Inclusão de PCDs no trabalho é reconhecer talentos, capacidades e trajetórias

Inclusão de PCDs no trabalho é reconhecer talentos, capacidades e trajetórias - OPINIÃO - * Por Minoru Kamachi

OPINIÃO

  • * Por Minoru Kamachi

O Brasil avançou de forma significativa no debate sobre diversidade no mercado de trabalho, mas ainda enfrenta desafios estruturais quando o tema é a inclusão de pessoas com deficiência (PCDs). Apesar de avanços legais e maior conscientização social, a distância entre potencial produtivo e oportunidades reais de emprego ainda é grande — e isso representa não apenas uma questão social, mas também um desperdício econômico.

Dados do IBGE indicam que o país tem mais de 18 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, mas apenas uma parcela reduzida está inserida no mercado formal de trabalho. Informações do Ministério do Trabalho mostram que menos de 30% das vagas previstas pela Lei de Cotas são efetivamente preenchidas, revelando que o problema não está na ausência de legislação, mas na dificuldade de implementação prática e, muitas vezes, na persistência de barreiras culturais.

Essas barreiras nem sempre são físicas. Em muitos casos, elas estão relacionadas a preconceitos velados, desconhecimento sobre adaptações razoáveis ou à visão equivocada de que a contratação de PCDs representa apenas uma obrigação legal. Essa leitura limitada ignora evidências claras de que ambientes mais inclusivos tendem a ser mais engajados, inovadores e produtivos.

Do ponto de vista dos negócios, a inclusão de pessoas com deficiência responde a desafios reais do mercado de trabalho contemporâneo. Empresas de diferentes setores enfrentam rotatividade elevada, escassez de mão de obra em determinadas funções e dificuldades para formar equipes comprometidas no longo prazo. A experiência mostra que profissionais PCDs, quando inseridos em ambientes acessíveis e respeitosos, apresentam altos índices de retenção, comprometimento e desempenho.

Na Soneda, a inclusão de trabalhadores PCDs não é tratada como política acessória ou ação pontual. Ela faz parte de uma visão mais ampla sobre pessoas, trabalho e crescimento sustentável. Ao longo do tempo, aprendemos que trabalharmos com acessibilidade, adaptação de processos e capacitação de lideranças gera retornos concretos — tanto no clima organizacional quanto nos resultados operacionais.

Mais do que isso, a convivência cotidiana com a diversidade amplia a empatia, fortalece o trabalho em equipe e cria ambientes mais humanos. São ganhos intangíveis, mas profundamente estratégicos em um setor cada vez mais orientado pela experiência do cliente e pela qualidade das relações interpessoais.

O Brasil possui um arcabouço legal avançado no tema, mas o próximo passo precisa ser cultural. Empresas têm um papel central na transformação dessa realidade ao enxergar pessoas com deficiência não como exceção, mas como parte essencial da força de trabalho. Quando a inclusão deixa de ser apenas cumprimento de norma e passa a integrar a estratégia do negócio, os resultados aparecem.

Incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho é, antes de tudo, reconhecer talentos, capacidades e trajetórias. É afirmar que crescimento econômico e dignidade humana não são caminhos opostos. Em um país diverso como o Brasil, avançar nessa agenda não é apenas justo — é inteligente.

  • Minoru Kamachi é o CEO da Soneda A Casa da Beleza

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SOBRE A SONEDA A CASA DA BELEZA (www.soneda.com.br)

A Soneda foi criada em 2018 pela família Kamachi após a aquisição da rede Perfumaria 2000. Hoje, tem cerca de 50 lojas distribuídas por 21 cidades: São Paulo, Atibaia, Araçatuba, Amparo, Bauru, Campinas, Rio Claro, São Bernardo do Campo, Santo André, Diadema, Mauá, Guarulhos, Taboão da Serra, Ferraz de Vasconcelos, Itupeva, Mairiporã, Caieiras, Franco da Rocha, Santos, Guarujá e Praia Grande. No total, emprega mais de 1 mil funcionários diretos e mantém, desde junho de 2020 um canal de e-commerce com 11 mil SKUs e que já representa 3% das suas vendas.

Mensalmente, a rede atende mais de 700 mil clientes e mantém um mix total de produtos em torno de 20 mil SKUs. Segundo dados da Nielsen, no Estado de São Paulo a Soneda tem 30% do market share de perfumaria auditadas e 11% em todo o território nacional.

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