesena, F. H. Y.; Sposito, A. C.; Santos, R. D.; Behr, P. E. B.; Bianco, H. T.; Alves, R. J.; Faludi, A. A.; Coutinho, E. R.; Fonseca, F. A. H.; Carvalho, L. S. F.; Bertolami, A.; Rocha, A. M.; Marte, A. P.; Chagas, A. C. P.; Caramelli, B.; Polanczyk, C. A.; Ferreira, C. E. S.; Serrano Junior, C. V.; Araujo, D. B.; Moriguchi, E. H.; Pinto, F. J.; Moreira, H. G.; Back, I. C.; Faria Neto, J. R.; Maia, K. A. P.; Bertolami, M. C.; Assad, M. H. V.; Izar, M. C. O.; Barreto, M. A.; Barreto, N. S. F.; Silva, P. G. M. B.; Pimentel Filho, P.; Maranhão, R. C.; Kaiser, S. E.; Machado, V. A.; Saraiva, J. F. K. Brazilian Guideline on Dyslipidemias and Prevention of Atherosclerosis – 2025. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 122, n. 9, e20250640, Oct. 2025. Disponível em: https://abccardiol.org/en/article/brazilian-guideline-on-dyslipidemias-and-prevention-of-atherosclerosis-2025/. Acesso em fevereiro de 2026.

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