Coletivo Nacional das Pessoas com Albinismo (CNPA), a Associação das Pessoas com Albinismo no Brasil (APALBR) e a Associação das Pessoas com Albinismo na Bahia (APALBA) divulgam Nota de Repúdio pela utilização de termo “albino” em programas da Rede Globo
Ainda é comum as pessoas com deficiência enfrentarem termos capacististas em órgãos de imprensa. Frases e atitudes capacitistas — ou seja, que inferiorizam, ridicularizam ou tratam pessoas com deficiência como menos capazes — causam impactos profundos, tanto individuais quanto sociais. Isso não é apenas uma questão de “educação”, mas de direitos humanos e inclusão.
O capacitismo não afeta só quem tem deficiência — ele empobrece a sociedade como um todo, porque limita diversidade, empatia e inovação. Combater isso passa por linguagem respeitosa, escuta ativa e principalmente por garantir acessibilidade e protagonismo às próprias pessoas com deficiência.
Entidades que representam pessoas com ‘albinismo’ divulgaram uma Nota de Repúdio sobre recentes ‘capacitismos’ praticados por personagens da novela “Três Graças” e participantes do Big Brother Brasil.
Acompanhe a íntegra da NOTA DE REPÚDIO
“O Coletivo Nacional das Pessoas com Albinismo (CNPA), a Associação das Pessoas com Albinismo no Brasil (APALBR) e a Associação das Pessoas com Albinismo na Bahia (APALBA) vêm a público manifestar seu mais veemente REPÚDIO à utilização do termo “albino” de forma pejorativa, ofensiva e discriminatória em conteúdos recentemente veiculados pela Rede Globo de Televisão, em programas de grande alcance e repercussão nacional, especificamente a novela Três Graças e o Big Brother Brasil.
As expressões utilizadas, associando o albinismo a animais, comportamentos negativos ou atributos depreciativos, não podem ser tratadas como meras figuras de linguagem ou elementos narrativos. Elas representam, na verdade, a reprodução de um padrão histórico de estigmatização que reduz pessoas com albinismo à condição de objeto de ridicularização, desumanização e exclusão.
O albinismo não é um insulto.
Não é metáfora para perigo, fraqueza ou inutilidade.
É uma condição genética que exige respeito, reconhecimento e proteção.
À sociedade em geral, fazemos um chamado à reflexão: As palavras que usamos constroem realidades. Quando o termo “albino” é utilizado como ofensa, reforça-se um imaginário social que legitima o preconceito, a discriminação e a exclusão de milhares de pessoas em todo o país.
Às pessoas com albinismo, queremos afirmar com firmeza que: Ninguém está sozinho(a).
Reconhecemos a dor, o desconforto e a indignação provocados por essas manifestações. Reafirmamos o compromisso de seguir lutando, juntos(as), de forma incansável, a defesa de nossos direitos, a valorização de nossas identidades e a construção de uma sociedade justa, inclusiva e diversa.
É inaceitável que, em pleno contexto de avanços legais e institucionais no reconhecimento dos direitos das pessoas com albinismo, ainda se naturalizem práticas que reforçam o preconceito e a desinformação.
Diante disso, reiteramos:
- Repudiamos toda forma de utilização do termo “albino” como instrumento de ofensa;
- Exigimos respeito à dignidade das pessoas com albinismo;
- Defendemos a responsabilidade social dos meios de comunicação;
- Convocamos a sociedade a se posicionar contra práticas discriminatórias.
Seguiremos firmes na defesa da vida, da dignidade e dos nossos direitos humanos.
Respeito não é opção. É dever.
Brasíl, 20 de abril de 2026
CNPA – Coletivo Nacional das Pessoas com Albinismo
APALBR – Associação das Pessoas com Albinismo no Brasil
APALBA – Associação das Pessoas com Albinismo na Bahia





