Especialistas apontam que 75% dos casos de cegueira podem ser evitados. Achkar relata abandono e angústia na busca do diagnóstico

Especialistas apontam que 75% dos casos de cegueira podem ser evitados. Achkar relata abandono e angústia na busca do diagnóstico

Além de representantes de diversas entidades, Audiência Pública contou com o relato de César Achkar que fez o ‘desabafo’ de pessoas com deficiência visual de todo o Brasil

#PraTodosLerem: a imagem apresenta um texto grande no lado esquerdo que diz “O CUSTO DO ABANDONO”, com “O CUSTO DO” em branco e “ABANDONO” em amarelo. Do lado direito, uma pessoa se afasta em uma calçada rachada e irregular, segurando uma bengala branca. A pessoa está usando roupas escuras e tênis. O fundo mostra um ambiente urbano com prédios e postes de utilidade, sugerindo uma área negligenciada. No canto superior direito, há um logotipo com o texto “DiárioPcD.”

Especialistas alertaram, em audiência pública na Câmara dos Deputados, que 75% dos casos de cegueira podem ser evitados com diagnóstico precoce. Eles apontaram como principais problemas a falta de acesso na atenção básica e o subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

O debate foi realizado pela Comissão de Saúde, na quinta-feira (16), para marcar a campanha Abril Marrom, voltada à prevenção da cegueira e à reabilitação visual.

Segundo os participantes da audiência pública, doenças como glaucoma e retinopatia diabética estão entre as principais causas de perda de visão evitável no Brasil.

A deputada Carla Dickson (União-RN), autora do pedido do debate, criticou o subfinanciamento do setor. Segundo ela, a tabela do SUS paga valores baixos pelas consultas, o que reduz a oferta de profissionais e aumenta a fila de espera.

“A oftalmologia precisa estar na atenção básica. Não podemos aceitar que o cidadão espere anos por uma consulta que pode salvar sua visão”, afirmou.

Realidade da pessoa com deficiência

Com 62 anos e deficiência visual, Cesar Achkar é dos mais influentes ativista pelos direitos das pessoas com deficiência na Capital Federal e como paciente participou da Audiência Pública. “Hoje no Brasil quem comeca perder a visão enfrenta um percurso longo, angustiante e muitas vezes solitário. Nós enfrentamos longas filas do início ao fim da trajetória. Na maioria das vezes, o diganóstico demora e o tratamento não chega a tempo. Em muitos casos a pessoas perde a visão no meio do caminho. O paciente finaliza a trajetória com a perda da visão. O pior é o que ela encontra depois disso: o paciente encontra um sistema que não está preparado para recebe-la. Não existe – sequer – um cadastro público que ofereça serviço de reabilitação visual. Isso não é falha técnica. É falha de política pública. O sistema existe, mas não é acessível. Não é aceitável que essa trajetória seja marcada pela desinformação. Após a perda da visão a reabilitação não é tratada com realidade!”, afirmou Achkar.

O presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma, Roberto Murad Vessani, alertou que o glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo.

Segundo ele, a doença atinge cerca de 3,5% das pessoas com mais de 40 anos, e 90% dos casos não são diagnosticados, porque os sintomas aparecem apenas em estágios avançados.

Já a representante da Associação de Diabetes Brasil, Lúcia Xavier, afirmou que a retinopatia diabética é a principal causa de cegueira em idade produtiva. Ela destacou que 56% das pessoas com diabetes não sabem que têm a doença, o que dificulta o diagnóstico precoce.

Novas tecnologias
A presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, Maria Auxiliadora Frazão, defendeu melhor organização da rede de atendimento para garantir acesso mais rápido e remuneração adequada aos profissionais. Segundo ela, prevenir a cegueira custa menos do que lidar com seus impactos econômicos e sociais.

Representantes da sociedade civil também apontaram demora para incorporar novas tecnologias no SUS. A presidente da Retina Brasil, Ângela Souza, afirmou que medicamentos e implantes já recomendados levam anos para chegar aos pacientes.

Ações do governo
A coordenadora de projetos do Ministério da Saúde, Gabriela Hidalgo, citou avanços como os Orçamentos de Cuidados Integrados (OCIs). Segundo ela, o modelo permite financiamento maior — entre R$ 200 e R$ 400 por atendimento completo — para agilizar diagnósticos e cirurgias de catarata.

Gabriela Hidalgo também afirmou que o ministério pretende atualizar os protocolos clínicos para tratamento do glaucoma ainda em 2026.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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